Exposição “Virei Viral”, no CCBB

Em sua segunda edição, o Virei Viral – exposição que apresenta questões da cultura contemporânea por meio de suas manifestações artísticas – propõe uma reflexão sobre as identidades que se manifestam no mundo virtual, em um fluxo constante e pulsante de pequenos eventos que moldam personalidades e subjetividades.

O que acontece quando estes eventos cotidianos se multiplicam e se tornam hipertextualizados? A identidade é formada ou deformada pela superabundância de episódios simultâneos e multidimensionais?

A partir destes questionamentos, a curadoria da exposição Virei Viral 2014 apresenta trabalhos que refletem, questionam, ironizam, reverberam, polemizam e retratam pontos de vista acerca da identidade.

Os trabalhos selecionados apresentam dilemas da contemporaneidade de forma leve, irônica, crítica, onírica, divertida, bela, metafórica – sempre tendo o “eu” em tempo de múltiplas plataformas como fio condutor.

O tema certamente encontra reverberação entre o público brasileiro: o “Livro dos Rostos” já soma mais de 1,3 bilhões de usuários, sendo 89 milhões apenas no Brasil – o que representa 80% dos internautas do País. Um imenso exército que cria, recria, molda, expõe, compartilha e fragmenta seus perfis e interesses diariamente na rede – numa profusão de identidades e representações inimagináveis.

Montada para repetir o sucesso de sua primeira edição, quando recebeu mais de 120 mil visitantes e foi eleita uma das melhores exposições em cartaz no Rio de Janeiro, o Virei Viral 2014 contará com atividades interativas entre artistas e público, nas redes sociais e ainda intervenções do público na exposição, além de atividades lúdicas e educativas.
Os trabalhos selecionados dialogam com diferentes plataformas, linguagens e estéticas, sempre abordando as diversas possibIlidades do “eu” / “SELF”: em algumas obras os próprios artistas se expõem, em outras, convidam o público para numa simbiose entre criador e criação.

A diversidade de olhares sob o tema proposto nesta segunda edição do Virei Viral abarca trabalhos distintos, que passeiam por técnicas variadas. O elegante contraste entre o vídeo surrealista de Antonia Leite e a fotopintura de Mestre Júlio; a fé que depositada nas imagens em objeção à valorização da percepção individual questionada na obra de Claudia Jaguaribe, na fotografia imaginária das polarOides de Tom Lisboa e na contestação precisa de Khalil Charif em O que vemos. O que nos olha.

Narrativas que misturam nostalgia, efemeridade e padronização nas obras de Dora Reis, Markus Hofko, Yuli Anastassakis e Kyle Thompson. O reconhecimento e pertencimento apresentados no conto cheio de alegorias filosóficas da obra de Anthony Marcellini.

A subjetividade poética concedida despretensiosamente aos nossos “gadgets-tec-trecos” apresentada em I Phone me, I Phone you de Marcus Faustini em contraponto com Post Secret, de Frank Warren, onde transparece a dor da intimidade de segredos sonegados.

O renomado e dificilmente categorizável fotógrafo Michael Wolf questiona o panóptico e a artista plástica Ana Hupe manifesta a hiper-exposição. Bruno Veiga e Alexandre Mazza, o primeiro de forma irônica e o segundo de forma reflexiva, abordam a individualidade versus padronização/representação.

A temática também é refletida no trabalho da artista Stefanie Posavec, que dá vida “real” aos desempenhos e padrões identitários nas mídias sociais. E, como que numa síntese da proposta curatorial, revelamos a sutileza da designer Camila Valladares e seus “pacotes de identidade”, uma autêntica e delicada provocação de interpretação de si mesmo.

 
Entrada gratuita / Quarta a segunda de 9h às 21h CCBB RJ | Rua Primeiro de Março, 66 – Centro Exposição na Sala B e no Foyer da Bilheteria

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