“O Grande Circo Místico” – Eu fui!

Sempre gostei de musicais, e fico muito feliz pelo cenário cultural estar sempre com alguma peça neste estilo, ultimamente. Costumo assistir a quase todas. Sendo assim, não pude deixar de prestigiar “O Grande Circo Místico”, que entrou em cartaz no início do mês de maio, no Theatro Net Rio. Posso dizer, a princípio, que foi das melhores (se não a melhor) que já tive a oportunidade de ver.

O público é ambientado com o universo circense até mesmo antes do terceiro sinal, quando entra um palhaço com seu acordeão, conversando com o público. Só que em outro idioma que não identifiquei. Nada que comprometa a compreensão dos espectadores, pois o artista também se comunica por meio de gestos, com um quê de Charles Chaplin. Não apenas pela interpretação gestual, como pela caracterização.

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio - Foto: apetecer.com

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio – Foto: apetecer.com

Logo mais, entram em cena os Knieps, com toda a trupe a que um circo tem direito: palhaços, trapezistas, malabaristas, equilibrista e mulher barbada. O enredo não especifica onde e quando tudo acontece. Só se sabe quem eles são e que surge uma guerra depois, levando consigo alguns de seus integrantes. Mas tudo se passa de uma forma lúdica e poética, como todo circo deve ser.

O encontro de Beatriz e Frederico - Foto: apetecer.com

O encontro de Beatriz e Frederico – Foto: apetecer.com

A poesia presente no enredo e no texto se justifica desde o início de “O Grande Circo Místico”. Digo em relação à origem da peça. Tudo surgiu a partir do poema do alagoano Jorge de Lima, “A Túnica Inconsútil”, de 1938. Já nos anos 1980, Edu Lobo foi convidado para compor a trilha sonora instrumental para o ballet “Jogos de Dança”, do Teatro Guaíra, de Curitiba. Logo após, houve um novo convite para produzir para outro espetáculo de dança. Resolveu, então, chamar Chico Buarque para fazê-lo junto. A partir daí, criaram letras e enredo de acordo com o poema de Jorge de Lima.

Apesar da história de “O Grande Circo Místico” ser antiga, é a primeira vez que o espetáculo é apresentado no formato de teatro musical. Mas parece que ele nasceu para isso. As belas e famosas músicas que o compõem já estão no imaginário de quem admira a obra de Edu e Chico. E creio que todos nós já tínhamos em nosso imaginário um homem com “tórax de superman e coração de poeta”, uma mulher com “xale no decote” e de “faces rubras e febris”, e outra moça, atriz, cujo rosto parece uma pintura. Só nos restava ver se eles condiziam com a “realidade”.

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio - Foto: apetecer.com

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio – Foto: apetecer.com

A maior parte do elenco também se aventura nas atividades circenses. De acordo com Pedro Neves, da assessoria do espetáculo, o elenco principal tinha pouca (ou nenhuma) experiência na área. “Leticia Colin (Beatriz), por exemplo, começou a treinar com tecido e trapézio em janeiro. Assim como Gabriel Stauffer (Frederico) com a cena de equilíbrio no fio e no malabarismo com as bolas. Reiner Tenente (Clown) aprendeu a andar de monociclo em pouco tempo também”.

Contorcionista impressionando o público - Foto: apetecer.com

Contorcionista impressionando o público – Foto: apetecer.com

As canções clássicas, como “Beatriz”, “A história de Lily Braun” e “A bela e a fera” – implicitamente citadas acima – estiveram presentes. Bem como “Meu namorado”, “A valsa dos clowns”, “O circo místico”, “Opereta do casamento”, “Ciranda da bailarina”, entre outras. A elas também se uniram músicas que não foram compostas especificamente para o musical, mas também pertencentes à obra de Chico Buarque e Edu Lobo.

O elenco é excelente, e eu – justo eu, que não sou muito simpática a palhaços (eheh) – me encantei por Clown, o adorável palhaço que canta, interpreta e até dá uma amostra de sapateado em determinada cena. Mas, lógico, sem deixar de lado o talento dos outros integrantes.

A Mulher Barbada - Foto: apetecer.com

A Mulher Barbada – Foto: apetecer.com

“O Grande Circo Místico” é brasilidade pura. Uma lição para quem não leva muita fé em musicais brasileiros, pois é produto 100% nacional: música, enredo, interpretação e memória (olha eu falando de memória novamente rs). Ficamos com vontade de assistir mais e mais vezes. O que consola é que parece que vai surgir o filme ainda este ano. Só nos resta esperar o que o cineasta Cacá Diegues está preparando.

 

“O Grande Circo místico está em cartaz no Theatro Net Rio

Qui e sex  21h | Sáb 21h30 | Dom 20h

Plateia e frisas: R$ 150 | Balcão: R$ 100*

* Direito à meia entrada: Menor ou igual à 21 anos; Idosos com 60 anos ou mais; Aposentados; Professor da rede pública municipal; Estudantes; Cliente Net (até 4 ingressos por sessão); Cliente O Globo (até 2 ingressos por sessão); Portador de Necessidades Especiais; Classe artística com DRT (até 1 ingresso por sessão).

Elenco:

Fernando Eiras – Administrador

Letícia Colin – Beatriz

Gabriel Staufer – Frederico

Isabel Lobo – Charlote

Ana Baird – Mulher Barbada

Reiner Tenente – Clown

Paula Flaibann – Lily Braun

Marcelo Nogueira – Banqueiro, Frederico Pai & Soldado

Felipe Habib – Amigo, Soldado da Trincheira & Enfermeiro

Renan Mattos – Dimitri & Soldado Inimigo

Thadeu Torres – Garoto, Soldado da Trincheira & Mulher do Cabaré

Leonardo Senna – General & Soldado Inimigo

Juliana Medella – Mulher da Névoa, Enfermeira & Mulher do Cabaré

Leo Abel – Oficial Inimigo, Cavalo, Velho & Soldado da Trincheira

Natasha Jascalevich – Anjo, Enfermeira & Mulher do Cabaré

Douglas Ramalho – Cavalo, Soldado da Trincheira & Soldado Inimigo

Luciana Pandolfo – Enfermeira, Mulher do Cabaré & como Beatriz (substituta eventual)

Beatriz Lucci – Substituta eventual

 

P.S.: Agradeço a Minas Ideias pelos convites.

 

Número 2 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/


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