“Bonitinha, mas Ordinária” – Eu fui!

Já não aguento mais falar isso aqui (rs), mas é verdade: nunca havia assistido a uma peça de Nelson Rodrigues. Já li vários textos dele mas, montagem teatral, nenhuma (pelo menos não que me lembre). A primeira experiência com a obra deste autor foi esta semana, com “Bonitinha, mas Ordinária”, no Centro Cultural Banco do Brasil.

A montagem teatral é da Companhia Teatro Portátil, e está em cartaz até 1° de março no CCBB. O texto, clássico de Nelson Rodrigues, conta a história de Edgard, que recebe a proposta do chefe para se casar com sua filha. Sem querer ceder à tentação, mas visivelmente seduzido pela oportunidade, o protagonista precisa pensar e repensar seus valores.

Ao contrário das montagens de outras peças da Companhia Teatro Portátil, nenhum boneco é utilizado. Mas o universo lúdico está presente. Com o cenário praticamente inexistente, aparecem no telão do fundo do palco várias ilustrações que servem como pano de fundo de algumas cenas. E também representando algumas imagens do Rio Antigo. Outra peculiaridade são os atores sentados na plateia, próximos ao público. Eles iam aparecendo os poucos, causando surpresa em alguns momentos, pois o elenco é grande.

Falando em Rio Antigo, outra característica muito presente nos textos rodriguianos são os costumes da época. O machismo, a preocupação com “o que os outros vão pensar / falar”, tudo isto está presente em “Bonitinha…”. A frase “O mineiro só é solidário no câncer” é citada logo no início da peça, e repetida a todo o momento para justificar algumas ações, mas também atormenta a mente de Edgard.

Não apenas isto! Chantagens, pressões, humilhações. Heitor, patrão de Edgard, lança mão de todas essas artimanhas para tentar convencer seu funcionário a ceder a sua proposta. Tenta lembrá-lo várias vezes de sua posição inferior para que se sinta rebaixado. Mas também tenta satisfazê-lo, da sua forma, dando aumentos sem motivo, aos quais o protagonista resiste.

“Bonitinha, mas Ordinária” retrata costumes de uma época, mas o enredo principal é algo atemporal. Faz o ser humano refletir sobre o que é capaz de fazer por dinheiro ou poder, e o que uma pessoa que já os possui pode fazer para convencer alguém em posição inferior a ceder a suas vontades.

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Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Alexandre Boccanera
Elenco: Ana Moura, Anderson Cunha, Cláudio Gardin, Elisa Pinheiro, Guilherme Miranda, Julia Schaeffer, Laura Collor, Marcelo Escorel, Márcio Freitas e Morena Cattoni.

SERVIÇO:
Espetáculo: Bonitinha, mas Ordinária
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro) –
Teatro III
Telefone para informações: (21) 3808-2020.
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).
Estreia: 21 de janeiro, às 19h30
Temporada: 21 de janeiro a 1º de março
Horários: de quarta a domingo, às 19h30.
Capacidade: 40 pessoas.
Classificação etária: 16 anos.
Duração: 75 min.

P.S.: Agradeço ao CCBB pelos convites.

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