“A Hora da Estrela” – Eu fui!

Quase 40 anos após sua morte, Clarice Lispector continua sendo lembrada. Até hoje, muitas frases são atribuídas à escritora,

Foto: apetecer.com

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sendo ou não ela a autora. Mas uma de suas clássicas obras, “A Hora da Estrela”, merece ser vista e lida por quem não conhece o trabalho da ucraniana radicada no Brasil. Há livro, filme e peça deste título. Os dois primeiros eu já conhecia, mas o espetáculo teatral fui conferir pela primeira vez no Parque das Ruínas, em uma temporada que durou pouco. Fruto de uma parceria entre os grupos Coletivo Livre de Espetáculos e Cia de Teatro Cordão Encarnado (da Bahia e do Rio de Janeiro, respectivamente), a montagem conta apenas com 2 atores em cena. Joelma Di Paula vive Macabéa, nas fases infantil e adulta. Angelo Mayerhofer se desdobra em 6 personagens, dentre eles, a cartomante, Glória e Olímpico, que têm papeis importantes na estória. Para a mudança de um papel para outro, utiliza-se o recurso das máscaras e troca de figurino.

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O cenário precisa se transformar em diversos ambientes, como por exemplo a casa de Macabéa, o escritório onde trabalha (uma ajuda da imaginação do espectador também é indispensável). Para isto, é utilizado um biombo, que serve para que Angelo troque de um personagem para outro, e também faça números de ventríloquo, que aparecem apenas na sombra para o público. Aliás, ela é muito utilizada, dando uma beleza maior a algumas cenas. Quem conhece a obra sabe o quanto o texto é depressivo. Escrito por Clarice já no auge da doença, ela descreve Macabéa com suas angústias, que também podem ser atribuídas à própria autora. O existir por existir, falta de sentido na vida, ambição… Os trechos do livro não saem da boca dos atores em cena, mas por um narrador em off, que preenche o espetáculo com o texto que serve mais como uma reflexão acerca dos personagens que como uma narração. Boa alternativa para não quebrar o clima das cenas. Dependendo do leitor ou espectador, a interpretação de “A Hora da Estrela” é uma. Seja como uma obra sobre a existência, ou crítica social, ou os dois, é um trabalho que merece ser conhecido, independentemente da forma escolhida. Afinal, quem não guarda em si um pouco de Macabéa?

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P.S.: Agradeço à Lyvia Rodrigues pelos convites

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