“Belle”, espetáculo de Deborah Colker – Eu fui!

A semana não é apenas voltada para as estreias nos esportes. Os admiradores do mundo da dança também podem se alegrar, pois começa esta sexta-feira, 13 de junho, a temporada do novo espetáculo da coreógrafa Deborah Colker. Mas a felicidade dura pouco, pois o período que “Belle” fica no Theatro Municipal é curtíssima, somente até a próxima segunda, 16. O balé não tem esse nome à toa, pois é livremente inspirado no livro “Belle de jour”, do escritor franco-argentino Joseph Kessell, de 1928. O romance também inspirou o cineasta Luis Buñuel a fazer sua versão para o cinema, em 1967, e levar Catherine Deneuve como a protagonista. Agora, é Deborah quem apresenta sua concepção da moça dos olhos azuis como a tarde, como diria a música de Alceu Valença.

Foto: apetecer.com

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“Belle de jour” conta a história de Séverine, jovem rica e bonita, porém infeliz. Casada com um médico, parece levar uma vida perfeita, mas sente falta de algo. Com isso, procura um bordel e passa a levar uma vida dupla: trabalha como prostituta à tarde e, à noite, retoma a vida de casada.

O encantamento de Deborah com a história surgiu em 2011. Ela havia acabado de estrear seu balé anterior, “Tatyana”, quando leu o clássico de Kessell. Depois disso, resolveu fazer como no último espetáculo, ou seja, contar a mesma história do início ao fim. Com isso, também, se aprofunda mais no enredo e nos personagens.

“Essa história fala de uma mulher que tem tudo, mas falta alguma coisa. Uma mulher que vive em um mundo burguês, casada. Ela ama esse marido, está tudo certo. E aí ela tem a notícia de que uma amiga começa a frequentar um bordel. Ela fica muito perturbada com isso. Fica atormentada e ao mesmo tempo fascinada por isso. E acaba conhecendo esse bordel, frequentando e quase conseguindo encontrar um meio na vida dela de coexistir essas duas situações mas que, na verdade, a gente sabe que é impossível”, contou-nos Deborah.

Foto: apetecer.com

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O enredo de “Belle de jour” fala da busca por algo. “Ela tinha um mundo dela, um amor. Mas não conseguia se adequar, ser feliz e completa. O que ela mais precisava, aquele mundo não podia dar. E era exatamente o outro mundo, o antagonismo disso. Não é só uma questão sexual. Ela tem uma insatisfação interna muito grande”, acrescenta.

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A história de perturbação é transmitida para os palcos através de movimentos, iluminação e figurino, segundo a concepção da coreógrafa. “Na minha história, o que é importante é que essa mulher, nessa perturbação, tende a esse chamado do instinto que está gritando dentro dela. Ela adoece, começa a perceber o corpo de uma maneira diferente. Começa a mudar o corpo, a cabeça. Começa a ter delírios, visões. E na verdade tudo isso é uma maneira que ela vai criando coragem de conhecer esse outro mundo”.

O livro de Joseph Kessel foi acusado de pornográfico. O filme de Luis Buñuel criticou a sociedade católica e burguesa. Na versão de Deborah Colker para “Belle de jour”, a coreógrafa tenta quebrar o tabu do erotismo. Tanto na pitada de ousadia no figurino, quanto na coreografia. Também há a mistura dos balés clássico com o contemporâneo. No início do espetáculo, as bailarinas dançam com sapatilhas de ponta. Depois, elas dão lugar a saltos altos e botas.

Agora, “Belle de jour” tem versão em literatura, cinema e dança. História tão versátil quanto Deborah Colker, coreógrafa que – em expressão apropriada para esta época de Copa do Mundo – joga nas 11.

 


Serviço:

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

De 13 a 16 de junho.

Sexta, às 21h.

Sábado, às 17h e 21h.

Domingo, às 17h.

Segunda, às 21h.

Ingressos de R$ 20 a R$ 100.

P.S.: Agradeço à Factoria Comunicação pelos convites.


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