Exposição “Fluidostática” no Palácio do Catete

A artista visual Ursula Tautz abre a exposição inédita “Fluidostática”, com curadoria de Isabel Sanson Portella, no dia 24 de outubro (sábado), às 16h, na Galeria do Lago/Museu da República. Pensada e executada especialmente para o local, a mostra – inspirada no universo do Palácio do Catete, da Galeria do Lago – consiste em uma instalação composta por 16 jarras contendo tinta azul para canetas tinteiros sobre balanços. A tinta faz referência direta às utilizadas pelos presidentes do palácio na assinatura de documentos.

O balanço, muito utilizado por Ursula em seus trabalhos, funciona como objeto poético. O conjunto da obra cria uma metáfora sobre o poder em um jogo de equilíbrio frágil, solitário, sedutor e perigoso, que habitou o palácio. “O público vai ver uma exposição de arte contemporânea instigante e com uma narrativa própria, que dialoga com a história do país”, explica a artista.

Para criar um ambiente mais intimista, uma nova parede será construída na sala principal, onde o espectador caminhará sozinho e qualquer desatenção poderá afetar o equilíbrio dos balanços, derramando a tinta dos jarros. Na ante-sala serão projetadas, na parede, as assinaturas dos presidentes, e serão expostos jarras e vidros do palácio. Para complementar, abrigará também os projetos de arte-educação. E não para por aí! No jardim, um balanço será pendurado para o visitante interagir ainda mais. A interação e a percepção por parte do público é o objetivo de “Fluidostática”, que, por meio dos objetos chega a uma história marcada por leis, decretos, declarações de guerra e até mesmo carta de despedida (como a de Getúlio Vargas, que se suicidou, em 1954, no local), a partir da utilização da caneta tinteiro. A tinta que marca e que eterniza lembranças. Afinal, por vontade própria ou da história, todos os presidentes do palácio deixaram suas marcas. “Os jarros que se movem quase derrubando o líquido, que ficam no limite do derramamento. Uma comparação com controle, marcas, povo”, filosofa a artista.

No local, serão realizadas, ainda, atividades de arte e educação e visitas guiadas para as escolas.

A exposição tem o apoio do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, da EAC Rio de Janeiro, da Knauf Drywall, da Souza Camargo Arquitetura e Construção e do Colégio Cruzeiro. Patrocínio Cultural do Instituto Cultural PLAJAP e patrocínio da OPUS.

Mais sobre a artista:

Ursula Tautz nasceu no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Cursou a ESPM, além de ter frequentado oficinas da “School of Visual Arts /NY”, e a partir de 2005 a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em 2013 foi aprovada para o Programa Projeto de Pesquisa, com Glória Ferreira e Luiz Ernesto. Participou de várias exposições como “Intervenções Urbanas Bradesco ArtRio 2015, com a instalação “Mas que as asas enraízem e que as raízes voem”; “Estranhamentos”no CCJF/RJ com curadoria de Isabel Sanson Portella ,“Fuzuê”, no

Largo das Artes, “A questão do espaço na arte”com curadoria de Glória Ferreira e Luiz Ernesto e “Cético Assombro” , na EAV do Parque Lage, além da individual “ Aquilo que nos cabe daquilo que nos resta”, entre outras. Foi também selecionada pelo crítico Fernando Cocchiarelli para o “Programa Olheiro da Arte”.

Mais sobre o Museu da República e o Palácio do Catete:

A Galeria do Lago foi criada para dotar o Museu da República de um espaço próprio para exposições de arte contemporânea, promovendo um diálogo crítico e reflexivo sobre assuntos pertinentes à cultura, sociedade e cotidiano, por meio da linguagem da arte. Localizada no Jardim Histórico do Museu, que possui acesso gratuito e recebe cerca de 10 mil frequentadores por dia. A arte contemporânea constitui para o Museu da República uma ferramenta que torna possível novas pontes de comunicação com uma maior diversidade de intervenções nos diálogos expositivos. Uma nova perspectiva de integração com os visitantes. As várias exposições que a Galeria do Lago apresentou nesses 10 anos de existência, evidenciam como o Museu abriu os seus espaços aos artistas, proporcionando ao público uma leitura mais crítica e atualizada da arte.

O Palácio do Catete foi construído por Antônio Clemente Pinto, o barão de Nova Friburgo. Após ser a residência do barão, do conde de São Clemente e do conselheiro Mayrink, tornou-se sede da Presidência da República em 1897, abrigando 22 Presidentes. A tinta azul esteve sempre presente nos salões do palácio: Venceslau Brás assinou em outubro de 1917 a declaração de guerra contra o Império Alemão; já Getúlio além de ter assinado a declaração de guerra ao Eixo, assinou também sua carta de despedida.

 

Serviço:

“Fluidostática”, de Ursula Tautz,

curadoria de Isabel Sanson Portella

Abertura: 24 de outubro, sábado, às 16h

Encerramento: 06 de dezembro

Visitação: terça a sexta, das 10h às 12h, e das 13h às 17h

Sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h

Palácio do Catete – Museu da República – Galeria do Lago

Rua do Catete, 153 – Catete

Informações: 2127-0324