Mesa de debates ‘Ocupa’, com a estudante Ana Júlia Ribeiro

O Ciclo Ato Criador realiza nesta quinta-feira, dia 17 de novembro, na Uerj, a mesa Ocupa, uma roda de conversa com representantes e observadores de diversos ‘movimentos que estão agitando o panorama político do país com suas reivindicações sociais, fruto das retiradas de direitos sociais promovido pelo poder público. Entre os nomes convidados, estão a estudante Ana Júlia Ribeiro, do Paraná, ativista na luta por uma educação pública de qualidade – e conhecida nacionalmente depois do aplaudido discurso feito na Assembleia Legislativa do Paraná – a professora Liana Cirne, de Pernambuco e o psicólogo Denis Saffer, do Rio (leia programação completa da mesa abaixo).

O evento faz parte do Ciclo Ato Criador – Outros Possíveis, que segue até o fim do ano, com mesas-redondas, palestras, debates e oficinas que reúnem artistas e teóricos de áreas diversas na busca por lançar uma luz sobre a estética da existência e de novos modos de criação de mundos, criação de possíveis. Ainda em novembro, estão programadas as mesas Ocupas, no dia 17, De pés descalços, nos dias 21 e 22, e Novas Mídias, dia 29. As novas estratégias do movimento social no Brasil, a ressignificação da Educação oral e as outras vozes na Comunicação, serão debatidas por representantes de coletivos e livres associações nesses encontros. (Veja programação completa abaixo).

Esta é a 6ª edição do evento, realizado desde 2006 no Oi Futuro, com patrocínio da Oi, da Petrobras, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, sob a curadoria e supervisão da atriz, jornalista e gestora cultural Ana Lúcia Pardo. Neste ano, a série também recebe o apoio do Consulado da França no Rio de Janeiro. Todas as atividades são gratuitas.

Sobre o Ciclo Ato Criador

Há uma década, a atriz e produtora Ana Lúcia Pardo reúne grandes personalidades da cultura, da economia, da política, da comunicação, do meio ambiente e de outros saberes na busca por uma reflexão interdisciplinar do mundo em que vivemos. Criada em 2006 com o título de “A Teatralidade do humano”, essa série completa 10 anos com o Ciclo Ato Criador – Outros Possíveis, que tem o objetivo principal de instigar o pensamento e mostrar a capacidade humana de se reinventar. Este ano, a ideia é focar ainda mais nessa necessidade de transformação, com mesas-redondas, palestras, oficinas e debates guiados pelo tema ‘Outros Possíveis’. O objetivo é apontar a emergência de novas ideias, concepções e alternativas que exigirá um processo de transformação do mundo.

“Acredito que a questão central que nos atravessa atualmente é que vivemos em um mundo em convulsão, diante do esgotamento de um modelo de desenvolvimento que está aniquilando o planeta e todos os seres vivos”, analisa Ana Lúcia Pardo. “Como se o mundo criado por nós mesmos, os humanos, se deparasse na nossa frente a nos indagar: ‘É isso mesmo que vocês queriam para vocês?’ Como se todas as estruturas criadas estivessem ruindo ao mesmo tempo, deixando à mostra todas as suas fragilidades e imperfeições, um esgotamento do possível.”

Para a gestora cultural, diante desse quadro problemático, somos obrigados a rever nosso sistema de vivência no planeta, de relações interpessoais, de questões ambientais, culturais, artísticas, políticas, econômicas… “É justamente do impossível que precisamos criar os possíveis. Em minha opinião, essa revisão geral vai implicar em uma mudança radical de comportamento individual e coletivo. E quem são os atores e autores desse processo senão nós mesmos?”, questiona.

O Ciclo Ato Criador teve sua primeira edição em 2006/2007 com o painel “A Teatralidade do Humano”. A segunda edição foi realizada em 2010, com o Ciclo “A Teatralidade do Humano II – Subjetividades e Políticas da Cena e do Mundo”. A terceira edição, que ganhou o nome de “Ciclo Inter-Agir – na rua, na rede, na cena contemporânea”, foi realizada em 2012. No ano seguinte, em 2013, a quarta edição apresentou o Ciclo “Espaços de Reencantamento, Afetos e Utopias de Um Novo Mundo”. A quinta edição se desenrolou durante o ano de 2015, e recebeu o título de Ciclo “Ato Criador”, com a realização, de 21 atividades de abril a novembro, sendo 19 encontros em forma de palestras e debates além de apresentações e intervenções artísticas de coletivos e grupos. Participaram convidados nacionais e internacionais de diversos países.

Toda a programação é gratuita, com retirada de senhas uma hora antes do evento.

Dia 17/11 – Quinta-feira, 18h. Auditório 111 da Uerj –  Campus Maracanã

Mesa Ocupa

Roda de Conversa com representantes e observadores de diversos ‘Ocupas’, movimentos que estão agitando o panorama político do país com suas reivindicações sociais, fruto das retiradas de direitos sociais promovido pelo poder público.

Ana Júlia Ribeiro (Ocupa Paraná)

Estudante do Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães (Cesmag), Curitiba – PR,  2º ano do ensino médio. Ativista na luta por uma educação publica de qualidade e Direitos Humanos. Como porta voz dos secundaristas, discursou na Assembleia Legislativa do Paraná, na Comissão dos Direitos Humanos do Senado Federal, além de levar as pautas dos estudantes ao conhecimento da Confederação Nacional Dos Bispos Do Brasil (CNBB) e do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef).

Nazaré Brasil (Ocupa São João – SP)

Nazaré Brasil, moradora da Ocupação São João, há seis anos no Centro de São Paulo, transformou seu ateliê na ocupação em residência artística como contrapartida Social e Cultural. Atualmente, coordena o projeto Café Imaginário da Secretaria Municipal de Cultura (Programa VAI). A Ocupação integra o Movimento da Frente de Luta por Moradia (FLM), que desde 2013 ocupa imóveis fechados, sem o devido uso social, por conta da especulação imobiliária ou morosidade do Judiciário.

Ana Lúcia Pardo (Ocupa MinC – RJ )

A jornalista, produtora cultural e gestora pública Ana Lúcia Pardo, participante do Ocupa MinC – movimento iniciado por artistas e fazedores cariocas da cultura que resultou na ocupação de prédios públicos do Ministério da Cultura (MinC) em todas as capitais do país, em resposta ao Golpe 2016 – contará como foi o processo de ocupação e seus desdobramentos.

Liana Cirne Lins (Advogada do Ocupe Estelita – PE)

A professora da Faculdade de Direito do Recife (PE) e do Mestrado em Direitos Humanos da UFPE, Liana Cirne Lins, é ativista e foi advogada de diversos movimentos sociais e, em especial, do Movimento Ocupe Estelita – iniciado, em 2014, para tentar conter a construção de um megaempreendimento de 13 torres na beira do mar do Recife, que é alvo da justiça e dos ativistas por tentar demolir antigos armazéns.

Gabriel Richards (Ocupa Amaro – RJ)

 

O estudante Gabriel Richards foi ocupante do C.E. Amaro Cavalcanti, localizado no Largo do Machado, RJ. Militante do movimento, foi presidente do conselho escolar no seguimento de alunos e do grêmio estudantil do Ensino Fundamental na rede municipal de ensino ao Ensino Médio na Rede estadual. É ex-parlamentar juvenil pela Alerj (projeto da Secretaria Estadual de Educação do RJ). A experiência de uma semana o fez entender sobre democracia e política, e o levou a participar das greves, debates e a ocupar o seu colégio, reivindicando uma educação verdadeiramente pública, gratuita, laica, emancipatória e de alta qualidade.

 

Denis Saffer (Ocupa SUS – RJ)

Denis Saffer, psicólogo e trabalhador da rede pública de saúde, é representante do Ocupa SUS RJ, Movimento que ocupou o prédio do Ministério da Saúde, no Centro do Rio, em reação à ofensiva observada por trabalhadores e usuários do SUS contra a saúde pública, através de processos de privatização, crescente precarização das condições de trabalho e serviços ofertados.

Marcella Francelina Vieira Camargo (Mediadora)

Marcella é produtora cultural, antropóloga e militante da Diversidade Cultural. Pesquisadora orgânica de movimentos sociais e políticos, trabalha com temas ligados ao feminismo, juventude e cultura. Fez parte da Ocupação da sede do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro, conhecido como Ocupa MinC RJ – verdadeiro laboratório de experimentações coletivas democráticas.

Natália Trindade (Ocupa Uerj)

Diretora de políticas institucionais do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Uerj. O movimento Ocupa UERJ pleiteia recomposição do orçamento da Uerj, regularização dos pagamentos de bolsas, salários e de todas as garantias trabalhistas e posiciona-se contra o reajuste zero e os recentes golpes sofridos pela Educação no Estado.

 

Serviço:

Mesa Ocupa: 17/11 – quinta-feira, 18h. Auditório 111 da Uerj – R. São Francisco Xavier, 524 11° andar, bloco F – Maracanã. Telefone: (21) 2334-0639.