Contribuindo para a memória da MPB: Elza Soares interpreta Lupicínio Rodrigues – Eu fui!

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Dando sequência às comemorações do “Festival Rival 80 anos”, quem se apresentou desta vez foi Elza Soares, em um novo show em homenagem a Lupicínio Rodrigues. Estivemos lá para conferir de perto a vivacidade e a voz rouca deste grande nome da música popular brasileira.

O show começa com Elza interpretando, à capela, “Exemplo” (Lupicínio Rodrigues). Em seguida, emenda com “Esses moços” (Lupicínio Rodrigues), essa já colocando em cena suas bases jazzísticas, dando seguida com “Nunca” (Lupicínio Rodrigues). O tom romântico das canções também emociona a cantora, que diz, “Não vou falar nada agora para não chorar. Eu canto e choro Lupicínio”. E continua entoando “Ela disse-me assim” (Lupicínio Rodrigues).

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

A cenografia era baseada em uma antiga história entre Elza Soares e Lupicínio, que foi autor de seu primeiro sucesso, “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins). De acordo com Juliano Almeida, produtor do espetáculo e idealizador do cenário, “A concepção veio da brincadeira – mas que foi uma realidade – de que Elza estava cantando e, de repente, veio Lupicínio oferecendo rosas para ela, que não sabia quem era o Lupicínio. Ele chega para entregar as rosas e ela, ‘não gosto de rosa, meu nome não é Rosa’. Daí, ele falou, ‘sou Lupicínio autor do teu sucesso’. Quando ela falou, ‘eu adoro rosa’. É o buquê de rosas dele!”.

A cenografia, baseada em rosas, em harmonia com o figurino da cantora. Foto: apetecer.com

A cenografia, baseada em rosas, em harmonia com o figurino da cantora. Foto: apetecer.com

Durante o show, Elza sai de cena para deixar sua banda comandando a festa ao som de música instrumental. Quando retorna, é para seguir com a linha romântica com “Volta” (Lupicínio Rodrigues). Por pouco tempo, pois o clima logo é quebrado com o ponto alto da noite. “Eu não sou louco” (Lupicínio Rodrigues e Evaldo Rui) ganha uma interpretação toda especial para a letra, arrancando risos e aplausos de pé do público. Este, sim, foi à loucura.  A animação continua com “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), sendo acompanhada apenas por Marcos Suzano no pandeiro. O músico – que já tocou com importantes nomes, como Lenine, Zé Keti e Gilberto Gil – também a acompanha no sucesso de Martinho da Vila, “Madalena do Jucu” (Martinho da Vila).

Elza Soares com Marcos Suzano. Foto: apetecer.com

Elza Soares com Marcos Suzano. Foto: apetecer.com

“Nervos de aço” (Lupicínio Rodrigues) leva uma roupagem de mambo, com uma pegada rock’n roll no refrão. Deixa, assim, claro que o público que vai ao show de Elza Soares vê realmente versatilidade. Isso sem falar no clássico do funk, “Rap da Felicidade” (Cidinho), que também teve um trecho acrescentado no setlist. No bis, a artista retorna com a provavelmente mais famosa canção de Lupicínio, “Felicidade”.

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Durante todo o show, Elza Soares se mostra uma pessoa divertida e simpática. Tudo isso foi confirmado pelo site também nos bastidores, onde a cantora conversou conosco. Ela falou a respeito de levar a obra de seu mentor para os palcos. “A gente parece um país que não tem memória! Porque as escolas, a cultura, não têm nenhum esforço para dizer, ‘Isso é Brasil, isso existe, isso é nosso!’. É preciso associar essa emoção, essa pessoa que viveu e morreu de amor. É preciso pedir aos professores, aos governadores, por favor: levem para os colégios. Quando bati no peito e disse, ‘Quero fazer Lupicínio’ disseram, ‘A pensar’. Porque acharam que seria algo para trás. Então, acho que consegui colocar o Lupicínio, daqui para frente, mais forte ainda.”

Não apenas pelos novos arranjos concebidos, mas também pela voz impecável e pela presença marcante, Elza Soares mostrou que é, realmente, uma diva. Não que isto fosse posto em dúvida antes. Mas pela simplicidade e preocupação com a cultura do país, dentro e fora dos palcos, mostra que tem muito para ensinar para novos nomes. Dentro e fora dos palcos.

Elza Soares manda um beijinho no ombro - Foto: apetecer.com

Elza Soares manda um beijinho no ombro, tatuado em homenagem a Lupicínio. Foto: apetecer.com

O show será apresentado no próximo fim de semana em São Paulo, e alguns outros já estão agendados para junho e julho. Inclusive em Porto Alegre, cidade natal de Lupicínio. Ainda não se sabe se haverá álbum, mas pelo menos o ao vivo ainda pode ser conferido, inclusive hoje no Teatro Rival Petrobras, às 19h30.

 

Informações:

Elza Soares interpreta Lupicínio Rodrigues
Teatro Rival Petrobras
Dia: 3 de maio, sábado, às 19h30
Endereço: Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia

Tel: (021) 2240-4469
Preço:
Setor A / Setor B / Mezanino
R$ 80 (inteira)
R$ 60 (promoção para os 100 primeiros pagantes)
R$ 40 (estudante / idoso / professor da rede municipal)
Classificação: 16 anos

 

Muito grata à gentileza de Sheila, assessora do Teatro Rival Petrobras; de Juliano Almeida, produtor do espetáculo; e de Elza Soares.

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