Humor da terra da rainha, em “A Recompensa” – Eu fui!

Dia 15 de maio, estreia no Brasil o filme “A Recompensa”. O enredo conta a história de Dom Hemingway (Jude Law), um dos maiores arrombadores de cofre de Londres. Ele está de volta às ruas após 12 anos de prisão e agora quer receber sua recompensa por não ter delatado seus parceiros. Ao lado de seu melhor amigo, Dickie (Richard E. Grant), Dom vai ao sul da França visitar seu antigo chefe do crime, Sr. Fontaine (Demian Bichir), para reivindicar a sua parte. Mas este é apenas o início de sua jornada, que envolverá a femme fatale Paolina (Madalina Ghenea) e a filha, Evelyn (Emilia Clarke), com quem ele não tem contato há anos. Fui à cabine de pré-estreia para assistir e conto aqui alguns pareceres (não muito para não estragar a surpresa).

Jude Law é conhecido como galã e tudo o mais, mas foi desprovido de vaidade para este filme. Ele aparece ligeiramente gordinho, ligeiramente careca, mas bem engraçado. Não que isso tenha a ver com as características do visual, mas sim com a interpretação exagerada, porém em conformidade com a proposta da psique do personagem. Imaginem um homem que tenha passado 12 anos na prisão. Enquanto isso, sua esposa se casa com um colega de trabalho e desenvolve câncer, levando-a à morte. Com tudo isso, acaba perdendo contato com a filha e só chega a vê-la depois de adulta, já casada e com filho. O perturbado Dom Hemingway quer recuperar tudo o que deixou para trás em pouco tempo e, com isso, sua personalidade se mostra agressiva e escandalosa em muitos momentos.

Para o diretor, Richard Shepard, “Dom é um personagem confuso e complicado, mas também engraçado. Está perturbado, magoado, irritado, mas, no fundo, tem bom coração”. Para Jude Law, “Dom é um bandido à moda antiga, que vive com sua moral e suas regras. Ele é um homem explosivo, poético e estranhamente engraçado, mas, ao mesmo tempo, pode se tornar violento e assustador. Ele é o que todos nós somos em nossa essência, esse tipo de mistura do bem e do mal, mas em um nível mais amplo.”  Para mim, tanto um, quanto o outro, cumpriram bem seus papeis.

Ah, estava falando sobre a graça de Dom Hemingway! O filme é repleto de piadas de humor politicamente incorreto, que muitos têm medo de assumir nos dias de hoje. Tanto na fase “vida louca”, quanto quando tenta retomar a relação pai e filha e uma aproximação com o neto, o sarcasmo está sempre presente. Bem como as divertidíssimas sacadas da direção e edição em momentos que poderiam ser tensos. Por exemplo, o acidente que envolve o amigo Dickie, o ex-chefe sr. Fontaine, entre outr(a)os. Em outra cena, quando o protagonista volta a executar seu maior talento – arrombar cofres -, parecia que eu estava assistindo, com perdão das referências, ao “Pânico na TV” (refiro-me a inserções nonsense da edição).

Portanto, se você quer ver mais um filme do “gato” Jude Law, você assistirá, no lugar disto, a um ator versátil. Agora, se quer ver uma comédia além dos pastelões que encontramos por aí, “A Recompensa” pode te atender muito bem.

 

P.S.: Agradeço a RPM Comunicação pelos convites.

 

Número 4 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/