Exposição Nov [elos] + Nov [lhas] = Cowladyboy, de Gê Orthof

O artista Gê Orthof – ganhador do 5º Prêmio Marcantônio Vilaça – CNI SESI SENAI – 2015, abre, no dia 25 de agosto, terça-feira, a individual Nov [elos] + Novi [lhas] = Cowladyboy, com curadoria de Marília Panitz, na Amarelonegro Arte Contemporânea.

A exposição é constituída por um conjunto de desenhos e objetos em torno do solitário personagem de fronteira. Cowladyboy, que enfrenta o horizonte mítico dos relatos do Oeste (velho e atual). “Uma vida entre a aspereza da sobrevivência incerta e a potência sonhadora da contemplação do vasto, do vazio, da fronteira transbordada. Nessa condição limítrofe, não há espaço para concessões”, explica o artista.

No objeto principal – uma grande e complexa estrutura de acrílico e madeira, onde aparece, no alto da torre, um livro –, cujas medidas são 190 x 90 x 90 cm, o público pode perceber esta relação da quebra de estereótipos entre o feminino e o masculino, com a personagem central (cowboy) tricotando um novelo de lã, atividade considerada essencialmente feminina. Mas o que representa o livro? O que tem a ver com a obra e com a exposição de uma maneira geral? Trata-se de um manual de tricô para ser feito ao ar livre e, na capa, um típico cowboy dos filmes de John Wayne, montado em um cavalo malhado. O cenário em tons de cinza colabora e o homem tecendo com as duas agulhas faz com que o público retorne ao presente e ao tema da exposição. Os materiais utilizados nesta escultura são madeira, acrílico, livro, miniaturas, feltro, fotografia em acrílico, tricô em lã, entre outros. Há, ainda, desenhos-objetos em aquarelas com colagens de objetos e materiais tridimensionais com textos e miniaturas, além de cílios postiços. Fazem parte da mostra também cinco caixas de acrílico com mini instalações – presentes em seus trabalhos desde ‘So(h)adores’, 2010 – e que, emparelhadas, lembram os vagões de um trem que contribuem para compor a cena campestre, lugar do cowladyboy. Em cada uma delas – formas geométricas feitas com chapas coloridas e transparentes – formam um pequeno ambiente, onde existe um fundo musical feito por caixinhas de música.

Convivem os novelos e as novilhas constituintes de um só sujeito. Sempre “s[eu]” – como em um de seus desenhos|poemas. “Há, na narrativa fragmentária, construída por indícios que o observador terá de utilizar para construir seu tecido, uma clara posição política da qual, convém dizer, o artista nunca se esquiva, em seus trabalhos, que questiona, com humor e ironia, os papéis impostos e

reificados, de identidades congeladas que, acima de tudo, negam a história”, diz Marília Panitz. A curadora completa: “do topo à base da edificação do objeto principal, passamos por várias imagens-notas. O grande falo recoberto pelo tecido cinza desfazendo-se nos fios de lã que são armazenados em um receptáculo transparente, no outro lado do objeto; lá onde se vê a imagem dos dois homens em um barquinho no Rio Danúbio, este ‘herdado’ de outra instalação de Gê: Mar-armar – o fluxo do rio, da Europa ao Rio Negro, plena diáspora. Apresentam-se também as pequenas construções, paisagens mínimas. E os campos de cor feitos de acrílico e feltro (matérias recorrentes em sua obra) que subvertem a paleta estrita de cinzas e cor de madeira. Só pontuações”.

Mais sobre o artista e a curadora:

Gê Orthof, Petrópolis, 1959. Vive e trabalha em Brasília. Pós-Doc, School of the Museum of Fine Arts, Tufts University, Boston; Doutorado e Mestrado em Artes Visuais, Columbia University. Artista e professor do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UnB.

Principais Prêmios: Prêmio CNI – Marcantonio Vilaça – 2015. Artista Convidado Prêmio Situações Brasília – 2014, Museu Nacional. Selecionado Prêmio PIPA 2010 MAM Rio. 1º lugar (Grande Prêmio) 24th International Artist Competition, Berlim, 2011, Prêmio FUNARTE 2012 e Prêmio Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 2013. Principais exposições individuais: “] noturno [ + [ soturno ]” Galeria Alfinete, Brasília; “A pregnantcosmonautforgetstosend a crucial message [NordicDrawings]” Ava Galleria, Helsinque;“Ambos Mundos”, (artista convidado) Galeria da FAV/UFG;Centro de Arte Moderno, Madri; School of the Museum of Fine ArtsGallery, Boston; MAM, ARS 117, Bruxelas; Torreão, Porto Alegre; Centro de Arte Moderno, Buenos Aires ; Paradigmas Arte Contemporânea, Barcelona.

Coletivas : 10ª Bienal do Mercosul, Europalia – Le Palais dês Beaux-Arts de Bruxelles; – Rio; Galeria Gentil Carioca, Rio; MAC São Paulo; CCBB Brasília; Festival Performance Arte Brasil, MAM/Rio; Cruce Galeria, Madri; Espaço Cultural Sergio Porto, Rio; Cavalariças Parque Lage, Rio; WetherholtGallery, Washington D.C.; Art-Frankfurt; MAB – FAAP, São Paulo; Bienal do Porto, Palácio de Cristal; Palazzo Albrizzi, Veneza; Kulttuurikeskus Poleeni, Pieksämäki. Finlândia; Prêmio Marcantonio Vilaça – MAC-USP.

Marília Panitz Silveira é Mestre em Arte Contemporânea: teoria e história da arte, pela Universidade de Brasília. Foi professora nesta Universidade até 2011. Dirigiu o Museu Vivo da Memória Candanga e o Museu de Arte de Brasília. Desde 1994, atua como pesquisadora e coordenadora de programas educativos em exposições e com cursos livres de arte. A partir de 1999, passou a publicar artigos sobre artistas de Brasília em jornais e catálogos. É curadora independente, com projetos como: Felizes para Sempre, BSB, Curitiba e SP, 2000/2001; Gentil Reversão, BSB, RJ 2001/2003; Rumos Visuais Itaú Cultural 2001/2003 e em2008/2010; Lúdico, Lírico, Berlim, 2002; Centro|EX|cêntrico, CCBB, 2003; Situações Brasília, Caixa e CCBE, 2005; Bolsa Produção para Artes Visuais, Curitiba, 2008/2010; Brasília: Síntese das Artes, CCBB- BsB, 2010; Mostra Tripé Brasília| Linhas de Chamada, SESC Pompéia-SP , 2011 – 2012; Mostra Rumor, Coletivo Irmãos Guimarães, Oi Futuro-RJ ,CCBB-DF e SESC Belenzinho -SP, 2012- 2013;Azulejos em Lisboa Azulejos em Brasília: AthosBulcão e a azulejaria

barroca, Lisboa, 2013; Projeto Triangulações 2013 – Salvador, Brasília e Recife -e 2014- Salvador, Belém e Maceió; Mostras de Carlos Lin ePolyanna Morgana, Andrea Campos de Sá e de Gê Orthof, Gal. Alfinete, BsB 2013-2014;Christus Nóbrega, na AmareloNegro, Rio, e Ge Orthof , na Referência Galeria de Arte, Bsb, em 2014; Prêmio Marcantônio Vilaça-Sesi/CNI 2014-2015.

 

Serviço:

Exposição Nov [elos] + Nov [lhas] = Cowladyboy, de Gê Orthof

Curadoria de Marília Panitz

Local: Galeria Amarelonegro Arte Contemporânea

Endereço: Visconde de Pirajá, 111 – lojas 1 e 2 – Ipanema

Telefone: (21) 2549-3950

Abertura: 25 de agosto, terça-feira, às 19h

Visitação: de terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 16h

Em cartaz até 25 de setembro

Entrada gratuita http://www.amarelonegro.com

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