Entregue seu coração no recuo da bateria

Ninguém duvida de que o Brasil é o país do carnaval, mas “Entregue seu coração no recuo da bateria” nos lembra ainda melhor de que nascemos em uma nação feita de homens e mulheres que se apaixonam. É uma delícia ver esse espetáculo. Aplausos! (trecho da crítica de Rodrigo Monteiro).

“Entregue Seu Coração no Recuo da Bateria” é daqueles espetáculos que faz-nos deixar o teatro leves e contentes. Uma bonita história, bem desenvolvida e muito bem encenada. Foi lindo ter visto o teatro cheio e com um público verdadeiramente entusiasmado. Aplaudo de pé!” (trecho da crítica de Renato Mello, do Botequim Cultural).

É Carnaval no Rio. O mestre-sala Claudinho já está na concentração da escola de samba, à espera de mais um glorioso desfile na Marquês de Sapucaí, ao lado da sua mulher, a porta-bandeira Ceci. Mas, cansada do jeito mulherengo do marido, ela decide terminar o casamento – e se recusa a entrar na avenida. Assim começa o espetáculo Entregue seu coração no recuo da bateria, que, depois de uma bem-sucedida temporada na Praça 11, retorna aos palcos cariocas, dia 14 de outubro, no Centro Cultural Justiça Federal.

Com direção de Joana Lebreiro e elenco que reúne os atores Pedro Monteiro, Gabriela Estevão e Jorge Luiz Jeronymo (locutor oficial da Estação Primeira da Mangueira), a peça faz uma grande homenagem à Sapucaí, às grandes histórias de amor e à força feminina. O patrocínio é do Ministério da Cultura, Secretaria Municipal de Cultura e Halliburton.

Com texto de Pedro Monteiro, idealizador do projeto, e Marcus Galiña, o espetáculo resgata a trajetória do relacionamento entre Ceci e Claudinho, traçando um paralelo com os quesitos de avaliação de um desfile de escola de samba na Marquês de Sapucaí. “Depois de montar os espetáculos Os Ruivos, que tratava do preconceito; Funk Brasil – 40 anos de baile, homenagem ao gênero; e Um de nós, cujo tema era a busca de um sonho, quis contar uma história de amor em um ambiente onde a mulher é tratada como uma rainha”, explica Pedro Monteiro. “Criar essa história dentro do  universo do samba veio naturalmente, já que tenho uma ligação afetiva com o gênero desde criança, quando frequentava os bailes infantis do Bairro de Fátima na década de 80”.

Em sua terceira parceria com Pedro, Joana Lebreiro avalia que a peça toca no tema da memória, objeto de estudo da diretora em cena e em sala de aula. “O personagem do Jeronymo, o Dionísio, carrega com ele a história do samba”, observa Joana. “O que mais me emociona neste espetáculo é justamente o fato de ele tratar de um episódio que se passa nos bastidores de um desfile. A gente começa a imaginar quantas tramas de amor e dor existem no Carnaval na Sapucaí”. Quem conhece muitas dessas histórias é o ator e radialista Jorge Luiz Jeronymo, que interpreta um diretor de harmonia no espetáculo, e na vida é a voz oficial dos ensaios da Mangueira há uma década. “Como a Joana diz, meu personagem é um griot do Carnaval, ou seja, o personagem que leva consigo todas as tradições daquele universo. E esse é um universo do qual eu faço parte de verdade desde os 14 anos”, acrescenta Jeronymo.

A atriz Gabriela Estevão – que, pela segunda vez, forma um casal com Pedro Monteiro no teatro – também faz parte do universo do samba carioca. Este ano, ela foi eleita musa do Carnaval de rua pelo jornal O Globo pela atuação como porta-bandeira do bloco Meu Bem, Volto Já. Apesar da experiência, na hora de viver uma porta-bandeira no teatro, foi preciso estudar muito. “Minha maior preocupação foi a questão técnica. A porta-bandeira na avenida é uma rainha, por isso fiz questão de estudar todos os movimentos e a postura correta”, lembra a protagonista, que ressalta ainda a importância que o espetáculo dá à luta feminina. “O texto foge dos estereótipos ligados à mulher e isso deixa toda a equipe mexida”.

Para levar para o palco a fidelidade do desfile, a porta-bandeira Selminha Sorriso, há mais de 20 anos na Beija-Flor, foi convidada para o posto de preparadora de dança do casal na peça. É o primeiro trabalho dela no teatro. “Foi mais um desafio na minha carreira, deu um frio enorme na barriga. Ao mesmo tempo, fiquei muito emocionada porque várias dos episódios que eles contam em cena fazem com que eu me lembre da história da minha vida, da minha paixão de desfilar”, conta Selminha. Também fazem parte da equipe Marieta Spada (cenário e figurino), Marcelo Alonso Neves (direção musical), Nathália Mello (diretora de movimento), Fernanda Mantovani e Thiago Mantovani (iluminadores) e Brunna Napoleão (assistente de direção). O projeto é assinado pela Animart Produções e por Pedro Monteiro.

A trilha sonora, que reúne sambas-enredos que fizeram sucesso na avenida entre 1984 e 2015, será como um quarto personagem na peça, responsável por mexer com as emoções e lembranças de todo o público presente.

Ficha Técnica:

Texto: Pedro Monteiro e Marcus Galiña

Direção: Joana Lebreiro

Elenco: Gabriela Estevão, Pedro Monteiro e Jorge Luiz Jeronymo.

Cenário e Figurino: Marieta Spada

Direção musical: Marcelo Alonso Neves

Diretora de Movimento: Nathália Mello

Iluminação: Fernanda Mantovani e Thiago Mantovani

Assistente de direção: Brunna Napoleão

Produção: Animart Produções e Pedro Monteiro

Serviço

Entregue seu coração no recuo da bateria

Centro Cultural Justiça Federal: Avenida Rio Branco, 241, Centro.

Telefone: 3261-2550.

Dias e horários: 6ª a dom., às 19h.

Preço: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Lotação do teatro: 141 lugares

Duração: 1h15.

Classificação indicativa: 10 anos

Funcionamento da bilheteria: de 4ª a dom., das 16h às 19h. Compra de ingressos apenas em dinheiro.

Temporada: 14 de outubro a 27 de novembro.