Madama Butterfly, no Theatro Municipal

A trágica história de amor, inocência e traição que Puccini levou aos palcos no início do século XX em Madama Butterfly, além de ser a preferida do autor, conquistou imenso sucesso, tornando-se a quinta ópera mais cantada no mundo. A Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), apresenta a obra-prima do compositor italiano em montagem assinada pela diretora Carla Camurati, em um total de quatro récitas a partir de 30 de novembro, dentro da programação artística desenhada pelo Maestro Isaac Karabtchevsky. Hiromi Omura é a soprano convidada para interpretar o papel-título e se apresenta ao lado do tenor Fernando Portari (Pinkerton), do barítono Rodolfo Giugliani (Sharpless), da mezzo-soprano Denise de Freitas (Suzuki) dos tenores Sérgio Weintraub (Goro) e Ivan Jorgensen (Yamadori), e do baixo Daniel Soren (Bonzo), entre outros. O Maestro Isaac Karabtchevsky, que faz também a Direção Musical da ópera, conduzirá a Orquestra Sinfônica e o Coro do TMRJ.

“Madama Butterfly encanta pela capacidade de despertar emoções ao revelar a felicidade e a dor dos seus personagens. Repleta de requinte na sua teatralidade, essa obra mostra de maneira muito rica o contraste entre as culturas do Oriente e do Ocidente”, comenta Carla Camurati, a diretora cênica do espetáculo.

Madama Butterfly é uma ópera em três atos com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado na peça homônima de David Belasco. Depois de uma estreia fracassada no Scala de Milão, em 1904, reestreia em Brescia, apenas três meses depois, com algumas modificações e desta vez com enorme sucesso. No Brasil fez sua estreia em 1907, no Teatro Politeama de São Paulo, e em 1912, no Theatro Municipal do Rio, onde é a terceira ópera mais representada, com um total de 133 récitas, até então.

Carla Camurati desloca do início do século XX a ambientação da ópera, preferindo uma abordagem atemporal. Usando o papel como elemento síntese da cultura japonesa, este material inspira a criação dos cenários e dos figurinos. Como condução dramática, a Butterfly pensada nesta

montagem aposta no amor que Cio-Cio-San sente por Pinkerton até o último momento que antecede a tragédia. Desta forma, a emoção alcançada pela música e seus personagens cria um grande envolvimento entre o público e o espetáculo que faz transbordar os sentimentos existentes nesta ópera.

O Maestro Isaac Karabtchevsky aborda os desafios de Puccini ao criar a música para uma obra que confronta as culturas ocidental e oriental: “Foi através do estudo e observação que Puccini estabeleceu a diferença fundamental: para o japonês, o amor surge primeiro, depois, a concepção de como cultivá-lo. Esta liberdade é a tônica da religiosidade japonesa”. E completa: “Talvez aí resida todo o drama da pobre Cio-Cio-San, uma gueixa vítima de um casamento leviano e levada ao suicídio pela consciência da perda inexorável da pessoa amada. É em torno dela que o compositor criou as mais belas páginas vocais de toda a história da ópera – climas psicológicos de extrema densidade e uma orquestração que sublinha as nuances, impregnando-as de calor ou desespero”.

Sucesso desde sua estreia em Aida, no ano passado, o projeto Falando de Ópera terá mais uma edição nesta temporada. São palestras grátis com uma hora de duração sobre o espetáculo a ser apresentado – aos moldes das opera talks realizadas em teatros europeus –, com início uma hora e meia antes do começo da sessão, no Salão Assyrio. As palestras serão apresentadas pelo Maestro Silvio Viegas, regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, que falará sobre a história de Madama Butterfly e abordará também detalhes específicos desta montagem.

SINOPSE

Ato 1

No início do século XX, o jovem tenente B. F. Pinkerton da Marinha norte-americana aluga por 999 anos uma casa com jardim no Japão, em uma colina com vista para a baía de Nagasaki, com direito a receber uma noiva japonesa, a jovem Butterfly, apelido de Cio-Cio San, de 15 anos. O agente matrimonial Goro, que cuidou de todo o negócio, apresenta ao tenente os três empregados da casa: a criada de Butterfly, Suzuki, o cozinheiro e um criado. Os convidados chegam para o casamento, entre eles Sharpless, o cônsul norte-americano, que reprova o noivo por seu comportamento leviano, alertando-o de que a noiva e sua família levam a sério o que para ele é apenas um passatempo. Pinkerton ri e brinda ao dia em que conhecerá sua verdadeira esposa americana. Butterfly sobe a colina com suas amigas para quem diz que é a moça mais feliz do Japão. Os dois se casam e Butterfly demonstra seu grande amor ao renunciar à sua fé e se converter à religião cristã do marido, o que o surpreende e ao mesmo tempo provoca a ira em sua família, ao ponto de seu tio, um sacerdote, se retirar após lhe lançar uma maldição. Pinkerton a consola e eles se entregam ao amor.

Ato 2

Primeiro quadro

Três anos se passaram e Butterfly não sabe do marido, que partiu pouco tempo depois do casamento. Vivendo na miséria, tem ao seu lado apenas a fiel criada Suzuki e o filho que teve com Pinkerton. Ela, porém, não se abala e acredita na sua volta, como ele lhe prometeu antes de partir. O cônsul Sharpless recebe uma carta de Pinkerton e ao chegar à casa de Butterfly não consegue lê-la por conta da euforia da esposa, que antevê a volta do amado. Comovido com a felicidade da mulher, desiste de lhe falar sobre o teor da carta, que conta sobre o casamento de Pinkerton com uma americana. Goro tenta lhe oferecer casamento com um abastado príncipe japonês, Yamadori, que vai pessoalmente conhecer Butterfly, mas ela o recusa, já que é uma mulher casada e seu marido está para retornar. Diante da insistência de Sharpless e Goro, ela apresenta o filho louro e de olhos azuis e pede que o descreva para Pinkerton saber sobre ele. Ouve-se o tiro de canhão no porto que anuncia a chegada do navio do tenente e Butterfly e Suzuki saem para colher flores de cerejeira para enfeitar a casa. A noite cai e Suzuki e a criança dormem enquanto Butterfly fica acordada esperando a hora de rever seu amor.

Segundo quadro

Logo cedo, Butterfly acorda Suzuki e pega seu filho nos braços. Suzuki percebe o cansaço de uma noite em claro e pede que a patroa descanse até a chegada do oficial. Quando Pinkerton e Sharpless chegam, a criada lhe conta como Butterfly tem esperado pela sua volta e lhe mostra as flores que colheu. Quando avista uma mulher loura no jardim, Suzuki pergunta sobre ela e Pinkerton desconversa, mas o cônsul lhe conta a verdade e a criada grita e desmaia ao saber que se trata da esposa americana de Pinkerton, Kate. Emocionado e atordoado, o americano desiste de encontrar Butterfly e foge, dando dinheiro a Sharpless para o sustento dela. Butterfly aparece e, entusiasmada, vai à procura do marido. Encontra o cônsul e logo depois Kate, chorando no jardim, e Suzuki, que também está aos prantos. Descobre a verdade e, petrificada, deseja sorte a Kate, pedindo para que diga a Pinkerton que ela também encontrará a paz. Kate promete cuidar do menino. Se afasta e, sozinha, ora aos deuses antepassados e apanha o punhal com a frase “Morra com honra quem com honra já não pode viver”. Beija o filho, lhe venda os olhos e comete suicídio. Pinkerton e Sharpless entram correndo mas Butterfly só tem tempo para apontar o filho com ternura antes de morrer.

Sobre os solistas

Hiromi Omura, soprano (Madama Butterfly)

Atualmente radicada na França, Hiromi Omura nasceu em Tóquio, Japão, e estudou violino antes de iniciar seus estudos vocais. Após a obtenção de seu Bacharelado e Master of Arts em cantar no Tokyo National University of Fine Arts and Music, ela se mudou para a Itália, onde fez sua formação em Mantua e em Milão. Ela, então, transferida para a França para participar do Opera Studio CNIPAL em Marselha. Hiromi foi premiada em concursos internacionais, como Concorso Ismael Voltolini (Buscoldo / Itália, 1998), Concorso Gianfranco Masini (Reggio Emilia / Itália, 1999), Concurso Internacional de Belvedere (Viena, 2000), Concours International d’Opéra de Marseille (Marselha, 2001). Em sua terra natal, depois de sua estreia como Violetta (La Traviata / Verdi) no Tokyo Bunka Kaikan em Nikikai producttion, ela foi convidada para realizar muitos papéis como artista convidada no Novo Teatro Nacional de Tóquio, incluindo Micaela (Carmen / Bizet), Madama Butterfly (Puccini), Nedda (I Pagliacci / Leoncavallo) e Elisabetta (Don Carlo / Verdi). No ano passado, ela apareceu como Sieglinde (Die Walküre / Wagner), no Teatro Biwako em Otsu. Hiromi atuou no papel de Madama Butterfly em inúmeros teatros, como o Deutsche Opera de Berlim, Ópera de Israel (Tel Aviv), e em Montreal, Málaga, Córdoba, Santander, Metz, Lausanne, Ópera Nacional da Polônia (Teatro Wielki) e Savonlinnna Opera Festival, na Finlândia. Em 2012 ela fez sua estreia na cena operística australiana tanto no Sydney Opera House e como no Arts Centre Melbourne. Uma das performances em Melbourne foi distribuída em cinemas em todo o mundo, e foi lançada em DVD. Em abril 2014 ela também foi convidada a repetir a Madama Butterfly em Sydney depois de seu grande sucesso da última vez. Desta vez, ela se apresentou no Handa Opera Sydney Harbour em uma nova produção de palco dirigida por Alex Ollé (La Fura dels Baus). Uma dessas performances está agora em cinemas em todo o mundo. Entre os papéis notáveis de seu repertório estão Norma (Norma / Bellini) na Ópera de Lausanne e na Ópera de Toulon, para abertura da temporada, Leonora (Il Trovatore / Verdi) e Amelia (Simon Boccanegra / Verdi) para a

Ópera de Montreal e Desdemona (Otello / Verdi) na Ópera de Toulon. Ela também interpretou Silvia (Zanetto / Mascagni), La Contessa (Le Nozze di Figaro / Mozart) e Desdemona (Otello / Verdi) para a Ópera Nacional de Lorraine. Mais recentemente, ela atuou como Liu (Turandot / Puccini) para a Ópera de Montreal e Ariadne (Ariadne auf Naxos / R. Strauss) para o Festival de Música do Pacífico em Sapporo, no Japão. No campo de concertos, Hiromi cantou Ein Deutsches Requiem (Brahms) no City of London Festival com a Orquestra Sinfônica de Londres, Nona Sinfonia (Beethoven) com a Orquestra Filarmônica de Tóquio e da Orchestre Symphonique de Nancy, Missa Solemnis (Beethoven) e Missa em C Menor (Mozart), ambas com a Tokyo Philharmonic, Messias (Handel), com a l’Orchestre de Picardie, Sonho de Uma Noite de Verão e Elias (Mendelssohn), ambos com a Orquestra Nacional de França.

Fernando Portari, tenor (Pinkerton)

Com sólida carreira internacional, estreou em 2010 no Teatro alla Scala de Milão em Fausto (Gounod), ao lado de Roberto Scandiuzzi. Apresentou-se com Anna Netrebko em Manon, de Massenet, na Staatsoper de Berlim, sob a direção de Daniel Barenboim. Cantou na Ópera de Roma, Ópera de Hamburgo, Teatro São Carlos de Lisboa, Deutsche Oper de Berlim, Teatro Massimo de Palermo, Teatro Bellini de Catânia, Comunale de Bologna, Novaya Theater de Moscou, Municipal de São Paulo, Teatro Amazonas e ainda em Colônia, Berlim, Sevilha, Tóquio, Helsinki e Varsóvia, entre outros. Recebeu o Prêmio APCA e duas vezes o Prêmio Carlos Gomes. Nome frequente nas temporadas líricas nacionais nos principais papéis, gravou o oratório Colombo, de Carlos Gomes (Prêmio Sharp); A Canção da Terra, de Mahler; o DVD Il Crociato in Eggito (Meyerbeer) no Teatro La Fenice, com Patrizia Ciofi e direção de Pier Luigi Pizzi; o DVD La Rondine (Puccini), produção do La Fenice, com Fiorenza Cedolins, regência de Carlo Rizzi e direção de Graham Vick. Carioca de Vila Isabel, estuda com seu pai, o tenor Pedro Portari, representante da escola de canto do napolitano Pasquale Gambardella, e com seu irmão, Pedro Portaria Filho. Interpretou Henri em Les Vêpres Siciliennes (Verdi) na Ópera de Genebra e Fausto (Gounod) no Teatro Liceo de Barcelona. Voltou ao Teatro alla Scala para cantar Roméo et Juliette (Gounod). Em 2013 debutou no papel de Turiddu em Cavalleria Rusticana e fez Rodolfo (La Bohème) na premiada produção do TMSP. Neste ano, Portari interpretou Don José nas montagens de Carmen no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em abril, e no Theatro Municipal de São Paulo, em maio. Acaba de retornar de Lisboa, onde cantou Werther, com regência de Cristóbal Soler e regie de Graham Vick, no Teatro São Carlos.
Rodolfo Giugliani, barítono (Sharpless)

Aluno de Benito Maresca, o jovem barítono paulistano de 26 anos Rodolfo Giugliani, que iniciou seus estudos de canto aos 14 anos, acumula diversos prêmios em sua carreira, incluindo o de finalista do IX Concurso Jaume Aragall, na Espanha, além do Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas e Concurso de Canto Aldo Baldin. Em agosto do ano passado, foi premiado em 2º lugar no concurso Vozes do Brasil – Prêmio Nacional de Canto Lírico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em seu repertório incluem-se as óperas Rigoletto, Attila, Madame Butterfly, Le Villi, Tosca, La Traviata, Gianni Schicchi, I Pagliacci, Carmen, Cavalleria Rusticana, oratório Colombo e Lo Schiavo.

Denise de Freitas, mezzo-soprano (Suzuki)

A artista exibe qualidade de voz impecável e uma musicalidade extremamente sensível, adjetivo que, no mais, pode-se aplicar às suas interpretações, sempre marcantes, de papéis como Niklaus, nos Les Contes d’Hoffmann (Offenbach); Cherubino, no Le Nozze di Figaro (Mozart); João, no João e Maria (Hänsel und Gretel, de Humperdinck) ou no papel-título da La Cenerentola (Rossini). Em todos eles, Denise tem chamado a atenção da crítica e do público pelo seu timbre profundo e penetrante, bastante adequado à tessitura de papéis como “Dalila”, da ópera de Saint-Saëns, por exemplo. Artista múltipla em suas possibilidades de expressão, Denise de Freitas também estende seu repertório em direção à música sinfônica: El Amor Brujo, de Manuel de Falla, e Das Lied von der Erde, de Mahler, são bons exemplos disso. A versatilidade da cantora espraia-se, também, pela música de câmara, onde destaca-se o brilhante disco gravado ao lado da pianista Eudóxia de Barros dedicado a canções do compositor paulista Osvaldo Lacerda. Denise, aliás, já recebeu prêmios da Rádio MEC e foi vencedora do 4.ª Concurso de Interpretação da Canção Brasileira, o que mostra sua importante relação com a música de seu país.

Sérgio Weintraub, tenor (Goro)

Tenor lírico, natural de São Paulo, Bacharel em Canto pela Faculdade Santa Marcelina, tem atuado regularmente nas temporadas líricas do Theatro Municipal de São Paulo, Camerata Florianópolis, e OSPA, sob a direção de renomados maestros tais como Isaac Karabitchevsky, Luiz Fernando Malheiro, Reinaldo Censabella (do Teatro Colón de Buenos Aires), entre outros, ao lado de cantores internacionais como Renato Bruson em Falstaff (1996), Eva Marton e Dennis O’Neill em Turandot (1997), Luís Lima em Carmen (1998) e Frank Lopardo e June Anderson em Lucia de Lammermoor (2000). Em 2003, sob a regência de Ira Levin, atuou no papel de Steva na estréia nacional da Ópera Jenufa, de Leos Janácek. Participou, em abril de 2006, do X FAO- Festival Amazonas de Ópera- onde atuou como Iago no Otello de G. Rossini, em estreia nacional, sob a regência de Marcelo de Jesus, e em agosto, do V Festival de Ópera do Teatro da Paz, em Belém, onde interpretou o papel de Begiuchira, na Ópera Iara, de Gama Malcher. Em 2010 e 2011 atuou junto a Orquestra Petrobras Sinfônica, onde cantou em primeiras audições nacionais as óperas O Caso Makropulos, de Leos Janácek e O Amor das Três Laranjas, de Sergei Prokofiev, nos papéis de Vitek e Troufaldino, respectivamente. Constam de seu repertório vários títulos como A Flauta Mágica, La Bohéme, L’Elisir D’Amore, Lucia de Lammermoor, La Clemenza de Tito, Don Giovanni, Ievguêni Onieguin, Romeu e Julieta, Werther, Gianni Schicchi entre outros. Seu trabalho abrange igualmente a música sinfônica e de câmera, destacando-se títulos como a Nona Sinfonia de Beethoven, A Criação e As Estações de Joseph Haydn, Magnificat, Missas e Oratórios de J.S. Bach, O Messias de G.F. Haendel, Requiem de Mozart, Donizetti, e ciclos de canção de Schumann, Schubert, Fauré, Debussy, De Falla, Wolf entre outros.

Ivan Jorgensen, tenor (Yamadori)

Tenor carioca, integra o Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Aperfeiçoa-se em técnica vocal com Paulo Louzada. No Festival de Inverno de Petrópolis, protagonizou La Traviata (2004) e Die Zauberflöte (2005). Pela UFRJ, participou das óperas La Cambiale di Matrimonio (2005), Don Giovanni (2005), Il Maestro di Musica (2006) e da estreia de O Pagador de Promessas (2006). Com a Orquestra Petrobras Sinfônica participou da execução da Fantasia Coral de Beethoven (2007) e da montagem da ópera L’Amour des Trois Oranges (2011). Integrou o Conjunto Vocal Calíope, com o qual atuou como solista em O Pescador e sua Alma, de Marcos Lucas (2006/2007), e na Missa em Ré, de Castro Lobo (2006). Com a Cia. Lírica interpretou os protagonistas em La Traviata (2010 e 2011), La Bohème (2009), Madama Butterfly (2010 e 2011), Attila (2011), Faust (2011 e 2012) e Gianni Schicchi (2012). Em coproduções FINEP/Rádio MEC protagonizou, em 2011, Il Trovatore e Norma e, em 2012, Maria Tudor. Com a OSB Ópera & Repertório cantou Il Re Pastore, Ariadne auf Naxos e Il Pirata, em 2012, e O Rapto do Serralho, em 2013. No Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atuou como solista em L’ Orfeo (2007), Magdalena (2010), Petite Messe Solenelle (2011) e Rigoletto (2012). Também integrou o elenco da montagem inédita da ópera Billy Budd, de Benjamin Britten (2013), no papel de Novato, e, em abril de 2014, interpretou o personagem Nemorino em O Elixir do Amor, de Gaetano Donizetti, título que marcou a estreia do projeto Ópera do Meio-Dia.

Daniel Soren, baixo (Bonzo)

Estudou canto nos EUA com Marianne Sandborg e na Alemanha com Walter Donati. No Brasil frequentou a classe do soprano Leila Guimarães, do tenor Ricardo Tuttman e, atualmente, aperfeiçoa sua técnica com o tenor Eduardo Álvares. Como solista interpretou papéis como Dandini em La Cenerentola (Rossini), Conde de Fricandò em As Damas Trocadas (Marcos Portugal), Leporello em Don Giovanni (Mozart), Buff em O Empresário (Mozart) e Simone em Gianni Schicchi (Puccini). Pela Cia. Lírica, deu vida aos personagens Marcello em La Bohème (Puccini), Escamillo em Carmen (Bizet), Sharpless em Madama Butterfly (Puccini), Michele em Il Tabarro (Puccini) e Méphistophélès em Faust (Gounod), além do personagem título, em Attila (Verdi). Integrou o elenco do espetáculo Microscópera Carioca e, em 2011, interpretou Farfarello em O Amor por Três Laranjas de Prokofiev com a Orquestra Petrobras Sinfônica sob a regência de Isaac Karabtchevsky. Em 2012, interpretou Casalichio em O Ouro não Compra o Amor, de Marcos Portugal com a OSB Ópera & Repertório.

Sobre a diretora cênica – Carla Camurati

Após uma premiada carreira como atriz de cinema e tele visão que começa nos anos 80, em 1995 faz seu primeiro longa-metragem, Carlota Joaquina – Princesa do Brasil, filme que se tornou o marco da retomada do Cinema Brasileiro na década de 90, sendo o primeiro grande sucesso de público do cinema nacional daquele período. Em 1996, dirige sua primeira ópera – La Serva Padrona, de Pergolesi, no Teatro SESI Minas, em Belo Horizonte, com regência do Maestro Sergio Manhani. Um ano depois, em 1997, adapta para o cinema a obra de Pergolesi, realizando assim o primeiro filme-ópera do Brasil. Entre 2000 e 2002, dirige Madama Butterfly, de Puccini, nos Teatros Municipais do Rio de Janeiro e Brasília, com regência do Maestro Silvio Barbato, e no Teatro Alfa Real, em São Paulo, com o Maestro Isaac Karabtchevsky. Sua bem sucedida trajetória como diretora de ópera já soma títulos importantes do repertório lírico, entre eles, Carmen (Teatro Alfa e Teatro Municipal de SP), O Barbeiro de Sevilha (Festival de Ópera do Theatro da Paz e Belo Horizonte), Rita de Donizetti (38º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão), Romeu e Julieta (Theatro Municipal do RJ), Tosca (Theatro Municipal do RJ e Palácio das Artes de BH) e O Caso Makropulos, de Janácek, em primeira audição brasileira. Assinou, ainda, na Série Música e Imagem, a direção dos

espetáculos Carmen in Concert, de Bizet; Alexander Nevsky, de Prokofiev; Stabat Mater, de Dvorák; e O Vôo de Lindberg e Os Sete Pecados Capitais, da dupla Weill/Brecht. Em 2001, realiza seu terceiro filme, Copacabana, inspirado em histórias e memórias do famoso bairro carioca. Atuou na área de política cultural na criação da Academia Brasileira de Cinema, que, entre outras atividades, entrega anualmente, desde o ano de 2000, o Grande Prêmio Brasileiro de Cinema. A partir de 2003 cria, em parceria com a Cinemark, o Festival Internacional de Cinema Infantil, agora em sua décima edição. Seu quarto filme, Irma Vap – O Retorno, inspirado na peça de grande repercussão O Mistério de Irma Vap, com Marco Nanini e Ney Latorraca, estreou em 2006. Em 2007, foi convidada pela Secretária de Cultura Adriana Rattes e pelo Governador do Estado Sérgio Cabral para presidir a Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, período em que foram realizadas as comemorações de seu Centenário. Nomeada em outubro de 2007, tem-se dedicado integralmente à coordenação das atividades artísticas, assim como à gestão da grande Reforma de Restauração e Modernização das suas instalações, a maior já realizada nesses anos de existência. Em 2010, foi outorgada com a comenda do Governo do Estado de São Paulo, “Ordem do Ipiranga”. No ano de 2012, assinou a direção artística do grandioso concerto comemorativo pelos 40 Anos do Projeto Aquarius na Praia de Copacabana, com a Orquestra Sinfônica Brasileira regida pelo Maestro Roberto Minczuc.

Sobre o diretor musical e regente – Isaac Karabtchevsky

Em 2009, o jornal inglês The Guardian indicou o maestro Isaac Karabtchevsky como um dos ícones vivos do Brasil. A expressão do jornal tem sua razão de ser: desde os anos 70, Karabtchevsky tem desenvolvido uma das carreiras mais brilhantes no cenário musical brasileiro, comandando o projeto mais ousado de comunicação popular da América Latina, o Aquarius, que reuniu durante anos milhares de pessoas ao ar livre e favoreceu, dessa forma, a formação de um público sensível à música de concerto. Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Petrobras Sinfônica, Diretor Artístico do Instituto Baccarelli e da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Atualmente é também o responsável pela programação artística do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Desde 2000, dirige, na Itália, no Musica Riva Festival, masterclasses para maestros do mundo inteiro. Na Mostra Internacional de Música de Olinda – Mimo – realiza o mesmo curso. Esse período de intensa atividade coincide com sua permanência na Europa, atuando como diretor artístico de diferentes orquestras e teatros. De 1988 a 1994, tornou-se Diretor Artístico da Orquestra Tonkünstler, de Viena, com a qual realizou várias turnês internacionais, tendo sempre recebido críticas consagradoras. Na Áustria, em virtude de sua importante atividade recebeu condecoração do governo austríaco, reconhecimento concedido pela primeira vez a um artista brasileiro. De 1995 a 2001, foi Diretor Artístico do Teatro La Fenice, em Veneza, com uma ousada programação, com títulos como Erwartung, O Castelo de Barba Azul, O Navio Fantasma, Sadko, O Amor das Três Laranjas, Capriccio, Tristão e Isolda, Simon Boccanegra, Don Giovanni, Falstaff, Carmen, Fidelio e numerosos concertos sinfônicos. Com o La Fenice fez extensas turnês tanto na Europa como no Japão. Entre 2004 e 2009, foi Diretor Artístico da Orchestre National des Pays de la Loire (ONPL), na França. Em reconhecimento ao seu trabalho recebeu do governo francês em 2007, a comenda Chevalier des Arts e des Lettres. Tendo também recebido condecorações de praticamente todos os estados brasileiros. Dentre os teatros e orquestras de prestígio dessa fase, estão a Salle Pleyel, de Paris, o Konzertgebouw, de Amsterdã, o Musikverein, de Viena, o Festival Hall, de Londres, a Accademia di Santa Cecilia, de Roma, o Teatro Real, de Madrid, a Staatsoper, de Viena, o Carnegie Hall, em Nova York, o Teatro Comunale, de Bologna, a Rai, de Torino, o Teatro Colón, em Buenos Aires, a Deutsche Oper am Rhein, de Düsseldorf, a Orquestra Gurzenich, de Colônia, Orquestra Filarmônica de Tóquio, etc.

A partir de 2004, Karabtchevsky assumiu a direção da Orquestra Petrobras Sinfônica. Nesta fase prepondera sua vasta experiência no repertório sinfônico e também a visão do regente habituado a títulos do porte de Billy Budd, de Britten e inúmeras produções que o levaram a dirigir, na Ópera de Washington, uma notável realização de Boris Godunov, considerada pelo crítico Tim Page, do Washington Post, como a melhor da temporada de 1999-2000. Sergio Segalini, editor chefe da conceituada revista Opéra Internacional, escreveu que seu Fidelio foi uma das produções mais notáveis desta obra já realizadas. No início de 2011, Karabtchevsky recebeu o convite para dirigir a Sinfônica de Heliópolis, a maior comunidade carente de São Paulo, assumindo paralelamente a direção artística do Instituto Baccarelli. Este projeto se inscreve como um dos maiores desafios recebidos nos últimos tempos, pois vem de encontro à sua aspiração de desenvolver, em comunidades brasileiras, a formação de orquestras jovens. Segundo ele, a educação musical do Brasil poderá ser resgatada com o mesmo impulso esboçado por Villa-Lobos e que foi posteriormente tão bruscamente interrompido. Foi convidado pela OSESP para a gravação da integral das sinfonias de Villa-Lobos, que está se realizando, no período compreendido de 2011 a 2016. Este projeto é resultado de um profundo trabalho de reconstituição das partituras e do resgate de uma importante e esquecida vertente da produção do compositor. Ele foi também Diretor Artístico do Teatro Municipal de São Paulo, da Orquestra Sinfônica Brasileira (1969 a 1995) e da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

Serviço:

MADAMA BUTTERFLY, DE GIACOMO PUCCINI

CORO E ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL E SOLISTAS CONVIDADOS

Música: Giacomo Puccini

Libreto: Luigi Illica e Giuseppe Giacosa

Direção cênica: Carla Camurati

Direção musical e regência: Isaac Karabtchevsky

Cenários: Renato Theobaldo

Figurinos: Cica Modesto

Coreografia de ação: Dani Chao Hu

Iluminação: Carina Stassen

Vídeo Designer: Laís Rodrigues

Solistas:

Madama Butterfly: Hiromi Omura, soprano

B. F. Pinkerton: Fernando Portari, tenor

Sharpless: Rodolfo Giugliani, barítono

Suzuki: Denise de Freitas, mezzo-soprano

Goro: Sergio Weintraub, tenor

Yamadori: Ivan Jorgensen, tenor

Bonzo: Daniel Soren, baixo

Kate Pinkerton: Vivian Delfini, mezzo-soprano

Comissário Imperial: Ciro D’Araújo, barítono

Oficial do Registro Civil: Patrick Oliveira, baixo

Dias 30 de novembro e 7 de dezembro, às 17h

Dias 2 e 5 de dezembro, às 20h

Preços:

* Frisas e camarotes – R$ 600,00

* Plateia e balcão nobre – R$ 100,00

* Balcão superior – R$ 80,00

* Galeria – R$ 50,00

Desconto de 50% para estudantes e idosos Classificação etária: livre

Duração: 2h45, com intervalo

Capacidade: 2.244 lugares

Palestra Falando de Ópera

Apresentação: Maestro Silvio Viegas

Salão Assyrio / Avenida Rio Branco, s/nº – Centro

Entrada Franca, mediante a apresentação do ingresso (todos os dias da temporada, com início sempre 1h30 antes do espetáculo)

Duração: 60 minutos

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Praça Floriano s/n° – Centro

Informações: (21) 2332-9191

Vendas na Bilheteria, no site da Ingresso.com ou

por telefone 21 4003-2330

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