“Chacrinha, o musical” – Eu fui!

O rei das rimas, trocadilhos e bordões está vivo nos palcos! Dono de um dos programas mais musicais de todos os tempos, Chacrinha tem sua vida e obra expostas no palco do Teatro João Caetano, sob formato de musical. “Chacrinha, o musical” mostra a trajetória bem sucedida do grande mito da televisão brasileira, também mostrando os personagens que fizeram parte de sua história.

Como disse Pedro Bial – um dos criadores do texto -, “Abelardo não deixou pistas muito claras de como criou o Chacrinha”. E é este “mistério” que a peça tenta desvendar no primeiro ato. Leo Bahia vive Abelardo na sua infância e juventude, quando é visitado, no que parece ser um formato de cordel, por personagens que seguiriam na peça depois. Para dar o ar de incerteza do que estão contando, muito lirismo é utilizado. Leo deixa evidente sua experiência de curta e exitosa carreira no teatro musical. Faz rir, canta bem e convence como criança. Uma graça!

O segundo ato é quando a bagunça começa, no bom sentido. Muitos personagens aparecem, dando lugar a várias atrações musicais da época do “Cassino”. Rosana, Benito de Paula, Roberto Carlos… Eles são apresentados em um medley de várias canções, com atores vivendo os intérpretes das músicas, lembrando mais uma paródia dos mesmos. Com exceção de Clara Nunes, que encerra o pot-pourri, com um espaço maior e uma espécie de homenagem à cantora.

Stepan Nercessian assume de vez o posto de Chacrinha, mas sendo assombrado pelo jovem Abelardo por vezes, deixando a personalidade do Velho Guerreiro ainda mais perturbada. Na preparação, Stepan afirma não ter se preocupado em imitar Chacrinha, que sentiria o personagem a partir da emoção que este provocaria. Não é o que parece, pois o ator está muito similar ao original. Talvez pelo fato da ótima caracterização, o apresentador se fez mais presente na construção do personagem.

O figurino é brilhoso, carnavalesco, bem a cara do “Cassino”. O cenário poderia ser um carro abre-alas de desfile de escola de samba. Ele dá lugar a muita interação com a plateia. Até do karaokê ela participa. No dia, o participante ilustre foi Eduardo Sterblitch.

“Chacrinha, o musical” diverte, agrada o espectador e não deixa morrer a memória do grande comunicador. Apenas não curti alguns exageros em certos momentos do espetáculo. Acabaram se tornando besteirol, que não fariam diferença se fossem tirados. Mas não compromete o resultado. E, pelo que vi na receptividade, o público concorda comigo.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

Veja também o post da apresentação para a imprensa!

Número 5 do nosso Top 5 de melhores musicais de 2015

https://palcoteatrocinema.com.br/2015/12/25/top-5-eu-fui-musical-2/

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