“O Rinoceronte” – Eu fui!

Peça tradicional do teatro do absurdo, “O Rinoceronte” – de Eugène Ionesco, um dos maiores ícones do gênero – foi a escolhida para o espetáculo de formatura de mais uma turma da Cia de Teatro Contemporâneo. Criada em 1959, a obra ganhou uma nova versão no palco da cia pelos jovens atores.

O espetáculo retrata uma epidemia de rhinocerite, que vai aos poucos transformando os habitantes de uma cidade em rinocerontes. Para criar uma atmosfera de maior tensão no início, o público é cercado por cortinas, para que os atores possam simular verem os tais animais, mas apenas os efeitos sonoros “aparecem”. Falando em efeito sonoro, a música também é bastante utilizada. Tanto no início do espetáculo, quanto para ligar uma cena a outra, ajudando a contar o enredo.

Recursos simples de maquiagem são utilizados para retratar a transformação dos personagens em rinocerontes. Como são várias cenas, muitas trocas de cenário são feitas, e os próprios atores se encarregam disto. Ao contrário do que parece no início, o clima de tensão não se estende muito, e o público dá muita gargalhada durante o espetáculo. A veia cômica do elenco – com destaque para o protagonista – é fundamental para que isto aconteça. Enquanto seus colegas de cena viram rinocerontes, o personagem faz rir e demonstra bom desempenho, assim como os demais.

Mais do que diversão, “Rinoceronte” também é uma crítica social. Além de mostrar exemplos de relações humanas, o espetáculo é uma boa oportunidade para conhecer uma obra clássica do teatro do absurdo. Também para valorizar o trabalho de gente que está começando e ainda tem muito o que mostrar.

 

P.S.: Agradeço à Cia de Teatro Contemporâneo pelo convite