Passageiro do Futuro chega à sua 19ª edição

Era 2001 e uma odisseia começava para a atriz e produtora Juliana Teixeira. Baiana radicada no Rio de Janeiro, integrava o elenco de Tudo no Escuro, peça de Peter Shaffer. “Ali tudo dependia de iluminação e começamos a ter dificuldades em conseguir técnicos para a turnê”. Foi o gatilho para por em prática um desejo de levar o teatro e suas oportunidades artísticas e profissionais às comunidades mais carentes – e também de atender, em alguma medida, a essa carência de mão de obra no teatro profissional. Assim teve início o projeto Passageiro do Futuro, que completa agora 15 anos de uma bem-sucedida trajetória.

No ano passado, o projeto chegou ao Caju e trabalhou para a montagem de O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, com direção de Mônica Alvarenga. Nesta segunda edição na comunidade, o Passageiro do Futuro abriga 40 jovens, vindos de 14 escolas para a idealização do espetáculo infanto-juvenil Tribobó City, de Maria Clara Machado, também dirigido por Mônica. Com apresentações gratuitas de 2 a 16 de dezembro em nove espaços da cidade (veja programação completa abaixo), a peça faz parte de um projeto de formação de plateia e como experiência profissional e criativa dos participantes.

Escrita em 1971 e raramente encenada, a peça se passa Tribobó, cidade ameaçada por bandidos em busca de ouro. Com bastante música, ação e comédia, a aventura, liderada por Mocinho de Souza contra a turma do vilão Al Gazarra, mistura aspectos do velho oeste com o cenário carioca. “Lemos algumas outras peças com os alunos, como Jonas e a Baleia (Maria Clara Machado) e O Noviço (Martins Pena), mas escolhemos esta quando vi que tinha muitas possibilidades de fazer uma montagem farsesca, que fizesse até um paralelo com o cotidiano, mas de forma leve, que dá para brincar”, conta a diretora Mônica Alvarenga. “Como é nosso segundo ano no Caju, metade dos alunos já participou do projeto e queria dar a eles a possibilidade de eles se soltaram mais e poderem testar outros ritmos em cena”.

A história do projeto

O Passageiro do Futuro teve início em Bangu, em 2001, e seguiu por diversas comunidades da cidade. “Com formato itinerante, o projeto permanece ao menos dois anos em cada lugar”, explica Juliana. “Já atuou em Vila Aliança (Bangu), Vila Kennedy (Bangu), Água Santa, Del Castilho, Rio das Pedras, Andaraí, Engenho de Dentro, ocupou por três em parceria com o Sesi/ Firjan o prédio do Cemasi na Ladeira dos Tabajaras (Copacabana). Agora estamos, no Clube Social Quinta do Caju”.

Aos jovens – sempre entre 14 e 21 anos de idade, na maioria absoluta alunos da rede pública – são oferecidas oficinas de capacitação em sonorização, iluminação, figurino, cenário, caracterização, interpretação e preparação corporal e vocal. É uma iniciação no métier, com carga horária de 16 horas semanais e emissão de certificado (em geral, coincidente com o ano letivo).

Aulas, palestras, visitas e montagem completa a cada edição

A primeira parte de cada período tem aulas três vezes por semana, palestras sobre vários temas, dinâmica de grupo, visitas a centros culturais e idas a peças teatrais; na segunda parte, começa a montagem de um espetáculo, levantada pelo grupo de alunos, que recebem uma bolsa-incentivo, sob a orientação dos professores de cada cadeira: produção, maquiagem, figurinos, trilha sonora, iluminação e sonorização, interpretação. O encerramento é o circuito de apresentações em teatros profissionais da cidade (como o Espaço Sesc, Teatro Instituto Benjamin Constant, Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea), Teatro do Jockey, o Calouste Gulbenkian e Teatro Ipanema) e salas de apresentação (algumas nas comunidades onde o projeto está acontecendo). Essa montagem é a vivência do teatro em sua prática profissional (veja a lista de espetáculos montados nas 17 edições no final do texto) e, ao mesmo tempo, realiza uma importante formação de plateia nas comunidades e escolas.

 “O projeto beneficia toda a comunidade onde está instalado”, reforça Juliana. “Temos uma estreita relação com as famílias e o apoio das escolas; acompanhamos o rendimento escolar dos alunos, fazemos atendimento social individual e encontros com pais e responsáveis”. São, portanto, mais de 60 mil pessoas beneficiadas ao longo desses anos. Os laços com os estudantes, famílias e comunidade são reforçados pelas comemorações dos aniversariantes do mês, festas juninas, festas religiosas e o dia a dia de proximidade na convivência.

Muitos alunos que passaram pelo Passageiro do Futuro estão atuando no mercado de artes cênicas, de entretenimento e na moda ou ingressaram em cursos superiores da área. A meta é absorver 20% dos alunos no mercado de trabalho das artes cênicas – os próprios professores às vezes contratam alunos do projeto.

“Temos outros Passageiros em áreas diferentes”, complementa Juliana Teixeira. “Alguns ex-alunos não seguem no mercado do entretenimento, mas ainda assim apontam a participação no projeto  como um diferencial em suas vidas”.

Montagens realizadas nas 18 edições

1- Aquele que Diz, Aquele que Diz Não – Brecht (adaptação e direção Marcelo Escorel)

2- Sonho de Uma Água Santa – Shakespeare (adaptação e direção Monica Alvarenga)

3- A Galera Dança (texto e direção Joaquim Vicente)

4-  Eu Abro Mão (texto e direção Monica Alvarenga)

5- A Festa (texto e direção Monica Alvarenga)

6- O Gigante Egoísta – Oscar Wilde (Joaquim Vicente)

7- Anjo do Subúrbio – Bertolt Brecht (adaptação e direção Celina Sodré)

8- O Rei de Ramos – Dias Gomes (Cyrano Rosalem)

9- Crônicas da Cidade – Diversos Autores Brasileiros  (adaptação e direção Marcia Nunes)

10- Além da Lenda do Minotauro – (adaptação  e direção  Samir Murad)

11- Quem Matou o Leão – Maria Clara Machado (direção Beto Brown)

12- Forrobodó – Chiquinha Gonzaga (direção Maurício Cardoso)

13- A Vida é uma Comédia – Luís Fernando Veríssimo (direção Claudio Handrey)

14- A Aurora da Minha Vida – Naum Alves (direção Claudio Handrey)

15- O Gato de Botas  – Maria Clara Machado (direção Claudio Handrey)

16 – O Auto da Compadecida – Ariano Suassuna (direção de Mônica Alvarenga)

Juliana Teixeira

Atriz e produtora cultural, ela ingressou adolescente na escola O Tablado e posteriormente na CAL. Começou a atuar aos 15 anos em campanhas publicitárias, como o lançamento da Pepsi no Brasil. Viajou para Nova Iorque (1986-1989), para formação de teatro e dança. Na volta trabalhou em novelas na TV Globo, no cinema e no teatro. Em 1998, fundou a Nova Bossa Produções Culturais e começou a produzir espetáculos teatrais e filmes de curta metragem. Em 2001, implementou o primeiro projeto sociocultural o Passageiro do Futuro, existente até hoje.  (mais detalhes em http://www.novabossa.com.br)

Ficha técnica do projeto 2016:

Produção geral: Juliana Teixeira

Produção executiva: Gustavo Wanderley e Helio Velloso

Assistente Social: Amanda Targino

Preparação vocal e corporal: Adriana Seiffert

Professora de interpretação e direção do espetáculo: Mônica Alvarenga

Professora de figurino: Rosa Ebee

Professora de cenografia: Renê Salazar

Professora de caracterização: Lucas Drigues

Professor de sonorização: Chico Rota

Iluminação: Luiz Oliva

Programação visual: Patrícia Gerstner

Tribobó City

Texto: Maria Clara Machado

Direção: Mônica Alvarenga

Elenco e técnicos: Alexsandro Lima da Silva, Amanda Menezes de Sena, Camila Pacífico Nobre Lima, Carlos Gabriel de Jesus, Daniel Pereira Silva, Elen da Silva de Souza, Davi Araújo de Lima, Diego Peres dos Santos, Felipe Julião dos Santos, Heitor da Silva Almeida, Hudson Rogério Ferreira da Silva, Jennifer Barbosa da Silva, Jociene Targino Alves, José Henrique Fernandes, Juan Gonzaga de Jesus Souza, Jussara Freitas Claudino, Kamilla Witoria Santana, Leandro Willyan Santana de Freitas, Larissa dos Santos Cardoso, Lidiane Trindade, Lorena Carvalho da Costa Serafin, Maria Eduarda Moraes, Maria Heloísa Freitas Claudino, Matheus de Oliveira Constantino, Matheus Oliveira de Lima, Mycaella Fernanda Batista Peixoto, Patrick Melônio Pedro de Jesus, Stefanny Rosa Maria da Silva, Vitor Augusto Santos de Araújo Silva, Wanessa Matias de Lima

Tempo de duração: 50 minutos

Classificação etária: livre

 

Serviço:

 

Datas e locais das apresentações

 

Serviço:

 

Datas e locais das apresentações

 

Dias 2 e 3/12 (6ª e sáb.), às 16h.

Clube Social Quinta do Caju

Rua Circular da Quinta do Caju. Tel.: (21) 2589-5549

Dia 5/12 (segunda-feira.), às 15h.

Casa São Luiz

Rua General Gurjão, 533 – Caju. Tel.: (21) 2159-9999

Dia 6/12 (terça-feira.), às 15h.

Centro Cultural Waly Salomão – Afroreggae

Rua Santo Antonio, 11 – Vigário Geral. Tel.: (21) 3095-7200

Dia 7/12 (quarta-feira), às 16h.

Teatro Gonzaguinha (Centro de Artes Calouste Gulbenkian)

Rua Benedito Hipólito, 125 – Centro. Tel.: (21) 2292-7546

Dia 8/12 (quinta-feira), às 16h

Centro de Referência da Assistência Social – Cras

Rua General Sampaio, 74 – Caju. Tel.: (21) 3895-9001

Dia 13/12 (terçaa-feira), às 16h

Fundação Gol de Letra

Rua Carlos Seidl, 1.141 – Caju. Tel.: (21) 3895-9001

Dia 14/12 (quarta-feira), às 16h.

Biblioteca Parque Centro (auditório)

Av. Pres. Vargas, 1.261 – Centro. Tel.: (21) 2332-7225

Dia 15/12 (quinta-feira), às 16h.

Teatro Henriqueta Brieba – Tijuca Tênis Clube

Rua Conde de Bonfim, 451 – Tijuca. Tel.: (21) 3294-9300

Dia 16/12 (sexta-feira), às 16h.

Biblioteca Parque Manguinhos

Av. Dom Hélder Câmara, 1.184 – Benfica. Tel.: (21) 2334-8915