“As três irmãs” – Eu fui!

Perto do principal cartão postal do Rio de Janeiro, no Casarão Austregésilo de Athayde, está em cartaz a peça “As três irmãs”, de Anton Tchekhov. Localizado na subida do Cristo Redentor, a casa hoje leva o nome de seu antigo dono, que foi presidente da Academia Brasileira de Letras entre 1951 e 1993. Já o texto é de autoria do escritor russo, considerado um dos maiores contistas de todos os tempos.

A história se passa em uma cidade do interior da Rússia. As três irmãs do título são Olga, Irina e Macha que, junto com o irmão Andrei, foram criadas por um pai militar que os ensinou as maiores virtudes. Só que isto, para elas, não tem nenhuma utilidade no local onde vivem. Traçando um paralelo com uma frase do pensador espanhol Baltasar Gracián, “até o saber não é nada, se os demais não sabem que se sabe”. Apesar de ter sido formulada em outro contexto, a frase serve bem para mostrar a sensação das personagens. Enquanto recebem visita de militares em sua casa e filosofam sobre a vida, sonham em voltar para Moscou, sua cidade natal.

Falando mais especificamente, a locação escolhida para abrigar a montagem é o jardim do Casarão. Obviamente em espaço aberto, ele capta a luz natural do ambiente. Isso em uma parte da peça, que começa às 16h. No decorrer da história, escurece e o clima fica mais sombrio, combinando com o enredo em que se desenvolve. O propósito é justamente este.

Pode parecer estranho uma montagem teatral de uma história que se passa na Rússia (quase no fim do período imperial), em pleno Rio de Janeiro, logo em um espaço a céu aberto. Mas o figurino bem feito, interpretações eficientes e o texto obediente ao original cumprem seu papel. Isto sem contar com o cenário sombrio, ao qual já me referi. Tudo isso transmite a melancolia presente nos personagens.

Melancolia em relação às tragédias, à saudade da terra em que viviam, quase um banzo, quanto aos planos de voltar para lá. Planos estes que nunca se concretizam. O clima da região em que vivem é propício para que este sentimento se desenvolva. Ao longo da peça, os personagens se lamentam quanto ao inverno, e que não veem a hora de o verão chegar, trazendo dias ensolarados. Talvez para que, com ele, venha um pouco alegria e luminosidade, para a casa e suas vidas.

Outro fator de melancolia do enredo é em relação aos relacionamentos amorosos. Cada um personagem sofre por um motivo diferente. Há traições, amores não correspondidos, o que não se realiza devido a tragédias inesperadas. Até mesmo a moça que não casa e se dedica somente ao trabalho. Coisa que, imagino, ter sido um grande motivo de pressão social na época.

Por fim, “As três irmãs” é uma boa oportunidade – e gratuita – para conferir mais uma montagem de um texto clássico da dramaturgia mundial. Muitos já aproveitaram essa chance. Tanto que a temporada foi prorrogada para 27 de julho, e promete encher novamente o espaço, assim como a sessão em que estive.

FICHA TÉCNICA
Texto: Anton Tchekhov
Direção: Morena Cattoni
Idealização: Paula Sandroni, Gisela de Castro e Morena Cattoni
Elenco: Arthur Rozas, Carlos Neiva, Cássio Pandolph, Chica Oliveira, Gisela de Castro, Amanda Vides Veras, Jean Machado, José Gomide, Marcelo Morato, Natasha Corbelino, Paula Sandroni, Paulo Roque e Rodrigo Cirne.

SERVIÇO:
Local: Casarão Austregésilo de Athayde.
Endereço: Rua Cosme Velho, 599.
Data: de 14 de junho a 6 de julho (prorrogado até 27 de julho)
Horário: Sábados e Domingos às 16h.
Classificação etária: 10 anos
Reservas pelo telefone: 99974-8272 ou pelo email:astresirmasnojardim@gmail.com falar com a Maria Fernanda
ENTRADA FRANCA
Em caso de chuva, não haverá espetáculo

P.S.: Agradeço à Maria Fernanda pelos convites.


 

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