“Mozart e Salieri” e “Sheherazade” – Eu fui!

Para quem usa como desculpa o fato de “não entender o que os artistas cantam” para

Foto: Divulgação

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não irem a uma ópera, isto já era. Traduzido para o português, “Mozart e Salieri” se apresentou no palco do Theatro Municipal em apenas um ato. O segundo foi ocupado pelo balé “Sheherazade”. A letra na tela ajuda o espectador a compreender a história e as canções. Mas, mesmo se não houvesse, as dicções do tenor Flávio Leite (que vive Mozart) e do barítono Inácio De Nonno (Salieri) são tão perfeitas que o resultado seria o mesmo.

A ópera questiona se a genialidade e o crime são compatíveis. Inclusive, Michelangelo é citado, com o boato de que teria sido um assassino. Mas o criminoso em cena é Salieri. Verdade ou não, há rumores de que o compositor tenha envenenado Mozart por ciúmes de seu grande talento. Trata-o como um amigo, convida-o para jantar e o envenena após ficar encantado por sua nova obra.

O fato – que talvez tenha acontecido na vida real – é encenado com riqueza no figurino, além do grande talento dos dois protagonistas, auxiliado pelo belo coral de “Mozarts” que os acompanham. Todos representando com perfeição a imagem que temos do grande músico. A cenografia fica por conta de um gigante piano, do qual não sai som algum, mas funciona como elemento cênico. Nele os artistas sobem, e a iluminação faz a festa produzindo grandes efeitos.

opera-bale-sheherazade-26-low-credito-julia-ronaiO segundo ato é preenchido por ainda mais cores, e por toda a leveza que a dança traz. “Sheherazade” é um balé mais sensual que os com os quais estamos acostumados. Tanto pelos movimentos da coreografia – com muito cambret -, quanto pelo figurino com o corpo mais à mostra.

O balé é inspirado no primeiro conto de “As Mil e Um Noites”. Shahriyar está desconfiado de que sua esposa favorita, Zobeide, é infiel. As suspeitas do sultão se confirmam, e ele descobre que a mulher e Escravo Dourado, seu preferido, têm um relacionamento. O marido traído mata o amante, e Zobeide implora seu perdão. Percebendo que não será atendida, ela se mata, deixando o sultão da antiga Pérsia consternado.

A música utilizada é a do poema sinfônico de Rimsky-Korsakov – Sheherazade. Assim como o primeiro ato, esta obra foi resumida para que coubesse em apenas um. Assim, foram aproveitados o primeiro movimento como abertura, e o 3º e o 4º para o bailado. A inspiração para o movimento cênico foram as miniaturas persas, com muita pantomima no lugar da gesticulação.

Tanto na ópera quanto no balé, o trabalho enxugado não comprometeu o resultado. Seja em relação à compreensão das histórias, quanto à beleza do espetáculo. O que significa que a soma Ópera + Balé é uma matemática que dá um bom resultado. E faz que o público de um comece a prestigiar, conhecer e gostar de outras vertentes da arte.

 

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelo convite.

 

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