“A Paz Perpétua” no Teatro Dulcina

Após uma temporada de grande sucesso, consagrada pela indicação ao 29° prêmio Shell de Teatro na categoria de melhor direção, Aderbal Freire-Filho retorna em janeiro, no Teatro Dulcina, com a montagem inédita do premiado dramaturgo espanhol Juan Mayorga: ‘A Paz Perpétua’, uma fábula teatral protagonizada por cachorros: Odin (João Velho), Emanuel (Cadu Garcia) e John-John (José Loreto/Manoel Madeira), que disputam, através de um misterioso processo seletivo liderado pelo cão Cassius (Alex Nader) e pelo Humano (Gillray Coutinho), a prestigiada “coleira branca”, que só é dada à elite canina de combate ao antiterrorismo. A montagem que estreou em outubro durante o TEMPO_FESTIVAL é um desdobramento do projeto ‘Internacionalização da Dramaturgia Espanhola’, coleção de livros de autores contemporâneos espanhóis com textos traduzidos por artistas brasileiros e editados pela Cobogó. ‘A Paz Perpétua’ teve tradução do próprio Aderbal, que se apaixonou pelo texto e decidiu montá-lo.

 

Esse texto me desnorteou quando li, antes de começar a traduzir. A dimensão de cruel humanidade dos cães, os valores em discussão, tudo isso é muito assustador na peça. Depois, à medida que traduzia, que entrava nos labirintos e complexidades do texto, fui sendo arrebatado. Quando terminei a tradução já estava certo de que queria completar o serviço: isto é, encenar a peça’’, conta Aderbal.

Os personagens são cachorros (à exceção de um, o Humano) e em cena os atores não tentam esconder os homens, mas, pelo contrário, a construção se dá a partir deles. “Os cães estão presos nesses homens, um homem é a prisão de cada um deles e eles muitas vezes emergem, tentam escapar dessa prisão. Para quem, como eu, busca a relação profunda do conteúdo com a forma, essa relação do ator-cachorro é mais uma escala do jogo’’, revela Aderbal, que conclui: “Essa proposição do autor de criar uma cena entre não humanos é a primeira evidência de que se trata de uma peça de teatro contemporâneo (o que às vezes se chama nova dramaturgia): o teatro que confia francamente na imaginação do espectador.  Esses cães que pensam, que agem, que sentem e que falam são os nossos personagens.’’

SOBRE JUAN MAYORGA

Filósofo e matemático, ampliou seus estudos em Münster, Berlin e Paris. É autor de mais de 50 obras, entre as quais se destacam Siete Hombres Buenos (1989), Cartas de Amor a Stalin (1997), El Cartógrafo (2009), El Arte de la Entrevista (2014) e El Golem (2015). Sua obra ultrapassou as barreiras nacionais, tendo sido traduzida e montada nos principais teatros do mundo. Ganhou, entre outros, o Prêmio Nacional de Teatro, em 2007; o Prêmio Valle-Inclán, em 2009; o Prêmio Cares, em 2013; o Prêmio La Barraca, em 2013; o Prêmio Max de Melhor Autor, em 2006, 2008 e 2009, e Melhor Adaptação, em 2008 e 2013; e o Prêmio Nacional de Literatura Dramática, em 2013.

SOBRE ADERBAL FREIRE-FILHO

Diretor, ator e dramaturgo, criou o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo (1989-2003) e foi membro do Conselho Diretor do Festival Ibero-americano de Teatro de Cádiz, Espanha. Coordenou a comissão que criou o Curso de Direção Teatral, da Escola de Comunicação da UFRJ. Escreveu as peças Lampião, rei diabo do Brasil (1991); No verão de 1996 (1996); Xambudo (1998); Isabel (2000) e Depois do filme (2011). Entre suas traduções e adaptações publicadas ou encenadas estão Turandot ou Congresso dos Intelectuais (1993) de Brecht; Luzes de Boemia (2000), de Valle-Inclán; Casa de Boneca (2001), de Ibsen; Hamlet (2008) e Macbeth (2010), de Shakespeare, e Na Selva da Cidade (2011), de Brecht. Dentre os prêmios que recebeu estão o Prêmio Molière, em 1981; o Golfinho de Ouro, em 1984; o Prêmio Shell na categoria Especial, em 1992; o Prêmio Shell na categoria Direção, em 2002, 2003 e 2013, e o Prêmio APTR, em 2006.

FICHA TÉCNICA

Texto: Juan Mayorga / Direção e Tradução: Aderbal Freire-Filho / Diretor Assistente: Fernando Philbert / Elenco: Alex Nader, Gillray Coutinho, João Velho, José Loreto, Kadú Garcia e Manoel Madeira / Iluminação: Maneco Quinderé / Cenário: Aderbal Freire-Filho / Música: Tato Taborda / Figurino: Antônio Medeiros / Projeto gráfico: Radiográfico / Assistência de Produção: Roberta Aguiar/ Produção Executiva e Fotografia: Nil Caniné / Direção de Produção: Sérgio Martins / Coprodução: A Freire-Filho, Somart e TEMPO_FESTIVAL / Realização: Somart Produções Artísticas

‘A PAZ PERPÉTUA’ – SERVIÇO

De 13 de janeiro a 19 de fevereiro

Teatro Dulcina (Rua Alcindo Guanabara, 17 – Centro, Rio de Janeiro)

Horário : De quinta a domingo, às 19h

Duração: 90 minutos
Valor: de R$ 20,00 (meia) a R$ 40,00 (inteira).

Classificação Indicativa: 14 anos