“Os Sapos” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

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Quem nunca viveu uma noite em que tanta coisa aconteceu que o momento entrou para a história? A personagem Paula sabe muito bem o que é isso. O premiado espetáculo “Os Sapos”, escrito por Renata Mizrahi, mostra a moça indo a um encontro de ex-colegas de colégio. Lógico que ela pensava que o evento seria emblemático, mas não desta forma. Sem querer, Paula se torna pivô das brigas entre os casais Marcelo e Luciana, e Cláudio e Fabiana. Mesmo sendo vítima de boa parte das situações, a personagem sai como se fosse a principal agente da maioria dos conflitos.

Os casais são formados por personagens propensos à desestruturação. Marcelo (nitidamente interessado em Paula) e Luciana (insatisfeita com o relacionamento não assumido que já dura oito anos) formam um par que parece estar em sintonias diferentes. Cláudio (perfil de psicopata, achei) e Fabiana (apaixonada pela visão idealizada que tem de Cláudio e reprimida por desejos que não consegue realizar) se desentendem pelo ciúme e controle exagerados do primeiro, que não a deixam fazer coisas por vontade própria. As mulheres em questão têm algo em comum: a vontade de fugir da situação na qual se encontram. E veem em Paula uma liberdade em que se espelham.

Foto: apetecer.com

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A história se passa em uma pacata cidade onde Luciana aluga uma casa. Os personagens transformam toda a tranquilidade do local, e os conflitos acontecem em apenas um dia. Os sapos que nomeiam a peça se encontram no banheiro, mas também podem se referir aos que Paula tem que engolir com toda a confusão em que é envolvida. As brigas por motivos passionais lembram um filme de Pedro Almodóvar. Crise, ação descendente, tudo se dissolve e vida que segue.

A visita de Paula começa normal, cordial. Mas o clima vai ficando tenso com o decorrer. Só que algumas situações são tão absurdas que, para quem vê, é muito divertido. A forma como o estresse vai aumentando em cena é inversamente proporcional ao do público. Quer dizer, conforme o enredo se torna mais conflituoso, o espectador se diverte cada vez mais.

O cenário reproduz uma casa em algum lugar remoto, e as situações simulam se passarem em ambientes diferentes. Mas a cenografia é sempre a mesma. Inclusive os atores se mantêm quase todo o tempo expostos ao público, ou seja, quem não está em cena no momento fica sentado nas laterais do palco, assistindo e esperando sua vez de entrar. O desempenho de Paula Sandroni, Ricardo Gonçalves, Fabrício Polido, Gisela de Castro e Priscila Vidka – ocupando o lugar de Verônica Reis, na pele de Paula – é convincente. Esta última mostra segurança de diretora da peça – que realmente é – na substituição.

Muitos teatros já abrigaram “Os Sapos”, tornando o espetáculo muito bem sucedido. Mas a temporada na Sede das Cias acaba amanhã, e a montagem passará a ser realizada em outros palcos. Isto significa que os sapos continuarão a coaxar, com as intrigas de seus personagens, e a diversão da plateia, ainda por um bom tempo.

 

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FICHA TÉCNICA
Texto e concepção: Renata Mizrahi
Direção: Priscila Vidca e Renata Mizrahi
Elenco: Gisela de Castro, Paula Sandroni, Fabrício Polido, Ricardo Gonçalves e Verônica Reis

SERVIÇO
Local: Sede das Cias
Endereço: Rua Manuel Carneiro, 12 – Lapa (Escadaria Selarón)
Informações: (21) 2137-1271
Horário: de sexta à segunda, às 20h
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)
Duração: 70 minutos
Bilheteria: abre 1 hora antes do espetáculo
Gênero: Drama
Capacidade: 60 pessoas
Classificação etária: 14 anos
Temporada: de 06 a 29 de setembro

 

P.S.: Agradeço a Sede das Cias pelos convites.

 

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