“Vontade de Mundo” – exposição da Coleção MAC-Sattamini

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) abre três novas exposições, no dia 19 de novembro, sábado, às 10h. São elas: “Vontade de Mundo”, obras de importantes artistas da Coleção MAC- João Sattamini, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara; “Irreflexo”, da artista Camila Paola, com curadoria de Beatriz da Matta; e “Era uma Vez…”, de Vinícius Ferraz, com curadoria de Viviane Matesco. As duas instalações foram contempladas pelo edital da Fundação de Arte de Niterói.

Sobre “Vontade de Mundo”: (local: Salão Principal)

Exposição da importante coleção MAC-João Sattamini, que conta com cerca de 30 obras (pinturas, objetos e esculturas), de importantes artistas: Abraham Palatnik, Afonso Tostes, Aluísio Carvão, Antonio Dias, Camille Kachani, Charles Watson, Cícero Dias, Cláudio Fonseca, Cristina Salgado, Daniel Senise, Décio Vieira, Deneir Martins, Dionísio Del Santo, Edmilson Nunes, Fernanda Quinderé, Hermelindo Fiaminghi, Iberê Camargo, Iole de Freitas, Ione Saldanha, João Magalhães, Joaquim Tenreiro, Jorge Duarte, Jorge Guinle, Leonilson, Leonilson, Manoel Fernandes, Marcos Cardoso, Mira Schendel, Nelson Felix, Paiva Brasil, Paulo Roberto Leal e Victor Arruda.

A coleção mostra um sentido de unidade, por meio de incontáveis mundos possíveis em cada obra de arte. O objetivo é provocar cada visitante a tecer relações entre as obras entendidas como um mundo em si aberto ao tempo de infinitas leituras e temas. Uma coleção deste ponto de vista pode ser entendida também como um conjunto de relações entre diferentes mundos e sujeitos. As obras foram reunidas não por uma ordem histórica ou de valores estéticos, mas como poemas visuais abertos ao tempo de cada um, à liberdade e incerteza de hoje. “Os títulos de cada poema são tomados de uma obra que inspira uma leitura ou invenção de mundos. A organização desta exposição procura espelhar o mundo contemporâneo pela visão de multiplicidades de temas, meios e processos de criação e expressão. Igualmente não haveria mais uma hierarquia ou narrativa dominante descrita ou ilustrada pelos trabalhos dos artistas. Os grandes nomes de artistas dessa coleção são integrados por sinergias e afinidades que expressam relações e intuições palpáveis de um sistema valores velados em cada obra”, explica Luiz Guilherme Vergara.

Sobre “IRREFLEXO”: (local: Varanda)

Camila Paola vai apresentar uma instalação composta por 40 espelhos (60 x 40 cm) e uma vídeo performance. Os espelhos são colocados na parede, como quadros, um ao lado do outro, fazendo um caminho de reflexo. A varanda tem uma linda vista para a Baía de Guanabara, um belo local para se fotografar. Brincando com esta questão, junto aos espelhos, de forma discreta, estará um adesivo de ‘proibido fotografar’. Todos esses espelhos – metade em perfeito estado e metade danificada – têm o objetivo de provocar um questionamento sobre a obsessão da própria imagem, bem como do registro desenfreado que tem acontecido mais frequentemente nos dias atuais. “Entre as simetrias, brotam questionamentos que encontram brechas nos sistemas, falhas na imagem e desapego, dialogando com o mito de Kali, Deusa Hindu da morte, do tempo e da transformação, que simboliza a morte do ego, do apego e das

ilusões que causam sofrimento. A contaminação da imagem com os resíduos do reflexo levam o “eu e o que está em volta” e o “eu em volta do que ali está” a se misturarem com quem se vê refletido”, descreve Camila.

Os espelhos direitos ficam de um lado e os danificados – parte da prata é retirada e o reflexo alterado igual – do outro, separados apenas pelo vídeo (que também possui a imagem alterada até pelas águas do mar). A instalação ‘Irreflexo’ dispõe espelhos coletores de presenças passageiras dos visitantes sobrepostos pela paisagem da baía de Guanabara ao fundo

Sobre “ERA UMA VEZ…”: (local: Varanda e pátio)

Nessa intervenção, o artista Vinícius Ferraz apresenta impressões e marcas vermelhas obtidas a partir de ursos de pelúcia. As marcas dos ursos invocam o método dos legistas que demarcam o corpo na cena do crime, mas também remetem à brincadeira de criança que contorna a mão. O trabalho se impõe com uma visualidade atrativa e contundente, brinca com a passagem do tempo, com o doloroso contato com a matéria. “Fazer uma impressão é marcar os traços de uma figura sobre uma superfície, requer gestualidade, implica, portanto uma dimensão táctil e visual em torno do corpo. Seja pela impressão ou pelo contorno, o que desaparece não fica invisível, torna-se memória que perpetua a ausência”, afirma Ferraz. Complementando a mostra, será exibido, na varanda, um vídeo com uma performance em que o artista carrega o urso do Rio até o MAC.

Segundo Guilherme Vergara, “a mostra ‘Era uma Vez’ dramas e marcas que espalham indícios de ausência e desaparecimentos da infância de uma sociedade partida, convocando a todos para a consciência de pertencimento e co-responsabilidade sobre este chão – paisagem contundente que entra e sai do pátio à varanda do MAC”.

“Enquanto o pátio e a varanda do MAC acolhem as intervenções gráficas do Ferraz expressando os resíduos nos chãos e paredes das violências silenciadas sobre as infâncias partidas nas sombras de nossas grandes cidades; ‘Era uma Vez…’ conjuga gestos e marcas vermelhas com a ambigüidade da presença dos ursinhos que acompanham os imaginários afetivos das crianças. Ao mesmo tempo, Camila Paola propõe um percurso crítico e literalmente reflexivo da condição humana hoje espelhada para cada um pelas superfícies embaçadas de ilusões e solidões de si mesmo. Estas duas instalações o MAC Niterói estarão e ressonância com a curadoria da Coleção MAC-João Sattmini – ‘Vontade de Mundo’ – assumindo, assim, seu compromisso público como laboratório e escola aberta de arte para o mundo”, ressalta Vergara.

Sobre os ARTISTAS das intervenções da varanda:

Camila Paola (Macaé, Rio de Janeiro)

Graduanda no curso de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), participou da intervenção intitulada “Em Cada Olhar” (2012) realizada na orla do Campus Gragoatá – UFF, das exposições de acolhimento estudantil “Na Pressão” (2012), “Emergência no Transitório” (2013), “Porosamente” (2013). Também expôs no “Peixe Vivo” (2013) com as obras “Corta e cola”, “Por acaso” e “Me lembra memória”. Participou do evento “Tomada Cultural” realizado

no Campo de São Bento, Niterói, com a instalação “Mão Infestação” (2013). Participou da reinauguração do Centro de Artes UFF, com a exposição coletiva “Corpo Fechado”, no Espaço de Fotografia (2014). Participou da feira do livro, do CSSR, expondo zines (2016). Participou da reabertura do pátio do MAC-Niterói, com a performance “Papel de Artista”(2016). Desde 2015, desenvolve seus projetos na residência “Casas do Mato” e segue desde 2007, na atividade, como tatuadora.

Vinícius da Conceição Ferraz (Niterói, Rio de Janeiro)

Graduando do curso de Artes UFF, já participou de várias exposições. Em 2012, integrou a intervenção na paisagem intitulada “Em Cada Olhar” realizada na UFF. Também na UFF, em 2013, participou de “A Emergência no Transitório” e “Porosamente”. Em 2012 e 2014, participou das exposições do projeto “Peixe Vivo” e realizou a instalação no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, integrando o projeto IMBITUIM, em 2014, com obra intitulada “A linha do Artista – I”. Em 2015, participou da 9ª bienal da UNE com os trabalhos “Segredo de Maria” e “Pomba Gira”, expôs também no Espaço Aberto UFF, em março, com a instalação “A linha do Artista – II” e no projeto Novas Poéticas com a obra “Arca de Noé – 1ª Geração”. Em janeiro de 2016, abriu mostra no Centro Cultural Pascoal Calos Magno com a instalação “Imaculado”. Em junho do mesmo ano, abriu a coletiva Intervenções entre XIX e XV com a obra “Genocídio”, no Museu Nacional de Belas Artes do RJ em exposição coletiva.

Serviço:

Exposições:

Abertura dia 19 de novembro de 2016

“Vontade de Mundo”, da Coleção MAC-João Sattamini, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara – em cartaz até 2 de abril de 2017

“Irreflexo”, da artista Camila Paola, com curadoria de Beatriz da Matta – em cartaz até 15 de janeiro de 2017

“Era uma Vez…”, do artista Vinícius Ferraz, com curadoria de Viviane Matesco – em cartaz até 15 de janeiro de 2017

Visitação: de terça a domingo, das 10h às 19h (durante o horário de verão). A bilheteria fecha 15 minutos antes do término do horário de visitação.

Ingresso: R$ 10

Estudantes, professores e pessoas acima de 60 anos pagam meia.

Entrada gratuita para estudantes da rede pública (ensino médio), crianças de até 7 anos, portadores de necessidades especiais e moradores ou nascidos em Niterói (com apresentação do comprovante de residência).

Entrada gratuita também às quartas-feiras.

Local: MAC Niterói

Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem – Niterói-RJ

Informações: (21) 2620-2481 http://www.macniteroi.com.br