“Ópera do Malandro” – Eu fui!

O Espetáculo

Atualizado em 18/07/2014
Foto: apetecer.com

Teresinha e Max Overseas – Foto: apetecer.com

Estreou ontem, dia 17 de julho, o musical “Ópera do Malandro”, no Theatro Municipal, uma imensa contribuição para a memória e desenvolvimento da cultura nacional. Com um elenco bem escolhido, figurino bem feito, texto engraçado. Além, claro, do famoso repertório da peça. Enfim, belíssima adaptação da obra de Chico Buarque.

Semana passada, na apresentação para a imprensa, o cenário parecia bruto, com estruturas tubulares e escadas por onde os atores deslocam-se e posicionam-se, sem tecidos ou acabamento aparente. Pensei que no Municipal seria diferente, que as estruturas seriam ornadas. Mas não. Todavia, peço desculpas por ter julgado bruto etc. Porque na apresentação à vera, a atmosfera cênica criada pela estrutura citada, somada aos elementos de luz e cor, trazia uma ótima impressão e transportava-me para a época e local pelos quais transcorre a narrativa. Os atores deslizavam pelos diversos níveis da arquitetura com extrema naturalidade. Solução muito bonita e funcional.

O elenco está afiado e afinado. Moyseis Marques não demonstrava insegurança por estrear profissionalmente como ator, logo no palco mais importante do país, o Theatro Municipal, interpretando o anti-herói Max Overseas. As muchachas de Copacabana, junto com a orquestra que esbanjava energia, começaram com tudo, incendiando a plateia, esbanjando latinidade. Outro que causou esse efeito foi Eduardo Landim. Na pele de Geni, recebeu as maiores ovações com a interpretação de “Geni e o Zepelim”. Destaco também a performance de Adrén Alves, que vive Vitória, mãe de Teresinha (Fábio Enriquez). Tanto como ator, quanto como cantor (excelente afinação e extensão vocal impressionante).

Geni -  Foto: apetecer.com

Geni – Foto: apetecer.com

Mas, o que é Léo Bahia, hein? Quer dizer, já o assisti roubando a cena em “The Book of Mormon”, na Cidade das Artes, como um sensacional Elder Cunningham. Desta vez, ele vive a apaixonada Lúcia. Após um diálogo acalorado com Max Overseas (Moyseis Marques), interpreta de maneira nunca antes vista (e ouvida) a canção “Palavra de mulher”. Assim, toda vez que ele surge, é uma presença de palco impressionante. Canta, interpreta e faz gargalhar como poucos.

Enfim, antes de partirem para a temporada no Theatro Net Rio, a “Ópera do Malandro” terá mais três apresentações no Theatro Municipal, pertinho da Lapa, casa destes carismáticos personagens do reduto mais boêmio da capital fluminense.


A apresentação para a imprensa

Publicado em 13/07/2014
Moyseis Marques, na pele de Max Overseas Foto: apetecer.com

Moyseis Marques, na pele de Max Overseas Foto: apetecer.com

A partir da semana que vem, a Lapa dos anos 40 será representada no Rio de Janeiro de 2014. Estreia na próxima quinta-feira, no grandioso Theatro Municipal, a mais nova remontagem da “Ópera do Malandro”, obra de Chico Buarque, de 1978. Mais de 10 atores estarão em cena, fazendo assim jus ao local de início da temporada. Já familiarizado, tanto com os palcos quanto com o cenário onde a história se passa, o cantor / ator Moyseis Marques encabeça o elenco, vivendo Max Overseas.

Para quem estranhou o nome de Moyseis Marques no papel do protagonista, esta é a estreia profissional do artista nas artes cênicas. “Tenho uma experiência com teatro amador, na escola. E é claro que o palco é o meu lugar, independentemente do que eu esteja fazendo em cima dele. Já trabalhei como animador de festa infantil, fazendo teatro para criança, fui mestre de cerimônias de eventos e acabei enveredando pelo lado da música, mas com o ator dormindo aqui em mim, em algum lugar. E agora João Falcão despertou o ator que estava dentro de mim”, comenta ele, que parece levar da melhor forma possível a responsabilidade da estreia do espetáculo em palco tão importante.

Mineiro de Juiz de Fora, Moyseis Marques tentou aplicar a própria experiência da vivência na noite para compor o seu Max Overseas. “O João (Falcão, diretor do espetáculo) pediu que eu não visse nada das adaptações anteriores. E é claro que eu não obedeci (risos). Mas procurei colocar essa malandragem, que é carioca. A história se passa na Lapa, que é um ambiente a que eu estou bastante acostumado”, explica ele.

A adaptação de 2014 traz uma peculiaridade: o elenco é composto quase exclusivamente por homens, com apenas uma atriz. Isso significa que os rapazes também interpretam os personagens femininos. O diretor, João Falcão, explica esta escolha. “A questão de mulheres fazendo papeis de homens e vice-versa dão um toque especial para esta montagem. Remete aos primórdios do teatro, quando somente homens faziam”, conta ele.

O diretor, João Falcão Foto: apetecer.com

O diretor, João Falcão Foto: apetecer.com

Moyseis Marques, outro fruto das escolhas de João Falcão para esta remontagem, arranca elogios do diretor. “Já havia visto o Moyseis em vídeos na internet e tinha visto como era carismático, como cantava bem, é expressivo. Vi algumas entrevistas e pensei, ‘algum dia vou chamá-lo para fazer alguma peça’. Aí pintou a ‘Ópera do Malandro’, e vi que tinha tudo a ver com o Moyseis: Lapa, samba…”, acrescenta.

Já remontada em 2000 e 2003, por exemplo, a “Ópera do Malandro” se mantém, assim, na memória cultural do público. Moyseis Marques explica a importância disto. “As novas gerações precisam saber disso, dar continuidade, como a gente faz com a história do samba. É importante que se tenham novas montagens, um novo olhar. E até mesmo para que as pessoas conheçam a obra de Chico Buarque. Quanto mais for remontado, melhor. Cada vez que ela é remontada ganha uma nova vida, e a obra se mantém viva. Atravessando gerações para que a nossa música se fortaleça. A gente vive em um país em que a nossa cultura é nosso maior tesouro. A nossa música é respeitada no mundo inteiro”, orgulha-se o artista.

João Falcão posa com o elenco completo Foto: apetecer.com

João Falcão posa com o elenco completo Foto: apetecer.com

Os mais ansiosos em conferir esta nova remontagem não podem perder a estreia, esta semana, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas a temporada tem continuidade no Theatro Net Rio a partir de agosto. Confira o serviço abaixo.

Este slideshow necessita de JavaScript.


SERVIÇO:
Theatro Municipal – 17, 18 e 19 de julho, às 20h (quinta, sexta e sábado)

Ingressos:
Frisa/Camarote: R$ 500 (R$100 por pessoa)
Plateia / Balcão Nobre: R$ 100
Balcão Superior: R$ 80
Balcão Lateral: R$ 50
Galeria Superior: R$30
Galeria Lateral: R$20

20 de julho às 11h (domingo)

Preço único: R$ 1,00

 

Theatro Net Rio De 8 de agosto a 26 de outubro (De quinta a sexta, às 21h. Domingos, às 20h)

Ingressos:
Plateia, Mezzanino e Frisas: R$150
Balcão R$100

Duração: 150 minutos.

Classificação: 14 anos.

http://instagram.com/operadomalandro
https://www.facebook.com/operadomalandro2014


Ficha técnica:

Adaptação e direção: João Falcão

Direção musical: Beto Lemos

Elenco: Adrén Alves, Alfredo del Penho, Bruce Araújo, Davi Guilhermme, Eduardo Landim, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Larissa Luz, Léo Bahia, Rafael Cavalcanti, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino

Apresentando: Moyseis Marques

P.S.: Agradeço à Factoria Comunicação pelos convites.

 

Número 5 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/


Anúncios