“Estamira – Beira do Mundo” no Poeira

Uma catadora de lixo, doente mental crônica, com uma percepção do mundo surpreendente e devastadora. Perfilada no cinema por Marcos Prado, a personagem da vida real foi centro da criação de uma das mais elogiadas peças dos últimos anos, por Dani Barros e pela diretora Beatriz Sayad. Estamira – Beira do Mundo estreou em 2011, e fez duas curtas e marcantes temporadas em diferentes teatros no Rio – o da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, e a Sala Tônia Carreiro, no Leblon. Há dois anos que Dani Barros não encena o espetáculo. Neste período, a atriz participou de duas produções na TV Globo (as novelas Império e Além do Tempo).

Os prêmios e as indicações foram fartos. Além de ter figurado na lista dos dez melhores espetáculos na seleção do jornal O Globo, entre as três melhores peças em cartaz na seleção da Veja Rio e entre os melhores espetáculos na seleção da revista Bravo!, Dani levou os prêmios Questão de Crítica, Shell e APTR como Melhor Atriz. A peça foi indicada ao Questão de Crítica (Espetáculo) e ao APTR (Texto, Espetáculo, Produção).

A peça é livremente inspirada no filme Estamira, de Marcos Prado (o documentário lançado em 2005 ganhou 23 prêmios nacionais e internacionais), que retrata a história de Estamira – a profetisa do lixão, carregada de tragédia e humor, delirante e sábia, atordoante e provocadora de reflexão.

Mais do que uma adaptação, o projeto é também um depoimento pessoal e artístico. Ao abordar a vida dos que se encontram à margem da sociedade, no meio do lixo do descaso e que são tratados como restos na maior parte da vida, Dani e Beatriz questionam essa negligência social: o lixão é a representação irônica e trágica da própria condição em que vive a nossa sociedade.

E mais: a peça é também um depoimento pessoal e artístico de Dani Barros, que reconheceu ali parte da sua experiência pessoal. O pano de fundo da história é o lixão, por onde adentramos o universo de Estamira. Lá são encontradas cartas, memórias, histórias que não conseguimos jogar fora.

O cenário de Aurora de Campos evoca o lixão. E os sacos plásticos precisam ser abertos antes de cada sessão, para fazer o volume necessário. “O assistente de produção leva uma hora nessa atividade”, conta Dani, que tem suas preferências na hora de pedir saquinhos nas lojas. A atriz entra em cena acompanhada por cerca de mil sacos plásticos, além de objetos como garças de louça e poltronas detonadas.

Estamira – Beira do Mundo é o segundo solo da atriz Dani Barros e resultado da parceria com a diretora Beatriz Sayad (ambas atuaram na peça teatral O Avesso das Águas, no projeto Doutores da Alegria e na peça Inventário – aquilo que seria esquecido se a gente não contasse).

Dani Barros (Elenco, Dramaturgia e Coordenação do Projeto) Atriz formada na Uni-Rio. Trabalhou no projeto Doutores da Alegria por 13 anos. Atuou nas peças Maria do Caritó e Conchambranças de Quaderna, pelas quais foi premiada como Melhor Atriz Coadjuvante (APTR). Atou no programa Minha Nada Mole Vida e no filme O Veneno da Madrugada dirigido por Ruy Guerra. Trabalhou com diretores de teatro como Antônio Abujamra, João Fonseca, Moacir Chaves, Gilberto Gawronski, Inez Viana e Terry O’Reilly (Mabou Mines-NY). Fez as novelas Fina Estampa, Império e Além do Tempo.

Beatriz Sayad (Dramaturgia e Direção) Beatriz é autora, atriz e diretora, formada em Letras pela PUC – Rio. Desde os 18 anos integra a companhia de teatro/circo suíça Teatro Sunil (atual Cia Finzi Pasca), com a qual colabora até hoje. No Brasil, atuou como palhaça em hospitais nos Doutores da Alegria, e lá coordenou outros projetos artísticos, como a direção do espetáculo Inventário – Aquilo que seria esquecido se a gente não contasse. Cursou, na França, a Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq. Integrou a Cia Teatro Balagan, em São Paulo, como atriz/pesquisadora. Desde 2010 volta a atuar na Compagnia Finzi Pasca nos espetáculos Donka, uma carta a Tchekhov e La Veritá, ambos em turnê por mais de 20 países.

FICHA TÉCNICA

Direção e dramaturgia: Beatriz Sayad

Atuação, dramaturgia e idealização: Dani Barros

Trechos de: Ana Cristina Cesar, Antonin Artaud, Estamira Gomes de Souza, Manoel de Barros, Michel Foucault e Nuno Ramos

Luz: Tomás Ribas

Cenário: Aurora dos Campos | Colaboração: Beatriz Sayad e Dani Barros

Figurino: Juliana Nicolay

Direção musical: Fabiano Krieger e Lucas Marcier

Design de som: Andrea Zeni

Assistente de direção: Marina Provenzzano

Preparação de ator: Georgette Fadel

Preparação vocal: Luciana Oliveira (fonoaudióloga)

Voz do fado: Soraya Ravenle

Preparador vocal (Soraya): Felipe Abreu

Técnico, operador de luz e som, contrarregra: Sandro Lima

Técnico e operador de luz: Walece Furtado

Microfonista: Allan Moniz

Boneca: Getúlio Damado

Projeto gráfico: Cubículo

Edição de vídeo: Antonio Baines

Assistente de cenografia: Camila Cristina

Costureira: Cleide Moreira

Colaborou para esta criação: Ana Achcar

Direção de produção: Verônica Prates

Produção: Quintal Produções

Gerente de projetos quintal: Maitê Medeiros

Assistente de Produção Quintal: Thiago Miyamoto

Coordenação geral do projeto: Dani Barros

Realização: Momoenddas Produções Artística

SERVIÇO:

ESTAMIRA – BEIRA DO MUNDO TEATRO POEIRA

R. São João Batista, 104 – Botafogo

Informações: (21) 2537-8053

Capacidade: 162 lugares

Duração: 1h15

TEMPORADA DE 31 DE MARÇO A 29 DE MAIO

QUINTA A SÁBADO, ÀS 21H | DOMINGOS, ÀS 19H QUINTAS E SEXTAS: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia) SÁBADO E DOMINGOS: R$ 70 (inteira) | R$35 (meia)

Classificação indicativa: 12 anos