Festival de Poéticas Digitais – PODfest

Experimentação é a palavra-chave do PODfest – uma plataforma para as mais variadas possibilidades de interação entre corpo, arte e tecnologia. A primeira edição do Festival de Poéticas Digitais acontecerá na Casa da Glória, de 13 a 19 de outubro, e promoverá oficina, seminário e exposição. O Festival de Poéticas Digitais é patrocinado pela Secretaria Municipal de Cultura por meio do Programa de Fomento à Cultura Carioca.

Criado por Paulo Caldas – curador e diretor artístico junto com Leonel Brum – o PODfest visa a aproximação de matrizes artísticas que podem ir da videodança à poesia eletrônica, passando pela videoarte, videoinstalação, videomapping, web art, cinema de exposição e performances transmídia. “Nossa ideia é abrir espaço para a construção de novas cartografias de criação contemporânea”, explica Caldas.

Com direção de produção de Regina Levy, o evento reúne os mesmos criadores e diretores do dança em foco – Festival Internacional de Vídeo & Dança, aproveitando a experiência do trio no estabelecimento de parcerias com festivais nacionais e internacionais. A partir de propostas poéticas digitais, a programação do festival inclui ações de difusão e formação em torno daquilo que foi definido como eixo temático desta sua primeira edição: o gesto interativo.

Em 2014, o PODfest agrega seis festivais/ instituições ligados à arte e tecnologia: dança em foco – Festival Internacional de Dança & Vídeo (Rio de Janeiro), École Media Art (França), Kondition Pluriel (CA), Multiplicidade (Rio de Janeiro), Société des Arts Technologiques (Canadá), #.art (Brasília). Seus curadores indicaram artistas e obras para integrar sua programação.

O seminário realizado pelo PODfest tratará de temas ligados à interatividade, curadoria e história da arte digital, e contará com a participação de nomes como Armando Menicacci (Itália/França), Batman Zavarese (Rio de Janeiro), César Baio (Ceará), Fernando Velázquez (Uruguai/São Paulo), Giselle Beiguelman (São Paulo), Lucas Bambozzi (São Paulo), Martin Kusch (Canadá), Olivier Perriquet (França), Rosane Chamecki (BR/EUA) e Suzete Venturelli (Brasília).

SERVIÇO PODfest
LOCAL: Casa da Glória
ENDEREÇO: Ladeira da Glória, 98 – metrô Glória
DATA: de 13 a 19 de outubro de 2014
EVENTO LIVRE E GRATUITO
HORÁRIOS:
Exposição: de 14 a 19de outubro, das 14h às 21h
Oficina: de 13 a 16 de outubro, das 9h às 13h – inscrições de 19/09 a 05/10 diretamente no site do evento: http://www.podfest.com.br
Seminário: de 15 a 17de outubro, das 14h às 17h – inscrições de 25/09 a 10/10, diretamente no site do evento: http://www.podfest.com.br

SEMINÁRIO
Mesas propostas:
I: Interatividade – 15/10/2014 – Horário: 14h às 17h
Armando Menicacci, Fernando Velázquez, Lucas Bambozzi e Olivier Perriquet
Mediador: Paulo Caldas
II: Programação e curadoria – 16/10/2014 – Horário: 14h às 17h
Batman Zavarese e Suzete Venturelli
Mediador: Armando Menicacci
III: Estética e História – 17/10/2014 – Horário: 14h às 17h
César Baio, Giselle Beiguelman, Martin Kusch e Rosane Chamecki
Mediador: Leonel Brum

OFICINA 13 a 16/10 – 9 às 13h (total: 16 horas – 4 dias)
“Ensaio para atravessar paredes” com Cesar Baio
Proposta resumida
A ideia é fazer do workshop um espaço comum que aproxime o proponente dos artistas participantes, criando um lugar de trocas de experiências e invenção. O workshop é direcionado a artistas, designers e estudantes universitários e não exige nenhum conhecimento técnico prévio. Os participantes serão introduzidos ao campo da eletrônica e convidados a um exercício de criação artística que visa a explorar poeticamente a busca pela superação das barreiras que nos separam.
Cronograma – Carga horária: 16h, dividida em 4 dias, de 13 a 16 de outubro – das 9 às 13h.
Dia 1: Apresentação da proposta, tema e referências. Introdução à eletrônica básica. LED, chaves, circuitos básicos.
Dia 2: Análise coletiva dos trabalhos trazidos pelos participantes. Experimentos sobre como trabalhar com os objetos. Início do projeto de interface do circuito de parede.
Dia 3: Finalização do projeto do circuito de parede e pintura.
Dia 4: Finalização da pintura, fixação dos materiais e componentes auxiliares e testes.
FESTIVAIS / INSTITUIÇÕES E OBRAS CONVIDADAS
I. Instituição ou festival convidado: EMA – École Media Art
Curador: Armando Menicacci (Itália)
Site: http://www.emafructidor.com
Indicação: Martin Kusch
OBRA: As Far as In-Between (1992)
A instalação videográfica “As Fas as In-Between”, apresentada pela primeira vez em 1992 na Studio Galerie, em Graz (Áustria), foi exibida no Ave Festival, no Arnhem Museum, no Intelligente Systeme, do festival Ars Electronica, Linz (Áustria), em 1994, e no Concrete Visions da 4th Istanbul Biennale, Turquia, em 1995.
Indicação: Jacques Perconte
Nascido em 1974, em Grenoble, vive e trabalha atualmente em Paris. É reconhecido com um dos pioneiros da web art na França e, sobretudo, com um dos primeiros a abordar o vídeo digital como uma mídia específica, dando à arte digital umanova dimensão pictórica. Suas obras têm circulado desde 1997 e, em 2010, a Cinemateca Francesa concedeu dois projetos como Cartes Blanches. A edição de 2013 do festival Côté Court, dedicada à sua obra, exibe cerca de 30 filmes de sua produção.
OBRA: Chuva (2012)
Filme digital (HD, 8 min.). Por sua trajetória singular, Chuva mostra que as gotas da água de chuva, apesar de sua transitoriedade, deixamvestígios e impressões suficientes para a criação de imagens de extrema riqueza visual.
Indicação: Olivier Perriquet
OBRA: Close encounters of the remote kind (2013)
A instalação se apresenta uma grande imagem projetada no chão; pode-se observar figuras que formam animais aquáticos, e que são transformadas automaticamente por meio de recursos algorítmicos.
II. Instituição ou festival: Multiplicidade
Curador: Batman Zavarese (Rio de Janeiro)
Site: http://www.multiplicidade.com
Indicação: Fernando Velázquez
OBRA: Reconhecimento de Padrões (2014)
da série Mindscapes, #L1, after Dan Flavin
Em “Reconhecimento de Padrões”, o artista Fernando Velázquez amplia a sua pesquisa no âmbito dos sistemas interativos e da experimentação com dispositivos alternativos de imagem em movimento com os quais comenta o fenômeno da crescente mediação da realidade imposta pelos dispositivos tecnológicos. Nainstalação, Velázquez aponta para a complexa relação entre o ser humano, o ambiente e os sistemas digitais que regem o mundo contemporâneo. A circulação do visitante na sala interfere na paisagem projetada em 12 planos introduzindo ruído no circuito, as imagens se aceleram ao contaminar-se da presença humana reconfigurando temporariamente o espaço.
III. Festival ou instituição: #.art
Curador: Suzete Ventureli (Brasília)
site: http://www.medialab.ufg.br
Indicação: LATE! – Laboratório de Arte e Tecnologia
É um coletivo para-acadêmico de artistas/cientistas de diversas áreas, que desenvolve projetos de arte computacional permeando arte, ciência e educação.  Osprojetos incorporam sempre algum tipo de interatividade, sejam eles instalações, performances ou intervenções. O objetivo é incluir o público diretamente na construção da obra, estabelecendo com ele um diálogo. Neste caso, sem o interator a obra não acontece.
OBRA: Jogo Zer0 (2014)
Jogo Zer0 convida o público a ficar à deriva em um universo dominado por formas geométricas. Através de interações com outras formas geométricas, o jogador é capaz de evoluir de uma forma de linha simples para outras mais complexas. Conforme as interações ocorrem, reações em cadeia criam a trilha sonora do jogo. O jogador controla a direção em que deseja movimentar-se usando os gestos da mão, experimentando um outro tipo de interação com a obra.
IV. Festival (ou instituição): dança em foco
Curadores: Paulo Caldas e Leonel Brum (Rio de Janeiro)
site: http://www.dancaemfoco.com.br
Indicação: chameckilerner
Depois de concluírem cursos de graduação em dança, Rosane Chamecki e Andrea Lerner mudaram-se de Curitiba para Nova York, em 1989, onde começaram sua carreiraprofissional como coreógrafas. Ao longo de mais de 20 anos de colaboração, criaram mais de 20 espetáculos e foram ganhadoras de prêmios como The Guggenheim Fellowship e The Foundation for Comtemporary Arts, entre outros.
Atualmente, as artistas vêm desenvolvendo obras em outros suportes, sobretudo estruturas instalativas e fílmicas, Nestes últimos anos, chameckilerner criou 7 projetos para video, desenvolvidos e apresentados  em parcerias com a bienal Performa 09, Robert Wilson’s Watermill Center,  EMPAC, Festival Dance on Camera at Lincoln Center, entre outros.
OBRA: Samba (2014)
Considerada uma das principais manifestações culturais populares brasileiras, o samba é um ícone da identidade nacional: ao ouvir o ritmo, qualquer brasileiro, esteja onde estiver, é transportado para um estado de “brasilidade”, no qual o corpo começa a se movimentar mais vagarosamente, de maneira sutilmente ritmada, ondulada, em uma reação corporal involuntária e profunda. Rosane e Andrea (chameckilerner) são duas mulheres nascidas no Sul do Brasil, ambas de ascendência europeia – mais precisamente da etnia polonesa – O samba é uma familiaridade que lhes nos “pertence”, é uma manifestação cultural com a qual elas se identificam, porém com certa estranheza.  E foi esta impossibilidade de “total pertencimento” que provocou a reflexão artística a respeito dessa manifestação corporal maravilhosa, porem transbordada de clichês, que é o samba.
Ao se deparar com “Samba” em extremo slow motion, o espectador acompanha o movimento do corpo no espaço, a cada instante. A tensão entre o movimento dos quadris e das pernas cria uma dinâmica na pele, que é de uma imprevisibilidade fascinante. Ao dissecar o samba, o clichê desmorona, em seu lugar vivencia-se  uma “dança da carne”, ao mesmo tempo bela e feia, caótica e ordenada, voraz e primitiva. E, como se, de repente, os olhos pudessem ver tudo o que a mente instintivamente sempre sentiu ao ver alguém sambar, a sexualidade, a violência, o animal. O samba e nossa paisagem visceral.
OBRA: Eskasizer – Jennifer, Hillary, Sally e Gabri (2014)
Quem não se lembra das primeiras máquinas elétricas de correia “Eskasizer”, que prometiam firmar nossos corpos, na década de 50? Na publicidade da bela mãe, massageando sua cintura, na esperança de tonificar o inegável envelhecimento do corpo.
“Eskasizer” é uma coleção de imagens de quatro mulheres, de distintas idades e aparências, seus corpos em contato com as cintas vibratórias são filmados em camera lenta (500 frames / segundo).
Em Eskasizer, há uma estranheza, um conflito entre o mecânico e o visceral, o corpo que e movido, e o corpo que move. A câmera, fechada nos corpos, procura uma abstração. Mas ainda assim, as quatro mulheres ressurgem, suas identidades cravadas na forma, textura e movimentação de seus corpos. Cada mulher com peso, luminosidade e movimentação distinta – resultado da singularidade coreográfica de cada corpo.
Para a instalação, quatro grandes telas formam um ambiente em cujo centro o público se dispõe. A obra se desenvolve por 13 minutos e, em cada tela, exibe close-ups desses corpos em movimento.
Indicação: Cesar Baio
OBRA: Es p aç os de F al h a (2014)
Es p aç os de F al ha é uma série de fotografias de cidades em que o fotógrafo viaja, realizadas com aplicativos de produção de panoramas para smartphones. Em vez de seguir as instruções do programa para obtenção de uma “boa” imagem, ele utiliza estes recursos buscando testar os limites dos algoritmos de inteligência artificial que analisam, enquadram, fundem e recortam automaticamente um conjunto de imagens, visando a reconstruir a geometria espacial linear da fotografia em uma imagem panorâmica.
O trabalho parte de uma pesquisa sobre as dimensões políticas e estéticas dos algoritmos inteligentes comuns atualmente em câmeras, celulares e interfaces em rede, seja para aplicar filtros de efeitos digitais, para identificar pessoas e expressões ou para ver ruas, mapas e imagens via satélite.
Indicação: Armando Menicacci
OBRA: Prototype n.1:  machine pour réécrire le passé (2013)
A instalação interativa Protype n.1 permite uma tomada de consciência do acúmulo de automações existente em nossos movimentos; trata-se de uma agitação nas águas paradas da nossa insistente repetição do mesmo.
V. Festival (ou instituição): curadora independente
Curadores: Isabelle Arvers
Site: http://www.isabellearvers.com
Isabelle Arvers é especializada em novas mídias,atuando pioneiramente na game art, na França. Foi curadora da Playtime, uma sala de jogos no festival Villette Numérique (2002) e, desde 2005, organiza exposições no Centre Pompidou e em diversos festivais na França e no exterior sobre machinima (filmes realizados em mundos virtuais usando programas em 3D ou videogames).
Indicação: OBRAS diversas de web art (obras concebidas pela e para a rede e que privilegiam procedimentos interativos) e machinima (obras videográficas realizadas a partir de materiais gráficos pré-existentes em games).