“Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir” – Eu Fui!

“Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir”. O nome do espetáculo é longo e intenso. Uma amostra das emoções que viríamos sentir durante toda a sessão. Em cartaz na Casa da Glória, texto de Tennessee Williams recebe uma montagem linda e que mexe de forma profunda com os sentidos do espectador que vai lá conferir.

O espetáculo se passa em estações que quebram o paradigma da caixa cênica e nos transporta para o dia-a-dia do casal, com seus desencontros, suas angústias, dúvidas e contradições. Estas estações são ambientadas na Casa da Glória, cenograficamente detalhada a fim de criar o ambiente para o espectador, este projetado na encenação.

Quanto aos personagens: é como se existisse uma parede invisível que separasse ele e ela. Os dois, comuns como qualquer de nós. As falas

Os atores Saulo Rodrigues e Ângela Câmara / Foto: apetecer.com - arquivo

Os atores Saulo Rodrigues e Ângela Câmara / Foto: apetecer.com – arquivo

ecoam, ressoam. O clima tenso é constante. Há alternância de humores, bucolismo, alcoolismo. Tendências de fuga que a natureza humana encontra para fugir desta própria natureza.

Voltando à ambientação, ela é toda propícia à projeção do espectador no turbilhão de emoções encenado. É como se fôssemos atirados, ou melhor, sugados pela convivência entre ele e ela. Não posso me furtar de ressaltar a atuação fantástica dos atores Ângela Câmara e Saulo Rodrigues. Eles são parte de tudo o que relatei e vou relatar. Não é interpretação, é vida. Eles dão vida (com toda a carga semântica da palavra) ao casal, o que expande ainda mais a experiência do espectador.

Os recursos imagísticos da narrativa somados a tudo que nos circunda nos leva a experiências sensoriais e sinestésicas impressionantes. Em determinada estação, em meio à peça, é como se estivéssemos tomados por um transe, como se nossa respiração ritmasse com a do personagem que o nosso ponto-de-vista acompanha na cena, por vezes, simultânea. É como se peregrinássemos pela casa em ritual a fim de assistir (sem preposição mesmo) o que se sucede ou o que precede. É como se nos sentíssemos como um deles, a angústia de que alguma divindade surgisse e acabasse com a atmosfera trêmula e quebrasse a parede invisível.

Como o elemento água, desde o título da peça, até a sua utilização durante a montagem, bem que esta divindade poderia ser uma náiade, ou talvez Possêidon. Mesmo sendo água, poderia ser Hefesto, porque também há fogo. Poderia até mesmo ser Dioniso. Todavia, devido à magnitude (a aristotélica mesmo), apenas Zeus acompanhado das musas Erato, Euterpe, Melpômene, Terpsícore e Calíope para exercer o Deus Ex Machina e, por fim, nos retirar do transe a que fomos submetidos.

Portanto, quem deseja conferir este espetáculo do grupo Os Dezequilibrados, deve se atentar, pois a peça fica em cartaz somente até 17 de agosto. É uma ótima oportunidade para quem gosta de apreciar belos trabalhos de produção, direção e elenco. Nossos sinceros parabéns a todos os envolvidos. É imperdível!

Endereço: Ladeira da Glória, 98 (ao lado do Outeiro da Glória)

Entrada para a rua ao lado do Amarelinho da Glória

Temporada: até 17 de agosto de 2014 Prorrogado até 28 de setembro de 2014

Duração: 80 minutos

Bilheteria: uma hora antes de cada sessão, R$ 30,00

Informações: (21) 3259-3554

Obs: Em caso de chuva serão distribuídos guarda-chuvas e capas de chuva

http://www.facebook.com/falacomigocomoachuva

http://www.facebook.com/osdezequilibrados

 

Número 2 do noso Top 5 de melhores peças do ano

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/29/deixa-clarear-musical-sobre-clara-nunes-eu-fui/

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