“Jenůfa” estreia no Municipal

Considerada uma das óperas mais emblemáticas do século XX, Jenůfa terá sua primeira temporada no Brasil apresentada na versão original – estreada na cidade thceca de Brno em 1908 – numa coprodução da Companhia Ópera Livre e do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), nos dias 18 e 24 de novembro, às 20h, e nos dias 20 e 26 de novembro, às 17h. Mais conhecida ópera do compositor tcheco Leoš Janáček, Jenůfa tem libreto do próprio autor, escrito com base na peça Její Pastorkyňa – Sua Enteada, de Gabriela Preissová. Apresentada pela SICPA Brasil Tintas e Sistemas de Segurança, esta ópera será executada pelo Coro e Orquestra Sinfônica do TM e terá como solistas convidados para os papéis centrais as sopranos Gabriella Pace (Jenůfa), Eliane Coelho (Kostelnička Buryjovka) e Flávia Fernandes (Karolka), os tenores Eric Herrero (Laca Klemeň) e Ivan Jorgensen (Števa Buryja), o barítono Vinicius Atique (que se desdobrará nos papéis de Stárek e de Prefeito) e a mezzo-soprano Carolina Faria (Starenka Buryjovka, a matriarca). Com enredo que trata de temas fortes como o infanticídio, esta montagem terá Cenografia de Daniela Taiana, Figurino de Sofia di Nunzio, Coreografia de João Wlamir, Iluminação de Fábio Retti, Direção Cênica e Concepção de André Heller-Lopes e Direção Musical e Regência de Rodolfo Fischer.

Jenůfa é o nono título operístico da Temporada 2016, que com dez obras, alcança o maior número de espetáculos do gênero nos últimos 25 anos no TMRJ. Em 2016 já foram encenadas Dom Quixote, de Massenet; Orfeu e Eurídice, de Gluck; Mozart e Salieri, de Korsakov e Lo Schiavo, de Carlos Gomes. A ópera La Bohème, de Puccini, foi apresentada em forma de concerto. Na série Ópera de Câmara em Concerto, foram levadas ao palco as óperas Serse, de Händel; Savitri, de Holst; Dido e Enéas, de Purcell; e em dezembro, a inédita O boi e o Burro no Caminho de Belém, de Tim Rescala, encerrará a temporada.

“É auspiciosa a presença de Jenůfa, de Leoš Janáček, na temporada de 2016. Mais auspiciosa se torna por ser a primeira vez que ouviremos no Brasil a versão original, composta na cidade de Brno em 1908. A extraordinária oportunidade proporcionada ao público carioca só foi possível graças ao investimento nas parcerias e coproduções, que norteiam a organização de nossa programação. Desta vez o parceiro do Theatro Municipal é a Companhia Ópera Livre, que apostou na organização colegiada como forma de produzir novos espetáculos”, afirma o Diretor Artístico do Theatro Municipal, André Cardoso.

Esta obra de Leoš Janáček marca a estreia no Brasil da Companhia Ópera Livre, uma iniciativa de artistas que decidiram juntar-se para criar nova companhia lírica. O objetivo deste coletivo é planejar e produzir óperas de uma nova forma, como parceiros independentes dos grandes teatros. Propõe-se a encenar títulos que sejam ousados e artisticamente instigantes, pensados para as vozes da companhia, oferecendo a possibilidade de levar à cena pela primeira vez obras importantes e consagradas que ainda permanecem inéditas no Brasil. A companhia surgiu fruto da parceria que nasceu com o premiado projeto da ópera Sonho de uma Noite de Verão, encenada ao ar livre nos jardins do Parque Lage do Rio de Janeiro, em 2013, e que foi finalista do Opera Awards em Londres (o Oscar da ópera). A Companhia Ópera Livre reúne em uma cooperativa de ideias artistas de todo o Brasil, convidados especiais e também artistas da América Latina. Estão ligados ao projeto cantores líricos como Gabriella Pace, Eric Herrero, Leonardo Neiva, Denise de Freitas, Luísa Francesconi, Carolina Faria, Vinicius Atique, Murilo Neves e Flavio Leite; o diretor André Heller-Lopes e o iluminador Fábio Retti.

“Com tanta paixão envolvida, só poderíamos escolher uma ópera como Jenůfa de Leoš Janáček, incrivelmente, inédita no Rio. No entanto, são poucas as óperas do século XX que gozam da mesma fama e possuem a mesma beleza melódica e intensidade dramática de Jenůfa, obra-prima do maior compositor tcheco. Foi por isso que me apaixonei por ela”, comenta o responsável pela concepção e direção cênica, André Heller-Lopes.

Sobre a ópera Jenůfa

Esta ópera em três atos de Leoš Janáček foi escrita entre 1896 e 1908 com libreto do próprio compositor, baseado na peça Její Pastorkyňa – Sua Enteada, de Gabriela Preissová. Houve uma apresentação prévia no Brno Theater, na cidade tcheca de mesmo nome, em 21 de janeiro de 1904. No entanto, Janáček fez uma revisão na partitura, acrescentou novos trechos e a versão definitiva foi concluída em 1908, quando Jenůfa estreou em Brno.

Sinopse

O enredo se desenvolve em um complexo conjunto de relações da aldeia. Na trama, os dois filhos da avó Buryja se casaram duas vezes, tiveram filhos e morreram. O mais velho se casara com uma viúva que já tinha um filho do primeiro casamento, Laca Klemeň e que lhe dera um outro, Števa, o neto preferido da avó e herdeiro do moinho. O mais moço teve uma filha do primeiro casamento, Jenůfa, e que, depois da morte da mulher, casou-se com Kostelnicka com a qual não teve filhos.

Ato 1 – Estamos no moinho dos Buryas onde Jenůfa aguarda, impacientemente, o retorno de Števa, que ela espera não tenha sido convocado pelo exército. A avó Burya a reprime por sonhar em vez de descascar as batatas, mas laca, que está apaixonado por ela, a defende. Ele sabe que a avó prefere o belo Števa e não ignora que seu meio-irmão tem um caso com Jenůfa. Passa o pequeno Jano, a quem Jenůfa ensinou a ler, feliz por ter conseguido decifrar uma pagina, ao qual ela promete dar-lhe um livro. O contramestre do moinho afia uma faca de Laca enquanto lhe tira as esperanças amorosas: Števa escapou da convocação. Chega Kostelnicka, madrasta de Jenůfa. Esta teme que a madrasta condene sua ligação com Števa. Os recrutas passam cantando, guiados por Števa, completamente bêbado, acolhido com carinho por Jenůfa. Števa pede aos músicos tocar para ela uma canção, em celebração às bodas deles.  Kostelnicka interrompe a festa e adverte Jenůfa de prevenir-se contra um marido mulherengo e bêbado. Para grande alegria de Laca, ela impõe a Števa uma condição: não terá Jenůfa a menos que permaneça sóbrio durante um ano. Ficando a sós com Števa, Jenůfa lhe suplica de mudar de vida e casar-se com ela, ainda mais que ela espera um filho dele, mas o jovem está tão bêbado, que não escuta suas ameaças de suicídio. A avó o leva para dentro de casa o que dá a oportunidade a Laca de tentar novamente sua sorte com Jenůfa. Tenta um abraço mas, recusado, acaba por feri-la, com sua faca, na face. A criada Barena diz que foi um acidente, mas Jenůfa está desfigurada.

Ato 2 – Cinco meses mais tarde. Kostenicka escondeu Jenůfa em sua casa, para que pudesse dar à luz em segredo, dizendo a todos que ela tinha ido a Viena. Ela a reprime por mimar o pequeno em vez de rezar a Deus para que o leve. Dá-lhe um sonífero, a leva para cama, pois espera Števa. Este não ignora o nascimento de seu filho e se apressa em oferecer dinheiro para que ninguém saiba de sua paternidade. Kostelnicka se põe de joelhos suplicando-o, mas ele se recusa casar com Jenůfa: não quer uma mulher desfigurada, ainda mais que agora está noivo de Karolka, a filha do prefeito. Depois de sua saída chega Laca, última esperança de Kostelnicka, mas tomando conhecimento da existência de um filho de Števa, hesita. A fim de convencê-lo a casar-se com Jenůfa conta-lhe que a criança morreu. Depois, com uma desculpa, o despede. Só lhe resta, agora, fazer de sua mentira um fato: enrola o bebê num cobertor e sai com ele porta afora. Jenůfa desperta. Não encontrando nem a criança, nem sua madrasta, se ajoelha e reza. Esta regressa com as mãos vazias e, numa extrema agitação, conta que o menino  morrera enquanto ela delirava de febre durante dois dias e que Števa, agora, era noivo de Karolka. Laca aparece de novo, pronto a se casar com Jenůfa, que não tem mais forças para resistir. A alegria de Kostelnicka se mistura com o horror do crime abominável que acabara de cometer.

Ato 3 – Dois meses mais tarde. Prepara-se o casamento de Jenůfa com Laca; até Števa e Karolka foram convidados. A alegria de Kostelnicka está cada vez mais turvada pelos remorsos. Jenůfa e Laca lembram o seu passado e juntos recebem Števa e Karolka que se casarão dentro de duas semanas. As jovens da aldeia saúdam a noiva. O casal recebe a benção da avó Burya e, quando vão recebê-la de Kostelnicka, gritos interrompem a cerimônia: encontraram uma criança afogada no lago, debaixo do gelo. Jenůfa, que logo reconhece seu bebê, é acusada de infanticídio. Não tendo mais escolha, Koselnicka confessa o seu crime. Conhecendo a verdade Karolka abandona Števa. Jenůfa pede ao prefeito para perdoar sua madrasta, mas a justiça deve seguir o seu curso. Levam Kostelnicka que é acompanhada pelo perdão de Jenůfa. Com Laca, que lhe reitera sua fidelidade, a seu lado, ela está, agora, pronta a afrontar todas as provas da vida.

Sobre os solistas dos papéis centrais

Gabriella Pace – Soprano, Jenůfa

Vencedora do Prêmio Carlos Gomes 2010 pela ópera A Menina das Nuvens, de Villa-Lobos, cantou com maestros renomados, entre os quais L. Maazel, P. G. Morandi, I. Karabtchevsk, R. Minczuk, R. Fischer, L. F. Malheiro e F. Mechetti. Gabriella já foi Fiordiligi, Tytania, Ilia, Eurídice, Susanna, Ceci e Adina, entre muitas outras. Este ano debutou no Teatro Real da Dinamarca como Nannetta, em Falstaff, de Verdi. No repertório sinfônico, destacam-se a Quarta Sinfonia de Mahler, Carmina Burana de Orff, Requiem de Mozart e Stabat Mater de Rossini. Na Dinamarca,  foi solista, em Aalborg, na Nona Sinfonia de Beethoven e participou do II Festival de Câmara de Kerteminde interpretando Poulenc, Ginastera e Schoenberg. No Festival de Ekestad, Suécia, ao lado do pianista Bengt Forsberg, cantou Schubert, Schumann e Villa-Lobos. Gravou o Cd “Ciclo Portinari e Outras Telas Sonoras” de J. G. Ripper. Iniciou os estudos com o pai, Héctor Pace, e foi aluna de Leilah Farah e Pier Miranda Ferraro. Atualmente está sob a orientação de Sylvia Sass, em Roma, e de Eliane Coelho, no Rio de Janeiro.

Eliane CoelhoSoprano, Kostelnička Buryjovka

Carioca, diplomou-se na Alemanha, onde começou sua brilhante carreira. Em 1991 foi contratada para a Ópera de Viena, na qual em 1998 recebeu o título de Kammersängerin. Protagonizou numerosos papéis dos quais se destacam Maria Stuarda, Arabella, Fedora,Tosca, Butterfly, Electra (Idomeneo), Lady Macbeth, Aida, Desdemona, Elena (I Vespri Siciliani), Abigaille (Nabucco), Helene (Jerusalem), Elisabeth (Don Carlo), Elvira (Ernani), Leonora (O Trovador). Seu papel-título mais marcante, e internacionalmente elogiado, é a Salome, de R.Strauss. Cantou sob a regência de Sir Colin Davis, Peter Schneider, Donald Runickels e Zubin Mehta, entre outros. Apresentou-se em teatros como Scala, Bastille, San Carlo, Nationaltheater München, Semperoper Dresden, em várias cidades como Berlim, São Petersburgo, Tóquio e ao lado de artistas como Bruson, Terfel, Nucci, Domingo, Carreras, Pavarotti, Furlanetto, Samuel Ramey. Nos últimos anos acrescentou com êxito ao seu vasto repertório Gioconda, Lucrezia (I due Foscari), Lady Macbeth de Mtsensk , Isolda e Brunnhilde (A Valquíria e O Crepúsculo dos Deuses).

 

Eric Herrero – Tenor, Laca Klemeň

Vencedor do VII Concurso Brasileiro Maria Callas, já interpretou papéis como Roberto em Le Villi, de Puccini, no Theatro Municipal de São Paulo; Andrea Chénier, de Giordano, com a Filarmônica de Minas Gerais; Lysander em A Midsummer Night’s Dream, de Britten, junto à Orquestra Sinfônica Brasileira Ópera & Repertório; e Cavaradossi na Tosca, de Puccini, no Theatro da Paz (Belém/ PA).  Participou da estreia europeia de Pedro Malazarte, do compositor brasileiro Camargo Guarnieri, no Feldkirch Festival, na Áustria, e atua com frequência junto à Luxembourg Philharmonia. Destacam-se também suas participações como Laca em Jenůfa, de Janáček, Maurizio em Adriana Lecouvreur, de Cilea, e como Príncipe na estreia argentina da Rusalka, de Dvořák, na Buenos Aires Lírica, bem como sua interpretação de Bacchus em Ariadne auf Naxos, de Strauss, no Teatro Solís de Montevidéu/Uruguai. Neste ano, foi Maurizio em Adriana Lecouvreur, no Theatro São Pedro (São Paulo/SP), e Renato Des Grieux em Manon Lescaut, de Puccini, em Buenos Aires.

 

Ivan Jorgensen – Tenor, Števa Buryja

Tenor carioca integra o Coro do Theatro Municipal do RJ. Aperfeiçoa-se em técnica vocal com Paulo Louzada. Na UFRJ, participou de La cambiale di matrimonio, Don Giovanni e O pagador de promessas. Com a Orquestra Petrobras Sinfônica, cantou em L’amour des trois oranges e, com a OSB Ópera & Repertório, em Il Re Pastore, Ariadne auf  Naxos, Il Pirata, O Rapto do Serralho e The Rake’s Progress.  Protagonizou Faust, Attila e La Bohème, em montagens da Cia. Lírica/RJ, e Il Trovatore, Norma e Maria Tudor, em coprodução da FINEP/Rádio MEC. No Theatro Municipal, merecem destaque suas atuações como solista na Petite Messe Solenelle, Rigoletto, Madama Butterfly, Concerto de Comemoração aos 80 anos do Coro do TMRJ, Homenagem a Carlos Gomes e, ainda, em Billy Budd – onde foi aclamado pela crítica especializada pelo seu desempenho como Novice – e em Salomé, no papel de Narraboth. Já atuou sob a regência de renomados maestros como Isaac Karabchtevsky, Henrique Morelenbaum, Silvio Viegas, Eugene Kohn e Tiziano Severini, entre outros.

 

Vinicius Atique – Barítono, Stárek e Prefeito

 

Tem se apresentado como solista em todos os teatros do país sob a regência dos principais maestros brasileiros em obras como Lenfant et les sortilèges de Ravel, no Theatro Municipal de São Paulo; I Puritani de Bellini, no Teatro Amazonas; La Bohème de Puccini, Carmen de Bizet e O Morcego de J. Strauss Filho, no Theatro Pedro II; Rigoletto de Verdi no Palácio das Artes em Belo Horizonte; Madama Butterfly de Puccini, Werther de Massenet e O Barbeiro de Sevilha de Rossini, no Theatro São Pedro/SP. Em 2016, debutou como Silvio em I Pagliacci e Don Giovanni na ópera homônima em Ribeirão Preto. No repertório sinfônico cantou Des Knaben Wunderhorn de Mahler e Carmina Burana de Orff com a Amazonas Filarmônica; A Criação de Haydn, sob a regência de Isaac Karabtchevsky, na Sala São Paulo; e Kindertotenlieder de Mahler, com a OSU, dentre muitas outras. Atualmente se aperfeiçoa com a mezzo-soprano Dolora Zajick nos EUA. Estudou com os barítonos Mark Pedrotti no Canadá e Carmo Barbosa no Brasil.

Carolina Faria – Mezzo-soprano, Starenka Buryjovka

Reconhecida por seu timbre quente e escuro, expressividade e grande domínio cênico, Carolina Faria tem agradado a público e crítica e construído uma carreira de serviço à arte e à educação brasileiras nos últimos doze anos. Atuando ao lado de alguns dos nossos maiores músicos, regentes e diretores cênicos nas melhores salas e casas de ópera brasileiras, possui vasto repertório em ópera, oratório, canção sinfônica, música de câmera e vanguarda, com especial ênfase à Música Brasileira Colonial e participação em gravações históricas. Têm destaque suas interpretações como Herodias em Salomé, de Strauss; Baba the Turk em The Rake’s Progress, de Stravinsky; Hermia em A Midsummer Night’s Dream, de Britten; Gymnasiast em Lulu, de Berg; Corrado em Griselda, de Vivaldi; e Grimgerde em A Valquíria, de Wagner, entre outras. Carolina é professora de canto, idealizadora da Academia de Vozes Graves e editora do blog Boa Chance. Bacharel em Canto pela UFRJ, prossegue em seu aperfeiçoamento sob a orientação do tenor Eduardo Álvares.

Flavia Fernandes Soprano, Karolka

 

Natural do Rio de Janeiro, iniciou seus estudos musicais ao piano aos seis anos de idade. Mais tarde, graduou-se em canto lírico pela Escola de Música da UFRJ. Reconhecida pela beleza e refinamento de seu timbre, o soprano passou pelas principais salas de concerto do Brasil, interpretando os papéis de Micaela (Carmen, Bizet), Liù (Turandot, Puccini), Polly Peachum (The Threepenny Opera, Weill), Marzelinne (Fidelio, Beethoven), Nannetta (Falstaff, Verdi), Ghita (O Anão, Zemlinsky), The wife (The man who mistook his wife for a hat, Nyman), Rosalia (Jupyra, Braga) e Helena (A Midsummer night’s dream, Britten), entre outros. No repertório sinfônico, executou obras como Floresta do Amazonas (Villa-Lobos), Nona Sinfonia (Beethoven), Petite Messe Solenelle (Rossini), Sinfonia n.2 e n.4 (Mahler), Requiem (Mozart), Te Deum (Bruckner) e Ein Deutsches Requiem (Brahms). Flavia participou como solista da gravação em CD da Missa de Santo Inácio (Zipoli) e da obra Três Salmos (Pe. J. Maurício), ao lado da Orquestra Unisinos, sob a regência do maestro Roberto Duarte.

Sobre os criadores

 

Figurino – Sofia Di Nunzio

 

Fez seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes Pirilidiano Pueyrredón. Trabalha em importantes teatros da América do Sul: Colón e Avenida, em Buenos Aires; Argentino de La Plata; Municipal de Santiago do Chile; Solís de Montevidéu (Uruguai); Municipal do Rio de Janeiro; Fundação Clóvis Salgado de Belo Horizonte. Colaborou com diretores como Pablo Maritano, André Heller-Lopes, Fabian Von Matt, Marcelo Perusso, Oscar Barney Finn e Alejandro Bonatto. Assinou figurinos para Otello, Italiana em Argel, Rigoletto, Cidade Ausente, Don Pasquale, Anna Bolena, Jenůfa, Cosí fan Tutte, O Rapto do Serralho, Xerxes, O Mundo da Lua, O retorno de Ulisses à pátria, La Traviata, O Navio Fantasma, Macbeth e I Pagliacci. No teatro, atua ao lado de diretores ilustres, entre eles, Jamie Lloyd, Javier Daulte, Claudio Tolchair, Oscar Marinez, Luciano Cáceres, Gonzalo Demaria, Alicia Zanca, Gonzalo Córdova, Daniel Suarez Marzal, Gustavo Santaolalla e Ana Maria Bovo. Criou os figurinos para a montagem de Don Pasquale, no Theatro Municipal do Rio, em 2015.

 

Cenário Daniela Taiana

 

Formada em Arquitetura, realizou cursos de aperfeiçoamento em Cenografia e Figurinos na Academia de Belas Artes de Veneza. Trabalhou em relevantes teatros de prosa de Buenos Aires como o Municipal San Martín, o Nacional Cervantes e o Alvear. Para o Teatro Colón criou, em 2005, os cenários para O Rei Kaudales; em 2006, os figurinos para La Bohème e Boris Goodunov; e em 2007, cenários e figurinos para Elektra, que, depois, foi encenada nas Ilhas Canárias, em 2009. Para a Buenos Aires Lírica assinou, entre 2007 e 2015, a cenografia de Il Tabarro, Gianni Schicchi e Don Pasquale; os figurinos de La Belle Hélène; e cenografia e figurinos de Fidelio, The Consul, Falstaff e Macbeth. Foi distinguida como figurinista nas seguintes premiações: Municipal Gregorio Laferrere, Florencio Sánchez, ACE, Trindad Guevara, Teatro Del Mundo, Maria Guerrero e Prêmio Konex 2011, como a melhor figurinista da década. Na montagem de Don Pasquale de 2015 no Theatro Municipal do Rio, a cenografia leva a sua assinatura.

Diretor Cênico e autor da Concepção – André Heller-Lopes

 

Destacado pela revista Época como um dos “100 Brasileiros mais influentes de 2012”, é dono de uma trajetória ímpar. Professor da Escola de Música da UFRJ, especializou-se em ópera junto a teatros como a Royal Opera House Covent Garden de Londres, a Ópera de São Francisco e o Metropolitan Opera de NY. Ganhador por três vezes consecutivas do prêmio Carlos Gomes de melhor diretor cênico, concluiu em 2012 seu PhD pelo Kings College de Londres. Como Coordenador de Ópera da Prefeitura do Rio desenvolveu o projeto “’Ópera no Bolso” voltado para a formação de jovens artistas, levando mais de 30mil crianças da Rede Municipal de Ensino para espetáculos de ópera. Foi também Coordenador de Elencos para a OSB na temporada 2013. Em Portugal, ajudou a criar o Programa de Jovens Intérpretes do Theatro Nacional de São Carlos (Lisboa), coordenando-o durante duas temporadas. Natural do Rio de Janeiro, é “um dos mais aclamados diretores de ópera do país” (Revista Concerto) e um “nome forte da ópera no Brasil” (Folha de S.Paulo), tendo dirigido no Brasil, Portugal, EUA, Áustria, Inglaterra, Malásia, Alemanha, França, Argentina e Uruguai, sempre com elogios de crítica e público. Seu Tristão e Isolda em Manaus, elogiado pela revista alemã Opernwelt, foi definido como um padrão de qualidade operística inédita em nosso país” (O Estado de S.Paulo).

Reconhecido por saber ‘contar as histórias’, seus espetáculos flertam tanto com o moderno quanto com o clássico e procuram sempre estabelecer uma maior comunicação e acesso do público à obra. Em 2013, a revista internacional Opera, do Reino Unido, dedicou um perfil de nove páginas ao seu trabalho. Em sua trajetória destacam-se Die Walküre e Götterdämmerung (o elogiado “Anel Brasileiro’ iniciado no Municipal de SP), Salomé, Nabucco, O Diário do Desaparecido, Savitri ou Anjo Negro no RJ; Hansel e Gretel, Trouble in Tathiti em Lisboa; La Fille du Régiment, Falstaff, Samson et Dalila, Der Rosenkavalier, Adriana Lecouvreur e Andrea Chénie em SP; Tosca e Eugene Oneguin em Salzburgo; Jenůfa e Don Pasquale em Buenos Aires; Tristan und Isolde e Médee em Manaus; Macbeth e Ariadne auf Naxos em Montevidéu; Rigoletto e Lucia di Lammermoor em BH. Recebeu o Prêmio Internacional Britten 100 Awards pela produção de A Midsummers Night Dream — espetáculo indicado para o Opera Awards de 2014. Em 2016 encenou Adriana Lecouvreur em SP e Manaus, Medée no Teatro Amazonas, Nabucco no São Carlos de Lisboa, Don Pasquale em Montevidéu e Manon Lescaut em Buenos Aires. Dentre seus projetos futuros estão Yerma, La Donna de Lago e Die Zuerberflöte.

Diretor Musical e Regente – Rodolfo Fischer

 

Reconhecido como um dos principais regentes chilenos, vive na Suíça e leciona Regência Orquestral na Academia de Música de Basel. Tem regido importantes orquestras como as de Copenhague, Odense e Sonderborg, na Dinamarca; Principado de Astúrias, na Espanha; Sinfonieorchester Basel e Luzerner Sinfonieorchester, na Suíça; Sinfonica di Bari, na Itália; Filarmônica Danubia, na Hungria; a Auckland Philarmonia, em Nova Zelândia; sinfônicas Nacional de Colômbia, do Teatro Municipal de Santiago, Theatro Municipal de São Paulo e Theatro Municipal do Rio de Janeiro;  e ainda  a OSESP, a OSB, Filarmônica de Buenos Aires, Filarmônica de Minas Gerais, Petrobras Sinfônica, Orquestra Estable de La Plata e outras. Foi regente residente do Teatro Municipal de Santiago de 1998 a 2002, período em que esteve à frente de concertos, turnês e temporadas de verão.

Seu trabalho em ópera tem recebido forte reconhecimento, notadamente pelos mais de 20 títulos que dirigiu em Santiago. Em 2012, regeu uma nova produção de D. Giovanni no Teatro Municipal de Santiago, Idomeneo no Theatro Municipal de São Paulo – onde havia debutado com êxito em 2008 dirigindo uma grande produção de Falstaff –, e Ainadamar, ópera de Osvaldo Golijov, no Teatro Mayor, frente à Orquestra Sinfônica Nacional de Colômbia. Dirigiu Ainadamar de Golijov também em 2010 para o Concerto de Gala do Bicentenário do Teatro Argentino de La Plata, na Argentina. Em 2006, debutou no Teatro Colón de Buenos Aires à frente da produção de Cosi fan Tutte. Este ano fez ainda sua estreia com a Ópera Nacional da Dinamarca, assinando a direção musical de As Bodas de Fígaro, recebendo da crítica e do público significativo destaque como regente mozartiano.

É detentor do Prêmio Altazor, recebido em 2002 pela direção musical de Madame Butterfly no Teatro Municipal de Santiago. Recentemente, regeu A Voz Humana com a Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio de Janeiro, Jenůfa, de Janacek, com a Companhia Buenos Aires Lírica, Carmina Burana e um concerto com obras de compositores colombianos com a Sinfônica Nacional da Colômbia. Rodolfo Fischer é formado em regência orquestral pelo Curtis Institute of Music da Filadélfia, EUA, como aluno do professor Otto Werner Muller. Formou-se também com distinção pela Faculdade de Artes da Universidade do Chile e estudou piano em Nova Iorque sob a orientação do pianista Richard Goode.

 

SERVIÇO

 

JENŮFA Ópera em três atos (1908)

Coro e Orquestra Sinfônica do TMRJ

Coprodução com a Companhia Ópera Livre

Música Leoš Janáček (1854-1928)

Libreto Do compositor (Baseado na peça Její PastorkyňaSua

              Enteadade Gabriela Preissová)

Concepção e Direção Cênica André Heller-Lopes

Direção Musical e Regência Rodolfo Fischer

Solistas dos papéis centrais:
Jenůfa – Gabriella Pace, soprano
Kostelnička Buryjovka – Eliane Coelho, soprano
Laca Klemeň – Eric Herrero, tenor
Števa Buryja – Ivan Jorgensen, tenor
Stárek e Prefeito – Vinicius Atique, barítono
Starenka Buryjovka – Carolina Faria, mezzo-soprano
Karolka – Flávia Fernandes, soprano

Também no elenco:

Jano – Michelle Menezes, soprano

Barena – Tatiana Nogueira*, soprano

Pastora – Beatriz Simões, mezzo-soprano

Mulher do Prefeito – Andressa Inácio, contralto

Tia – Daniela Mesquita, contralto

 

(*) Integrante da Academia de Ópera Bidu Sayão do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

 

 

Cenários – Daniela Taiana
Figurinos – Sofia di Nunzio
Desenho de Luz – Fábio Retti

Coreografia – João Wlamir

Maestro Titular do Coro – Jésus Figueiredo

 

 

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Praça Floriano, s/nº – Centro

Dias 18 e 24 de novembro, às 20h

Dias 20 e 26 de novembro, às 17h