“MORDE!” – Eu fui!

Uma atriz contando histórias divertidas e reais no palco. Parece que estou me referindo a um espetáculo de stand up, não é? Mas não é assim que “Morde!”, monólogo escrito e atuado por Simone Kalil, se descreve. Provavelmente pelo fato da atriz utilizar recursos de cenário e figurino – inclusive com troca. Mas o efeito que causa no espectador é praticamente o mesmo, ou seja, casos engraçados, interação com o pequeno – porém lotado – público do Sesc Tijuca. Mas sem aquela zoação exacerbada, que a própria artista revelou não ser fã.

A criatividade Simone usa apenas para brincar com a plateia, na difícil tarefa de comandar um espetáculo sozinha. Porque o que ela conta, segunda a própria, sai de sua própria vida, e não de sua imaginação. “Todas as histórias são reais. O ‘exagero’ talvez aconteça na forma cênica de contá-las. Mas não há invenção. Acredito que parte da graça da peça esteja nessa brincadeira, nesse jogo onde a realidade parece mentira e o palco se torna realidade”, explica.

Os temas vão mudando, mas geralmente falam de gafes que Simone comete, ou dos que seus amigos a fazem cometer. Tanto em uma viagem mochilão à França, quanto em um churrasco de um (des)conhecido. Os integrantes de sua família são personagens à parte, sempre presentes nos “causos”. Principalmente quando a própria zoa os hábitos de seus pais e tios de origem árabe. O texto só se torna mais sério quando explica a paixão da artista por sua arte (podemos dizer, como o bichinho do teatro a mordeu, para explorar o título da peça).

Enviei algumas perguntas para ela antes de ir assistir à peça. Depois que mandei, lembrei que tinha esquecido (perdão pelo antagonismo dos dois termos) de indagar a respeito do nome “Morde!”. Mas logo pensei que isto seria explicado no espetáculo. Trata-se de uma expressão que a própria Simone usa em seu trabalho, quando quer de si e dos outros mais emoção, força, garra… Enfim, uma mordida carinhosa e do bem =)

O carinho com que Simone trata seu trabalho, o público e equipe – parte dela presente – merece ser visto. Talvez não seja esta a vez, pois o espetáculo está saindo de cartaz amanhã. Mas capaz de ano que vem estar em algum outro teatro da cidade. Isto significa que a atriz continuará defendendo seu trabalho com unhas e, principalmente, dentes.

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelo convite.

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