“O Processo” – Eu fui!

Deve ser estranho ser processado por algo que não sabemos o motivo. Deve também ser estranho estar em um palco, como protagonista, contracenando com outros atores, mas sem saber o que vai acontecer, e sequer o texto. E se juntarmos os dois? A Sede das Cias está oferecendo esta oportunidade para o público e para alguns atores durante a temporada de “O Processo”. Quem viveu o protagonista foi Maria Eduarda. “A” Joseph K., como a própria gostava de frisar durante todo o espetáculo.

A peça “O Processo” é baseada no livro homônimo de Franz Kafka, em que o protagonista, Joseph K., é acusado de cometer um crime do qual sequer faz ideia do que seja. A partir daí, precisa se defender das acusações, de causa desconhecida. Nunca havia assistido a uma montagem deste espetáculo, mas o que ouvi falar era sobre uma peça densa, ou seja, totalmente diferente da que assisti.

Maria Eduarda se declarou arrependida por ter se oferecido para participar do projeto, um ano antes. Mas, mesmo com a confissão, tirou de letra a responsa de ter ficado logo com o Joseph K. de um sábado à noite. A atriz é divertidíssima, carismática e conquistou o público, criando histórias misturando sua vida pessoal com a do protagonista. Não dava para saber o que era ficção ou realidade.

Tentando me colocar no lugar de quem está no palco, sempre pensei na dificuldade de como seria um ator estar em cena sem texto, ensaio, nada. Quando cheguei lá, deparei-me com outra visão. Vi que talvez fosse mais difícil para o restante do elenco atuar em um espetáculo novo a cada apresentação. Muito pelo fato de eu não saber, às vezes, se quem comandava a cena era Maria Eduarda ou os outros atores. A capacidade de improviso deve ser igual em todos os lados.

Enfim, fiquei com vontade de assistir a outras apresentações para saber qual seria o desempenho dos outros escolhidos. Mas as oportunidades serão poucas, porque a temporada de “O Processo” chega ao fim dia 24 de novembro na Sede das Cias. É uma pena! Mas, por outro lado, um alívio para os outros atores que já interpretaram Joseph K., pois acho difícil que alguém o faça tão bem quando Maria Eduarda o (ou “a”) fez.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

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