“O confete da índia” – Eu Fui!

Foto: Divulgação

Alguns doutos ditosos acreditam que o homem não seja regido por condições inatas que descrevem e estabelecem seus comportamentos. Eles crêem em um processo de endoculturação, onde este mesmo homem é capaz de aprender, por meio do convívio com seus semelhantes todo um código de conduta que será usado pela vida. Estes alguns e também alguns outros propagam que, o que diferencia a espécie humana de outros animais é a capacidade de passagem do conhecimento e a elaboração de instrumentos que possam servir como extensão de seu corpo e, com isso, um ser que seria, no ponto de vista biológico, considerado frágil, domina o mundo e se torna senhor dele.

No espetáculo “O confete da índia”, o coreógrafo e performer André Masseno interpreta um ser antropomórfico antropófago, não no sentido de se alimentar da carne de um outro da mesma espécie, mas no sentido de destruir qualquer tipo de pensamento ou crença sobre o comportamento humano. Assim sendo, ele está pronto para aniquilar tudo o que se escreveu no primeiro parágrafo do texto. Ele exprime um ser de forma humana, desprovido desta programação (com acepção computacional mesmo) e, com isso, devora todo e qualquer forma de paradigma que possa ser entendido como ser humano em sociedade. Ele, em cena, está num estado superprimitivo ou superevoluído, onde nem mesmo as reações conhecidas como instintivas podem ser claramente observadas, pelo menos foi desta forma que os meus olhos contemplaram.

Meu texto é alegórico, sim. É exatamente o olhar do outro. É a forma de como presenciei a convincente performance de Masseno em cena. Para este olhar anterior, mesmo os primeiros hominídeos que engendraram as mais incipientes ferramentas, ele canibalizaria. Ele come o homem moderno, quase o descome e, após tudo: deita e rola. Ele choca o espectador acostumado com padrões e regras preestabelecidas mostrando-nos uma forma humana agindo como um ser que não conseguiria nomear. Contudo, após a apresentação de ontem eu posso dizer que tenho uma quase certeza: tudo o que eu ler ou o que me disserem será pequeno comparado ao que vi.


 

A apresentação de ontem foi única, na SEDE das Cias. Quem quiser assistir a André Masseno em “O confete da índia” poderá, no Galpão Gamboa, conforme abaixo:

SERVIÇO
Data: 06 e 07/09 (sábado e domingo)
Horário: Sábado, às 21; domingo, às 20h
Local: Galpão Gamboa – Teatro
Capacidade: 80 lugares
Endereço: Rua da Gamboa, 279 – Centro – RJ
Telefone: (21) 2516-5929
Ingressos: R$ 20 (inteira)/R$ 10 (meia)/R$ 5 (para moradores dos bairros da Zona Portuária, apresentando comprovante de residência)
Vendas de ingressos:
– No Galpão: Terça a quinta: das 14h às 19h (Nos dias de espetáculo a bilheteria funciona das 14h até a abertura da sala ou até esgotarem os ingressos)

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