MAC abre exposição em mês das Olimpíadas

No mês das Olimpíadas, quando o Estado do Rio de Janeiro vai receber ainda mais turistas, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, recém reinaugurado, preparou atividades especiais para receber bem o público – tanto estrangeiros quanto brasileiros –. No dia 6 de agosto, às 10h, serão abertas novas mostras, todas com temáticas ligadas, de alguma forma, aos jogos olímpicos. São elas: a exposição em processo, com o Programa “Baía de Guanabara: Águas e Vidas Escondidas”, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara e que conta com a participação de diversos artistas; continuação da mostra “Ephemera: Diálogos Entre-Vistas”, também com curadoria do Luiz Guilherme Vergara e que abriu juntamente com a reinauguração do MAC; “Progressão”, do artista Felippe Moraes, com curadoria de Michelle Sommer; e “Provar, Aprovar, Reprovar”, de Agostinho Moreira.

Além de encontrar o MAC totalmente ocupado por essas mostras especiais, o visitante vai se deparar com um museu reformado, depois de passar por um conjunto inédito de obras, que inclui um sistema de ar condicionado eficiente; impermeabilização da cobertura do prédio; limpeza e pintura da fachada e da rampa; troca de carpete dos salões expositivos (indicado pelo IPHAN); reforma dos banheiros; uma nova recepção e loja; nova iluminação em LED para o espelho d’água, prédio e entorno da Praça, com projeto de Peter Gasper; nova sinalização interna e substituição das grades da entrada por vidro.

É válido ressaltar, ainda, que todos os eventos do museu a partir da reabertura fazem parte do programa ‘MAC + 20’, com exposições que enaltecem a importância e potência histórica da Coleção MAC Sattamini e, simultaneamente, celebram novas perspectivas curatoriais, por meio de colaborações nacionais e internacionais. Afinal, em setembro, o MAC Niterói completa 20 anos. Esta nova fase está sendo construída também pela busca e esforços coletivos por uma nova visão colaborativa, a partir de uma gestão de saberes e práticas compartilhadas intersetoriais, culturais e acadêmicas com a Universidade Federal Fluminense (UFF). O circuito de atividades integradas é parte desta perspectiva MAC+20, unindo curadoria e educação pelas instituições do bairro da Boa Viagem, incluindo o Solar do Jambeiro, o Museu Janete Costa de Arte Popular e o Museu do Ingá, por exemplo.

Mais sobre as exposições:

Baía de Guanabara: Águas e Vidas Escondidas

Varanda

Exposição e Irradiações de processos colaborativos ambientais

A varanda do MAC é tomada como processo aberto para percursos de instalações e irradiações que remetem a processos de engajamentos e colaborações entre artistas, pesquisadores ambientalistas e comunidades. Uma instalação especial de Nelson Leirner, ‘Terra à vista’ e o Panorama da Baía de Guanabara, assim como a trajetória de intervenções na paisagem da Boa Viagem de Katie Scherpenberg, servem de âncoras para reunir nesta borda circular do MAC um conjunto de projetos experimentais entre artistas, cientistas e comunidades e condições

de vida escondidas e desconhecidas. Assumindo conceitual e simbolicamente como referência e vocação intuitiva da arquitetura aberta da varanda do MAC a experiência ambivalente de mirante e sentinela, entre paisagem e meio ambiente, entre arte e mundo, vidas e saberes visíveis e invisíveis. O museu encontra na janela aberta para a Baía de Guanabara sua borda experimental para processos de irradiações da arte para a vida. O nome de Niterói como ‘Águas Escondidas” no idioma tupi-guarani é apropriado como inspiração conceitual que aponta para relações que ultrapassam o visível dentro de um ecossistema de vidas. A Baía de Guanabara, bará = mar, ou então guana (“seio”) bara (“mar”), “mar do seio, não é habitada apenas para satisfazer as necessidades do reino humano, mas de um universo de seres e belezas que co-habitam a paisagem”, explica Guilherme Vergara.

Nesta proposta, o anel da varanda inaugura um percurso geográfico de instalações que também remetem ao conceito de irradiações com diferentes interfaces entre arte e ciência, obras e processos de colaborações entre artistas e agentes de ações coletivas e colaborativas em comunidades; cientistas, mergulhadores e pescadores, que definem tendências experimentais de um museu laboratório. Ressalta-se a vocação arquitetônica do MAC para o projeto arte e ações ambientais, onde tanto os artistas quanto o próprio museu são agentes de conexões sociais e de saberes na produção de redes ecológicas. Uma terceira margem de cruzamentos ou transbordamentos artísticos e culturais invoca o princípio feminino universal presente nas diferentes deusas ligadas às águas e oceanos, de Iemanjá e Afrodite (representada pelo coletivo Re-Afrodite do Chipre).

Participam, ainda, desta exposição um conjunto de colaborações internacionais, tais como Nuno Sacramento, curador do Scotish Sculpture Workshop, Aurelien Gamboni e Sandrine Teixido (França), o coletivo Re-Afrodite, com Evanthia Tselika, Chrystalleni Loizidou, Athina Antoniadou, da Universidade de Nicósia, Chipre.

O programa MAC Fórum também lançará importantes filmes especialmente desenvolvidos a partir de questões ambientais, como Os Descartados (The Discarded), de Annie Costner. Ainda previsto como parte do Programa Baía de Guanabara, o lançamento do filme de Celine Cousteau como parte do seminário internacional previsto para outubro. A visão e vocação do MAC como museu laboratório para uma perspectiva de arte em ação ambiental se realiza como plataforma para práticas artísticas experimentais e colaborativas, reunidas neste programa como perspectivas de novas tendências conceituais de atravessamentos entre artistas-pesquisadores e coletivos em diferentes locais e condições adversas da Baía de Guanabara.

Artistas participantes com as suas respectivas obras:

– Katie Van Scherpenberg – Vídeo e fotos registrando a trajetória das intervenções conceituais da Katie Scherpenberg na paisagem da praia da Boa Viagem

Vídeo (MENARA) com os registros das diferentes performances da artista, incluindo Sal + 1 sobre areia realizadas na Praia de Boa Viagem.

– Gabriela Bandeira e Rodrigo Freitas – ‘Entorno’ – vídeo-instalação a partir das imersões realizadas na colônia de pescadores Cícero Queiroz, na região do Gradim, em São Gonçalo. As

imagens são potencializadas com uma instalação sonora. Na tela, documentário com entrevistas com quatro pescadores dessa comunidade no fundo da Baía de Guanabara, onde há imagens do contexto destas entrevistas costurando e ilustrando os relatos dos pescadores.

– Nuno Sacramento – ‘Mesa Baldio – Da arte crítica à arte do cuidado’ – projeto apoiado pelo British Council, iniciado em 2014 pelo Scottish Sculpture Workshop (Escócia), em parceria com o Observatório de Favelas, MAC Niterói e Macquinho, que se debruça sobre questões do território e do direito da cidade no Rio de Janeiro. O projeto é baseado numa série de ações coletivas lideradas por jovens habitantes de favelas do Rio de Janeiro e de Niterói. Na primeira ação (Nova Holanda, Maré) construiu-se uma mesa baseada na ideia de miolo. Com a ajuda de dois carpinteiros e de uma arquiteta, os jovens desenvolveram um processo de construção e design inspirado em uma rua da Maré (Rua Miolo), e que deu origem a um conjunto de mesas. Na segunda ação, um conjunto de jovens do Morro do Palácio (Niterói) construíram uma composteira, seguida de alguns canteiros onde produziram vegetais. Na terceira ação, os jovens fizeram pratos e tigelas de cerâmicas. Finalmente, foram feitas bases, cadeiras e canecas, seguidas de uma refeição banquete.

– Ignês Albuquerque e Priscila Grimberg – ‘Casa Verde’

A descoberta da Casa Verde do Sr. Hernandes no Bumba pela Inês Albuquerque é o ponto de partida e inspiração desta colaboração que se desdobra em práticas de agenciamentos que ultrapassam categorias convencionais entre arte e vida, artista e não artista. A Casa Verde do Sr. Hernandes é também uma escultura muito especial de reinvenção estética e terapêutica ambiental do habitar. Pode-se à primeira vista aproximar este caso com a obra-viva do artista Kurt Schwitters (1887-1948), Merzbau, ou Casa Merz. As apropriações e reinvenções do Hernandes também estará sendo colocada em aproximação e diferenças com a obra de Nelson Leirner. Porém o Sr. Hernandes não é um artista e toda essa guinada na vida que transforma sua casa em uma grande assemblagem ou bricolage existencial e afetiva é fruto de uma grande perda de sua companheira e esposa. Por outro lado, a Inês assume também um papel fundamental como artista educadora e agente de processos de valorização e ressignificação social da vida e talentos de Sr. Hernandes. Trata-se, aqui, de uma trajetória de encontros e afetos mútuos como um acontecimento com plena potencia de futuro. Ambos são agentes e atuam em uma transborda da vida que se reinventa como arte e a arte que se reconfigura como lugar de transformações compartilhadas de sentidos de pertencimento e ações ambientais coletivas.

– Martha Niklaus – ‘Horizonte Negro / Diários de Bordos’ – uma obra-instalação diante da vista da Baía de Guanabara que se apresenta como manifesto com a participação dos velejadores da Marina da Glória. No dia 12 de julho de 2015, eles realizaram a performance Horizonte Negro, na Baia de Guanabara, que trouxe 26 embarcações, com grandes bandeiras pretas em seus mastros, criando uma coreografia náutica, que foi avistada da Praia do Flamengo e da Urca. Foi criada pela artista em solidariedade à luta dos velejadores contra a transformação da única marina pública da cidade do Rio de Janeiro em um polo gastronômico, shopping, área de eventos e estacionamento. A obra se coloca em luto contra todos os problemas da cidade, inclusive em relação ao meio-ambiente. Por outro lado, uma ordem e escala alternativa de relações humanas se espalha como saídas para o coletivo, para as micro-geografias de resistências sociais, poéticas e ambientais. Os Diários de Bordo trazem um pequeno

testemunho de vidas escondidas de pessoas que transformam seus barcos em casas flutuantes

como habitantes invisíveis da Marina da Glória e Baía de Guanabara.

– Fernando Moraes – ‘BiodiversidArte Marinha’ toma da vista das Ilhas das Cagarras diante da varanda para unir ciência e arte em suas componentes da história, biologia e oceanografia formam um amalgama inédito com exemplares biológicos, fotos, vídeos e iconografias raras do país que tem a maior costa atlântica do mundo e um povo miscigenado. O mundo submarino registrado pelas lentes dos cientistas-artistas resgata uma outra fronteira entre águas e vidas escondidas como indagação também entre o dentro e o fora do museu e da arte.

– Lia do Rio e Enrique Banfi – ‘Vozes de Baleias – Séc. XVIII / Séc. XXI’ – Reprodução da pintura de Leandro Joaquim ‘Vista da Baia de Guanabara com Baleias, séc.XVIII’ – Instalação sonora com os sons emitidos pelas baleias para criar uma tensão entre o acontecimento relatado no quadro pintado no séc. XVIII e a visão atual.

– Coletivo Re Aphrodite – ‘Shrines / Habits – Santuários / Hábitos’ – Colcha de Milagres Cotidianos. Com a colaboração da Universidade de Nicosia.

Artistas: Evanthia Tselika, Chrystalleni Loizidou, Athina Antoniadou

Colaboradores: Rosa Couloute, Stephanos Staphanides e a Federation of Filipino Organizations Cyprus (FFOC).

Série de intervenções em espaços públicos na forma de instalações fluidas de Santuários para a Deusa da Água (Afrodite) no Chipre e no Rio de Janeiro. Elas são propostas ritualisticamente de tal maneira que sejam abertas para histórias, questões e trocas com a participação do público.

Re-Aphrodite é um grupo de mulheres independentes sem fins lucrativos, baseado em Chipre, de pesquisadoras e agentes ativistas com foco nas questões de gênero, desigualdade social e outras questões políticas e sociais cipriotas através de pesquisa e práticas educativas, curatoriais e criativas. Começaram esta iniciativa em 2010 com Chrystalleni Loizidou e Evanthia Tselika, e, desde então, atuam como coletivo.

– Aurelien Gamboni e Sandrine Teixido – ‘A Tale as A Tool’ – Uma fábula como ferramenta

Patrocínio: Pro Helvetia

Projeto site-specific resultante de uma investigação de longo prazo, baseada sobre o conto do Edgar Allan Poe, A descida no rodamoinho (maelström). No contexto da exposição “Baía de Guanabara: Vidas e Águas Escondidas”, Gamboni e Teixido pretendem estabelecer ligações com a história do ambiente da Baía de Guanabara e com percepções do lugar estabelecidas pela arquitetura do Oscar Niemeyer. A intervenção tem a forma de uma parede de investigação, incluindo arquivos áudio e imagens, que será completada no decorrer da exposição. Para isso, serão organizados encontros, ativações públicas, entrevistas com a perspectiva de pensar o equipamento necessário para construir novas relações e preocupações compartilhadas.

– Nelson Leirner – ‘Terra à Vista’ – instalação especial para a varanda

A obra de Leirner será um ponto culminante de passagens entre gerações de artistas e as novas tendências conceituais de arte em ações ambientais. Concebida especialmente para a vista da paisagem envolvendo a arquitetura e os visitantes em uma única experiência entre espectador e tripulante de uma arca de criaturas que cruzam imaginários popular, religiosos e zoológicos. Os visitantes entram na obra como parte de uma família que ultrapassa a espécie humana.

Ephemera: Diálogos Entre-Vistas

Esta exposição abriu, juntamente com a reinauguração do museu, no último dia 16 de junho. Entretanto, no dia 6 de agosto, será apresentado ao público um recorte especial da mostra, que faz parte da coleção MAC-Sattamini e tem curadoria de Luiz Guilherme Vergara. Foram selecionadas.

Progressão

Exposição do artista Felippe Moraes, com curadoria de Michelle Sommer, que ocupará a rampa do MAC Niterói. Instalação que é um desdobramento das pesquisas realizadas pelo artista ao longo dos últimos anos sobre a tensão entre a linguagem matemática e o mundo dos fenômenos. Constituída por 26 bandeiras diferentes, de 70X100 cm, organizadas de maneira a produzir uma progressão de tons passando do preto para o branco, com uma escala gradativa de cinzas entre elas. No centro de cada uma delas, está a inscrição de uma porcentagem, partindo de 100% preto até 0%. Os tons dos números em si seguirão a mesma proporção, mas de maneira inversa, começando do branco e gradativamente tornando-se pretos. Todas as bandeiras em posições estratégicas, frente à paisagem imponente do museu, em frente à Baía de Guanabara, estando sujeitas às intempéries da natureza, como vento, chuva, Sol. O trabalho se relaciona, portanto, com arquitetura e paisagem.

Provar, Aprovar, Reprovar

Exposição do artista Agostinho Moreira. Uma intervenção, no espelho d’água do MAC, com tampas redondas de plástico reutilizadas em diversas dimensões e cores, na formação de uma pintura em movimento proporcionada pela ação do vento. Serão colocadas aproximadamente 60.000 tampas de início. Trata-se de uma instalação participativa, com a ação de escolas e do público em geral, para trazerem mais tampas, que poderão se assinadas pelos contribuintes. Cada tampa levada poderá ser trocada por alguma já presente na obra, criando uma interação entre público e obra. A ideia é que, com o tempo, todos os objetos recebam um nome, o que as constituirá como um símbolo importante de humanização no imaginário participativo. Assim, “Provar, Aprovar, Reprovar” liga um percurso dos próprios objetos usados na pintura em movimento com o seu caráter repleto de cumplicidade; as tampas coloridas (a tinta) dialogam pela memória, por serem reutilizadas, com partes da vida de cada um que as observa. A recolha de tampas em si terá como objetivo a conscientização e a criação de novos hábitos, reforçando valores de ecologia, reutilização e participação em união social.

Serviço:

Dia 6 de agosto de 2016, às 10h

Abertura das exposições:

“Baía de Guanabara: Águas e Vidas Escondidas”, de artistas nacionais e estrangeiros e artistas-pesquisadores em trabalhos colaborativos, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara. Em cartaz até 23 de outubro de 2016.

“Ephemera: Diálogos Entre-Vistas”, obras das artistas xxxxxxxxxxxxxxxx, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara. . Em cartaz até 14 de agosto de 2016. Em setembro inaugura a parte II desta mostra, sempre dialogando com as demais em cartaz.

“Progressão”, do artista Felippe Moraes, com curadoria de Michelle Sommer. Em cartaz até 11 de setembro de 2016.

“Provar, Aprovar, Reprovar”, do artista Agostinho Moreira. Em cartaz até 11 de setembro de 2016.

O MAC Niterói fica no Mirante da Boa Viagem, sem número

Mais informações: (21) 2620-2481

http://www.macniteroi.com.br

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