Santa Joana dos Matadouros

A crise econômica, a miséria, o patrão que explora o empregado e o trabalhador que luta pela sobrevivência são temas presentes em A Santa Joana dos Matadouros – uma das grandes peças do dramaturgo, romancista e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). O texto denuncia questões tão atuais e importantes quanto eram na época em que foi escrito, há mais de oitenta anos. Idealizada por Marina Vianna, a dramaturgia original de Brecht ganha nova versão de Diogo Liberano. Juntos, assinam a direção de A Santa Joana dos Matadouros, que estreia no dia 19 de novembro, no Teatro Glaucio Gill. A temporada segue até 21 de dezembro, de quinta a segunda, às 20h. A produção tem patrocínio da Universidade Estácio de Sá, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, gerenciada pela Comissão Carioca de Promoção Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura.

Formado por oito atores, o elenco traz Adassa Martins, Gunnar Borges, João Velho, Leandro Santanna, Leonardo Netto, Luisa Arraes, Sávio Moll e Vilma Melo. No papel-título, Luisa interpreta Joana Dark, a jovem ingênua, cheia de fé, que pertence ao grupo missionário “Boinas Pretas”. Ela se une à luta dos operários contra o desemprego e as demissões crescentes que assolam a indústria de carne enlatada. A peça conta a trajetória da heroína Joana desde a inocência – quando acreditava que a distribuição de sopa e cânticos religiosos para os pobres atenuaria as tensões provocadas pelo mercado das carnes – até o seu entendimento da mecânica complexa e violenta da política econômica.

Bertolt Brecht escreveu A Santa Joana dos Matadouros entre 1929 e 1931, em meio à crise econômica mundial de 1929. A peça é ambientada nos matadouros de Chicago, nos Estados Unidos, durante um rigoroso inverno que intensifica as diferenças sociais e agrava a luta dos trabalhadores em busca de comida e abrigo. O autor nunca chegou a encenar a obra, porém dirigiu uma versão reduzida com oito atores em uma leitura radiofônica de 1932.

Idealizadora do projeto, Marina Vianna decidiu encenar A Santa Joana dos Matadouros depois que a obra do autor alemão integrou a sua tese de doutorado em teatro, em 2012. A atriz convidou o dramaturgo Diogo Liberano, com quem já havia trabalhado em montagens anteriores, para juntos dirigirem a peça. Com direção de movimento de Laura Samy, a proposta é dar voz aos que estão de fora, à margem. “São corpos e vozes que dão testemunho da humanidade em tempos sombrios. Os sem nome, sem rosto”, destaca Marina, que faz sua estreia na direção.

Convidada desde o início da idealização do projeto, a premiada diretora de arte e cenógrafa Bia Junqueira concebeu junto à direção a encenação visual e espacial da peça, que dá a ver a humanidade em farrapos presente no texto de Brecht. A direção de arte criada por Bia aposta em possibilidades inúmeras de figuração das multidões que rondam a montagem – industriais, trabalhadores, missionários – e abrem espaço para a constante ambiguidade presente na escrita de Brecht, que busca apresentar o ser humano como é naturalmente: um ser partido e tensionado entre horrores e virtudes.

A incisiva crítica social presente na obra também se revela por meio da música e da iluminação, que desempenham papéis importantes na trama. Com direção musical de Rodrigo Marçal e Arthur Braganti, a ambientação sonora – bem como a iluminação de Paulo César Medeiros – buscam dar corpo ao invisível que é o capital e suas engrenagens, que não cessam de modificar a trajetória dos personagens no decorrer da fábula encenada.

Texto pouco encenado no Brasil, A Santa Joana dos Matadouros apresenta o percurso de Joana rumo ao conhecimento da mecânica do sistema capitalista. “O meu trabalho sobre a dramaturgia nasceu do olhar que, junto à Marina, fomos lançando ao original. Tal como prevê o próprio Brecht, descobrimos rapidamente que seria preciso profaná-lo, fazer uso de seu universo, revendo cenas, cortando outras, mudando ordens e agregando materiais inúmeros que foram trazidos pelos atores em processo”, conta Diogo Liberano.

MARINA VIANNA – Concluiu o Doutorado e o Mestrado em Teatro, do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UNIRIO e Graduou-se em História (Bacharelado) na PUC-Rio. Seus últimos trabalhos como atriz foram: Concreto armado, texto e direção de Diogo Liberano; Pinteresco, textos de Harold Pinter com direção de Ary Coslov; Devassa – Segundo a caixa de Pandora (LULU), de Frank Wedekind e direção de Nehle Franke, com a Cia dos Atores; A máquina de abraçar, direção de Malu Galli,; Traço-obs,- Ensaio sobre Medéia, texto e direção de Fábio Ferreira; Conjugado e A falta que nos move ou todas as histórias são ficção, ambas montagens com direção de Christiane Jatahy. Com o ator, diretor e dramaturgo Pedro Brício, participou de FitzJam, Fim de partida e A incrível confeitaria do Sr. Pellica.

DIOGO LIBERANO – Artista-pesquisador com graduação em Artes Cênicas: Direção Teatral pela UFRJ e pós-graduando do programa em Artes da Cena da mesma instituição. Professor da Faculdade CAL de Artes Cênicas, é diretor artístico da companhia carioca Teatro Inominável, pela qual dirigiu e escreveu: Não dois; Vazio é o que não falta, Miranda; Como cavalgar um dragão; Sinfonia Sonho (indicado ao 2º Prêmio Questão de Crítica na categoria Direção); Concreto armado (escrito em parceria com Keli Freitas) e a performance O Narrador. Como dramaturgo, destacam-se: Maravilhoso (indicada pela dramaturgia ao 8º Prêmio APTR de Teatro) e Laboratorial, peça comemorativa dos 25 anos da Cia dos Atores. Como diretor, Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queirós e o drama Uma vida boa, de Rafael Primot.

FICHA TÉCNICA

Do original A Santa Joana dos Matadouros, de Bertolt Brecht

Direção: Marina Vianna e Diogo Liberano

Tradução: Roberto Schwarz

Dramaturgia: Diogo Liberano

Elenco: Adassa Martins, Gunnar Borges, João Velho, Leandro Santanna, Leonardo Netto, Luisa Arraes, Sávio Moll e Vilma Melo

Musico em cena: Arthur Braganti

Direção de arte: Bia Junqueira

Direção Musical: Rodrigo Marçal e Arthur Braganti

Direção de Movimento: Laura Samy

Iluminação: Paulo César Medeiros

Produção executiva: Marcelo Mucida

Direção de produção: Ana Lelis

Realização: Moinho Produções

Idealização: Marina Vianna e Luisa Arraes

Persongens:

Luisa Arraes – Joana Dark, a missionária

João Velho – Mauler, o rei da carne enlatada

Leonardo Netto – Slift, braço direito de Mauler

Sávio Moll – Cridle, industrial da carne enlatada

Vilma Melo – D. Luckernidle, viúva de um trabalhador

Adassa Martins – Marta, missionária

Leandro Santanna – Snyder , missionário

Gunnar Borges – Gloomb, um trabalhador

SERVIÇO

A Santa Joana dos Matadouros

Temporada: 19 de novembro a 21 de dezembro.

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, S/N – Copacabana)

Informações: (21) 2332-7904 / 2332-7970.

Dias e horários: Quinta a segunda, às 20h.

Capacidade: 102 lugares.

Duração: 120 minutos.

Gênero: Drama.

Classificação indicativa: 16 anos.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

 

Fomos assistir, dá só uma olhada!