Tablado de Arruar apresenta “Abnegação I”, de 19 a 22 de janeiro no Sesc Copacabana

Uma reunião restrita em uma casa de campo sobre um assunto com dimensões nacionais. Quatro homens e uma mulher precisam tomar uma decisão que pode gerar consequências catastróficas. Dando sequência à pesquisa iniciada em “Mateus, 10 (Prêmio Shell de Melhor Autor para Alexandre Dal Farra e indicação de Melhor Ator para Vitor Vieira), o grupo paulistano Tablado de Arruar apresenta “Abnegação I”, de 19 a 22 de janeiro no Sesc Copacabana – Mezanino. Com texto de Alexandre Dal Farra, que divide a direção com Clayton Mariano, a peça aborda as relações de poder no interior de um partido político. No elenco, André Capuano, Alexandra Tavares, Carlos Morelli, Vinicius Meloni e Vitor Vieira.

Indicado ao prêmio APCA de melhor autor, “Abnegação I” é o primeiro espetáculo da Trilogia Abnegação, composto também por “Abnegação II – O Começo do Fim”, indicado ao Prêmio Aplauso Brasil de melhor texto, “Abnegação III – Restos”, finalista nas categorias de Melhor Texto e Melhor Elenco pelo Prêmio Aplauso Brasil, que serão apresentados de 26 a 29 de janeiro e de 02 a 05 de fevereiro, respectivamente. “Matheus, 10”, vencedor do Prêmio Shell de melhor autor e indicado ao de melhor ator, encerra a ocupação do grupo Tablado de Arruar no Sesc Copacabana com apresentações de 09 a 12 do mesmo mês.

Radicalizando a proposta de uma encenação minimalista, o Tablado de Arruar aposta no trabalho dos atores para a construção de uma atmosfera repleta de intrigas, traições e armadilhas. Valendo-se de uma linguagem afiada e do gosto por assuntos polêmicos, “Abnegação I” mostra cinco personagens ligadas à estrutura do poder, diante de uma situação onde cada decisão poderá gerar consequências trágicas. O que não se diz parece revelar mais do que aquilo que se fala abertamente.

A trama acontece ao fim de uma festa. Durante uma reunião, na calada da noite, os integrantes de um partido político discutem o que se pode fazer em relação a um acontecimento do passado que vem à tona. São quatro da manhã, em um local afastado, uma fazenda de um dos militanteso. Ao longo da madrugada, em meio a muitas garrafas de bebida alcoólica, os envolvidos discutem, se desesperam, bebem, dançam e brigam ao som de hits sertanejos, enquanto o dia amanhece e eles decidem o que fazer frente ao problema que os aflige.

“Mais importante do que os fatos que constituem a trama é a maneira como eles ocorrem. As personagens se encontram em situações-limite e importa mais ver como agem e como se relacionam do que entender as suas histórias pessoais e a narrativa do toda”, diz Alexandre Dal Farra.

A direção privilegia o texto e a interpretação. Mais importante do que contar uma história é ver como as personagens lidam com aquela situação. “Nosso foco está no ator e na dramaturgia. Isso já é uma marca do nosso trabalho. Durante os ensaios, trabalhamos muito com a improvisação, o jogo em cena e a concepção de cada personagem. Trazemos o texto e uma ideia geral das características que cada uma daquelas personagens carregam. E assim, vamos criando a atmosfera, o ambiente, a sensação de que alguma coisa está acontecendo, dos conchavos e complôs tão característicos do jogo político”, explica Clayton Mariano.

O texto dá continuidade a uma pesquisa de linguagem consolidada pelo grupo com a peça “Mateus, 10”. O ponto de partida é um acontecimento real, mas que, no entanto, não se prende às normas do realismo. As personagens estão livres em cena para lidar com a situação em que estão inseridas. Para o autor, “não se trata de um processo de improvisação cênica, mas um ponto de partida para a criação de um texto, escrito previamente”.

A ideia surgiu do interesse de Dal Farra pela situação atual do Partido dos Trabalhadores e pela estrutura de relações que ocorrem em um partido tido como de esquerda, porém ligado às mais altas esferas de poder. “Creio que esse lugar singular que o PT ocupa gera um tipo de contradição que influi nos seus integrantes de forma interessante. Embora sejam pessoas profundamente abnegadas, com um passado de militância política, agora estão envolvidos em jogos de poder que contradizem aquilo que inicialmente buscavam. Isso gera uma certa maneira de se relacionar com o poder, a meu ver, bastante particular.”

SOBRE O TABLADO DE ARRUAR

 

Fundado em 2001, o grupo vem desenvolvendo um trabalho continuado, tendo sido reconhecido tanto pelos principais apoios nacionais ao teatro, pelo público e pela crítica. Em 2012 recebe o Shell de Melhor Autor por “Mateus, 10” para Alexandre Dal Farra e a indicação de Melhor Ator para Vitor Vieira. O espetáculo é contemplado ainda pelo Prêmio CPT de Melhor Espetáculo não convencional, além de ter a indicação de Melhor Ator para Vitor Vieira. Em 2014, “Abnegação I” é indicado também ao Prêmio APCA de Melhor Autor. Em 2015, “Abnegação II – O Começo do Fim” é indicado ao Prêmio Aplauso Brasil de melhor texto. Em 2016, “Abnegação 3 – Restos” é finalista nas categorias de Melhor Texto e Melhor Elenco pelo Prêmio Aplauso Brasil. Desde 2001, o grupo apresenta nas principais cidades do país e também no exterior, particularmente na Alemanha, onde desenvolveu um projeto longo de pesquisa, entre 2009 e 2011.

Tendo começado como um grupo de teatro de rua, o Tablado de Arruar tem em seu repertório quatro peças destinadas ao espaço externo – “A Farsa do Monumento” (2001), “Movimentos para Atravessar a Rua” (2003), “A Rua é um Rio” (2005) e “Helena Pede Perdão e é Esbofeteada” (2010). Em suas três peças para espaços fechados – “Quem Vem Lá” (2008), “Os novos Argonautas” (2009) e “Mateus, 10” (2012) –, o Tablado de Arruar vem desenvolvendo uma pesquisa aprofundada de linguagem, sobretudo em dois pontos: a dramaturgia e a interpretação.

A dramaturgia tem sido um ponto de contato entre o Tablado de Arruar e diversos outros grupos, nos quais Dal Farra tem trabalhado como dramaturgo, como o Grupo XIX de Teatro, o Teatro da Vertigem, a Cia da Memória, o grupo KUNYN, a Cia Livre, assim como provocador, como no caso do Coletivo Bruto, da Cia Les Commediens Tropicales, entre outros. Alexandre Dal Farra assumiu a dramaturgia do grupo em 2005, e desde então, vem desenvolvendo um trabalho continuado de pesquisa. Embora trabalhe o pensamento conjunto e coletivo, o Grupo opera a partir de uma divisão interna de funções, que possibilita o desenvolvimento e aprofundamento das especificidades de cada uma delas. Assim, a escolha de que a dramaturgia fosse desenvolvida por uma só pessoa reflete a confiança na capacidade de desenvolvimento de seus membros, a partir de uma temática e de uma diretriz artística que é sempre comum e coletiva. A pesquisa continuada sobre interpretação é outro aspecto que o Tablado de Arruar vem desenvolvendo ao longo de 11 anos. Os atores Vitor Vieira, Alexandra Tavares, Clayton Mariano e Ligia Oliveira, juntos desde 2005, desenvolvem conjuntamente uma investigação acerca das diferentes qualidades de interpretação que o grupo dispõe.

FICHA TÉCNICA

 

Texto: Alexandre Dal Farra

Direção: Clayton Mariano e Alexandre Dal Farra

Atores: Alexandra Tavares, Vitor Vieira, Antonio Salvador, André Capuano, Clayton Mariano

Cenário: Clayton Mariano, Alexandre Dal Farra e Eduardo Climachauska

Figurinos: Melina Schleder

Luz: Francisco Turbiani

“ABNEGAÇÃO I”

Grupo Tablado de Arruar

Temporada: de 19 a 22 de janeiro – de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h.

Sesc Copacabana – Mezanino – Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana. Tel.: (21) 2547-0156. Duração: 80 minutos. Lotação: 100 lugares. Classificação etária: 16 anos.

Ingressos: R$ 25,00 (inteira), R$ 12 (meia) e R$ 6 (associado Sesc).

Bilheteria: aberta de terça a sábado das 13h às 21h e domingo das 13h às 20h.