“Boa noite, Mãe” – Eu fui!

Mal começou o ano, e o teatro já nos presenteia com belas obras. “Boa Noite, Mãe”, em cartaz na Sede das Cias, é um reconhecido texto norte-americano. Escrito em 1983, a peça rendeu à autora, Marsha Norman, um prêmio Pulitzer. A tradução foi feita por Hugo Moss e Thaís Loureiro, que também integra o elenco, como Jessie.

As atrizes em cena são Beth Zalcman e a já mencionada Thaís Loureiro. Mãe e filha, respectivamente. A história se passa em uma noite rotineira na vida da pequena família. A novidade está na decisão que Jessie tomou e resolve contar para a mãe: vai se matar em poucas horas. A revelação pega Thelma de surpresa, mas a ideia é amadurecida pela filha por muito tempo.

A notícia, a princípio, tem uma receptividade incrédula por parte da mãe. Extremamente organizada, Jessie planeja tudo de que Thelma precisa para não deixá-la desamparada em sua falta. Coisas simples, como onde fazer compras, onde estão os objetos, o que fazer com seus pertences, etc. Com isto, as duas vão levando uma conversa que parece nunca ter havido entre elas. A filha se abre, e a mãe passa a enxergá-la de outra forma. Começa a entender seus problemas existenciais e a se culpar, por não ter aberto os olhos antes.

Jessie se queixa do casamento fracassado, de sua falta de talento e sorte nos empregos, de seu relacionamento distante com o filho (adolescente, parece pelos diálogos), e da epilepsia. Mas a moça declara estar se sentindo serena e preparada para o suicídio. Inclusive com a doença controlada. A suposta boa fase na vida da filha deixa Thelma ainda mais incompreendido quanto ao real motivo da decisão drástica de Jessie.

A serenidade que Jessie demonstra – apesar da aflição nítida no comportamento da personagem – contrasta com o comportamento de Thelma. A perplexidade e incredulidade no início dão lugar depois a raiva, rancor. Até que se transforma no amor incondicional de mãe, que parece que a própria nunca percebeu existir. Com isso vem o desespero e as súplicas para que a filha mude sua decisão. Mostrando, e descobrindo, certa dependência emocional em relação à filha.

As interpretações de Beth e Thaís são excelentes. A primeira vive perfeitamente uma senhora de idade, um pouco amargurada com algumas situações do passado. Thaís executa com perfeição a garota de autoestima baixa, além dos trejeitos da epilepsia.

Quem acompanhou nosso Top 5 do “Eu fui!” de teatro de 2014 sabe que gostamos de fazer o ranking dos melhores do ano. Sei que é cedo para dizer algo, mas “Boa Noite, Mãe” se aproxima do topo. Será que já pintou campeão?

 

FICHA TÉCNICA
Texto: Marsha Norman
Direção: Hugo Moss
Tradução: Hugo Moss e Thaís Loureiro
Elenco: Beth Zalcman e Thaís Loureiro

 

SERVIÇO

Teatro Eva Herz, de 25 de fevereiro a 26 de março.
Horário: quartas e quintas, às 19h
Local: Teatro EVA HERZ – Livraria Cultura (Rua Senador Dantas, 45 – Centro – Rio de Janeiro) – telefone: (21) 3916 2600
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada para jovens de até 21 anos, estudantes e maiores de 60 anos)
Duração: 100 minutos
Lotação: 178 lugares (4 lugares para cadeirante)
Classificação etária: 16 anos
Gênero: drama

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelos convites

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