Leonardo Tepedino, na exposição Projeto Marquise Brasília

O artista Leonardo Tepedino abre, no dia 28 de maio (quinta-feira), às 19h, no Complexo Cultural Funarte Brasília, a exposição Projeto Marquise Brasília. A mostra conta com uma escultura única, resultado do diálogo entre a arquitetura da Marquise da Funarte e os rastros no gramado do entorno. O bambu foi o material escolhido para dar forma a esse jogo de relações físicas e simbólicas entre a marquise e as marcas. Contemplada pelo edital Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2014, a exposição estará aberta à visitação pública entre 29 de maio e 12 de julho de 2015, de segunda a domingo, das 9h às 21h.

Para realizar a mostra, Tepedino construiu módulos cúbicos vazados com a largura e o dobro da altura da Marquise. Esses módulos emergem do contraste entre as construções em Brasília e os rastros no gramado de parte do eixo monumental, que são vestígios de carros e pedestres no entorno da Marquise, caminhos informais, não projetados e realizados por quem habita Brasília. A forma desses módulos se refere à disposição básica das ferragens no método construtivo do concreto armado, material fundamental para a arquitetura moderna. Parte importante do “Projeto Marquise Brasília”, tem a forma da estrutura de ferro, básica, dentro do concreto armado, mas refeita em outra escala e com outro material: o bambu. Assim, esta estrutura de bambu traz para o trabalho um dado orgânico e arcaico, como se, ao configurá-la, encarnasse o arquétipo da arquitetura. “A presença dessa escultura é sutil e camuflada. Acredito que, ao emergir, o faça vigorosamente”, diz Tepedino.

O artista explica que sua intenção, ao colocar a forma das ferragens que estão dentro do concreto no lado de fora, com outra materialidade e outra escala, foi fazer com quer essa alteração inserisse um estranhamento na escultura como uma máquina de funcionamento simbólico surrealista, comedida. “Porque o que teria uma função matemática, física e invisível, escondida dentro do concreto, vai ser colocado em primeiro plano, como elemento principal da construção; a Marquise doa a forma, os rastros, a materialidade e a soma da marquise com os rastros formam a escultura. Surge, assim, um trabalho formado por contrastes entre determinação e indeterminação, orgânico e geométrico, medida e desmedida, projeto e cotidiano, permanente e efêmero”, esclarece.

Nesta exposição, o público vai poder perceber que a Marquise é um abrigo com forma elástica de linha esticada com ritmos, que tem muita velocidade. A ideia é quebrar esse ritmo, transformar essa certeza direcional, colocar um dado arcaico e orgânico, propor desvios e descontinuidades, o próximo e o distante, preencher e esvaziar com as linhas incertas do bambu. O desenho que surge dos rastros e da Marquise tem como objetivo habitar essa linha de concreto armado no eixo monumental em Brasília.

Sobre o artista – Leonardo Tepedino é arquiteto e escultor. Em sua primeira exposição, em 1990, já trabalhava questões da escultura como a materialidade, o equilíbrio e a gravidade, elementos que permanecem fundamentais em seu trabalho. “Naquela época usava o material necessário para resolver um trabalho específico, então trabalhei com uma pluralidade de materiais e meios que não se fixavam a um estilo, mas na particularidade de se chegar a uma síntese visual no espaço tridimensional”, explica. Em 2005, reduziu sua pesquisa à escolha de um material – a madeira –, trabalhando questões ligadas à tradição escultórica e à tradição arquitetônica e criando relações entre uma estrutura linear e uma possível membrana que forma o volume. Neste ano de 2015, ele retorna ao bambu para realizar o trabalho em Brasília.

“Meu projeto comunga com uma constelação de escultores que mantém suas poéticas abertas à possibilidade de uma experiência física surpreendente, utilizando a matéria para abrir fissuras na realidade, alimentando os sentidos, o prazer corpóreo, o processo, a relação com a história da arte, sempre valorizando a atualização do espaço/tempo vivido”, afirma o artista, que trabalhou no ateliê do também escultor Luciano Fabro, artista italiano expoente da chamada Arte Povera.

Tepedino tem formação em arquitetura e mestrado em História da Arte – Área de Linguagens Visuais, na Escola de Belas Artes – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou de exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. No ano de 2012, apresentou, nas Cavalariças da EAV Parque Lage, a exposição “Tempo-Vero”, com curadoria de Marisa Flórido, onde desenvolveu duas obras em madeira que se complementavam. Sua última individual foi, em 2014, “Projeto Desenho Específico”, no mezanino do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de janeiro, onde usou o Modulor de Le Corbusier para ajudar a organizar o espaço. Para essa mostra, utilizou a escala humana e a matemática como sistema único singular e universal de medidas.

 

Serviço:

Exposição: Projeto Marquise Brasília, do artista Leonardo Tepedino Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2014

Abertura: 28 de maio de 2015, quinta-feira, às 19h Exposição: de 29 de maio a 12 de julho de 2015 Visitação: de segunda a domingo, das 9h às 21h Local: Marquise do Complexo Cultural Funarte Brasília – DF (entre a torre de TV e o Centro de Convenções)

Entrada gratuita

Informações: (61) 3322-2076 e (61) 3322-2029 http://www.funarte.gov.br