“Guilherme Vaz e o Cinema” no CCBB

“Guilherme Vaz e o Cinema” é o tema do próximo debate que será realizado na quarta-feira, 9 de março, às 18h30, no auditório do CCBB-Rio, no quarto andar, entre Franz Manata, curador da mostra que está em cartaz no CCBB até 04 de abril, o cineasta Júlio Bressane e a pesquisadora Suzana Reck Miranda.

Os palestrantes serão convidados a comentar aspectos da obra musical de Guilherme, destacando seu papel na introdução da música concreta nas trilhas sonoras do cinema brasileiro. Guilherme produziu trilhas para mais de 60 filmes, sendo 30 longas-metragens; ganhou nove prêmios e estabeleceu parcerias com importantes cineastas, como Júlio Bressane e Sérgio Bernardes. Segundo o curador, Franz Manata seu trabalho para o cinema traduz o “espírito do Brasil profundo”.  O filme “O anjo nasceu” (1969), dirigido por Júlio Bressane com trilha sonora de Guilherme Vaz foi premiado no Festival de Cinema de Brasília.

A doutora em multimeios Suzana Reck Miranda, abordará entre outros assuntos sobre a primeira trilha sonora de música concreta no cinema brasileiro – criada por Guilherme para o filme “Fome de Amor” de Nelson Pereira dos Santos – e sua importância para o cinema; e ainda sobre o ensaio escrito pelo músico, compositor e filósofo J.-P.

A entrada é gratuita e as senhas serão distribuídas 1h antes do início.

“Guilherme Vaz – uma fração do infinito” em cartaz no CCBB-Rio até 4 de abril é a exposição que reúne 41 obras que contemplam os diversos suportes utilizados pelo artista, como a instalação, objetos sonoros, instruções, desenhos, partituras, performances e parte de sua produção musical.   Além da exposição, o público interessado em obter uma visão global da obra desse artista poderá conhecer também a edição bilíngüe do livro “Guilherme Vaz – uma fração do infinito” (português-inglês), com 320 páginas, disponível durante o evento e na livraria Travessa. Organizada cronologicamente, apresenta importantes ensaios da curadoria, de críticos convidados, textos do artista, trabalhos e registros dos trabalhos em exibição na mostra, além de um ensaio do fotógrafo e artista Pedro Victor Brandão sobre a exposição.

Os textos do curador Franz Manata tratam da construção do pensamento artístico de Vaz; o primeiro, chamado “O vento sem mestre”, é um ensaio que procura entender a construção de seu pensamento, associado às questões estéticas de seu tempo; um segundo, em parceria com Caio Neves, curador assistente, entitulado “Eu sou o que posso ser”, coloca a fala do artista em primeiro plano, e foi produzido a partir de sua produção oral e escrita; e, no terceiro texto “Notas curatoriais”  curador compartilha seu processo de pesquisa, organização do trabalho e os percursos que o levaram até a mostra apresentada e a edição do livro.

Entre os autores presentes no livro estão a crítica e historiadora em Artes Marisa Flórido Cesar, com ensaio sobre a formação da arte contemporânea entre a década de 1965-75; Suzana Reck Miranda, que aborda a primeira trilha sonora de música concreta no cinema brasileiro – criada por Guilherme para o filme “Fome de Amor” de Nelson Pereira dos Santos – e sua importância para o cinema; e ainda o ensaio escrito pelo músico, compositor e filósofo J.-P. Caron sobre a trajetória do maestro Guilherme Vaz.

A exposição “Guilherme Vaz – uma fração do infinito” oferece ao público a oportunidade de conhecer 50 anos de produção de um dos pioneiros da arte conceitual e sonora, responsável pela introdução da música concreta no cinema brasileiro. A entrada é gratuita.

Em sua primeira grande exposição são mostradas 41 obras que contemplam os diversos suportes utilizados pelo artista, como a instalação, objetos sonoros, instruções, desenhos, partituras, performances e parte de sua produção musical.Guilherme Vaz: uma fração do infinito” destaca a importância da obra desse artista no panorama da cultura e deixará como legado um conjunto de textos, documentos e imagens para a memória da arte no Brasil.

Dividida em duas grandes salas que ocupam o segundo andar da instituição, a exposição apresenta um percurso que se articula de forma complementar a mostrar uma fração do infinito artístico de Guilherme.

Na primeira sala, a experiência de Guilherme no interior do Brasil, onde desenvolveu trabalhos de antropologia, artes visuais e música pré-histórica com os povos indígenas sul-americanos Zoró-Panganjej, Gavião-Ikolem e Araras. O público poderá conhecer de perto um conjunto de pinturas realizado com o índio Carlos BedurapZoró, da tribo Gavião-Ikolem, de Rondônia, que por solicitação do artista reproduziu, nos tecidos fornecidos por Guilherme, suas pinturas corporais. Mais a série Solos ardentes, composta por16 fotografias feitas com uma câmera amadora em 1999, em que crianças da tribo Gavião-Ikolem estão em frente a uma pilha de carvão da selva, dentro do escritório da Sociedade Pró-Arte, em Ji-Paraná, Rondônia.

Será apresentado o vídeo-concerto harmônico Música em Manaos (2004). Realizado por Guilherme e sob sua regência, a Orquestra Filarmônica Bielorussa se junta aos indígenas da etnia Gavião-Ikolem, no Teatro Amazonas. O registro é uma parceria com seu amigo, cineasta e documentarista Sérgio Bernardes (1944-2007). No outro vídeo, Uma fração do infinito, realizado em 2013 em parceria com o Instituto Mesa, Guilherme estabelece um diálogo com Charles Darwin ao refazer, simbolicamente, o caminho percorrido pelo naturalista britânico na cidade de Niterói. Um teatro sonoro onde os maracás ”acionam” as forças da natureza.

O espaço conta, ainda, com duas esculturas: uma inédita Totem de maracás, composta por centenas de unidades do instrumento indígena, que reflete sobre o aprendizado com o universo indígena, e Jardim sem nome, uma instalação com seixos rolados que, segundo o artista, é uma metáfora acerca do universo da arte, em que sua própria história é como um imenso rio no qual os artistas são seixos dispostos ao longo do caminho.

A segunda sala apresenta a produção de Guilherme como artista multimeios, músico experimental, maestro, pensador e integrante das vanguardas dos anos 1970. Sua pesquisa no campo da notação musical (partituras convencionais, balizamentos gráficos, notações para o cinema e partituras como performance), a instalação sonora Crude, que surge a partir de sua pesquisa acerca do que ele definiu como “música corporal” iniciada na 8ª Bienal de Paris, em 1973, ainda sob o nome de Cru. Em sua primeira versão, o trabalho foi realizado de forma acústica quando o artista extraía sons diretamente da arquitetura. Já a partir da apresentação da 7ª Bienal do Mercosul em 2007, ele incorpora microfones e amplifica o som no espaço. Na versão atual, o artista convida o público para essa experiência. Também é apresentada uma instalação acusmática composta por instruções concebidas para a exposição de arte conceitual “Information”, realizada no MoMA NY, em 1970. No CCBB o artista convida o público a seguir por um corredor com as instruções, agora em português. Ainda nesta sala o curador destaca a parceria de Guilherme com o cineasta e documentarista Sérgio Bernardes, em duas videoinstalações: Amazônia (2006) e Mata Atlântica (2007).

A exposição conta com uma cronologia ilustrada, que aborda a vida e o percurso de Guilherme Vaz e um vasto conjunto de documentos, obras, vídeos e arquivos de áudio para interação do público.

O ARTISTA

Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Pioneiro da arte sonora, formou-se na Universidade Nacional de Brasília, tendo como professores Rogério Duprat, Décio Pignatari, Nise Obino, Cláudio Santoro, Damiano Cozzela, Régis Duprat, Hugo Mund Júnior, entre outros (1962-1964); e na Universidade Federal da Bahia, onde foi aluno de Walter Smetak e Ernst Wiedmer (1964-1966). Fundou, em parceria com Frederico Morais, Cildo Meireles e Luiz Alphonsus, a Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1968-1970). Presidiu a Fundação Cultural de Ji-Paraná, fronteira com a Bolívia, onde desenvolveu trabalhos de antropologia, artes visuais e música pré-histórica com os povos indígenas sul-americanos Zoró-Panganjej, Gavião-Ikolem e Araras. Artista multimeios e experimental, autor das obras sonoras: Walktoanywhere, Rio de Janeiro (1970); Open yourdoor as slow as youcan, Rio de Janeiro (1970); Solos ardentes, Nova Iorque (1970); Crude, Paris (1973); Ensaio sobre a dádiva, d’après Marcel Mauss, Oslo (2008). Sua obra foi incluída em importantes exposições coletivas, dentre as quais se destacam: “Hélio Oiticica e seu Tempo”, Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro (2006); VIII Biennale de Paris, Museé dArtModerne de laVille de Paris (1973); “Agnus Dei”, PetiteGalerie, Rio de Janeiro (1970); “Information”, MoMA, Nova Iorque (1970), entre outras.

Editou várias obras em CD com a gravadora OM Records: o vento sem mestre (2007), Sinfonia dos ares (2007), La Virgen (2006), Deuses desconhecidos (2006), Anjo sobre o verde (2006); A tempestade, El arte, Povos dos ares, Der HeiligueSpruch (2005); A noite original – Die SchopfungsNacht [Die Windeuber der Meer amAnfgang der Welt] (2004); Sinfonia do fogo (2004); O homem correndo na Savana (2003), todas elas lançadas no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC). Publicou a Sinfonia das águas goianas (2001), um livro em que reúne algumas das conjunções sonoras mais profundas, arcaicas e significantes do meio central da América do Sul.

PRÓXIMOS DEBATES

Guilherme Vaz e o cinema

Sinopse: Comenta aspectos de sua obra musical, destacando seu papel na introdução da música concreta nas trilhas sonoras do cinema brasileiro.

Palestrantes: Franz Manata, Júlio Bressane, Suzana Reck Miranda

Data: 09/03/2016, às 19h

 

Guilherme Vaz e a música

Sinopse: Comenta sua produção como maestro, sua relação com os aspectos estéticos da música erudita e sua relação com a formação da identidade cultural brasileira.

Palestrantes: Franz Manata, J.-P. Caron

Data: 23/03/2016, às 19h

SERVIÇO

 

Debate “Guilherme Vaz e o cinema”

Data: quarta-feira, 9 de março, às 18h30, auditório do andar do CCBB-Rio

 

Livro “Guilherme Vaz: uma fração do infinito” -bilíngue (português-inglês), 320 páginas, formato 27x21cm, R$120

Editora: EXST

Projeto gráfico: André Lenz

Visitação da exposição: 13 de janeiro a 4 de abril de 2016

De quarta-feira a segunda-feira, das 9 às 21h

Entrada gratuita – senhas distribuídas 1h antes do início.

 

O livro será vendido na livraria da Travessa, no dia do lançamento.

Preço: R$ 120,00.

Para aqueles que possuem ‘vale cultural’, o valor é de R$ 50,00.

Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Informações: (21) 3808-2020

www.bb.com.br/cultura/

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