12 Anos de Escravidão

Como já é tradição, não assisti a nenhum dos filmes indicados ao Oscar antes da cerimônia. Outra tradição também é a vontade que fico de assistir a todos após a premiação. Sendo assim, me desloquei até a zona sul – pois na zona norte raramente eles são exibidos – para assistir ao vencedor do Oscar de melhor filme do ano.

A partir da segunda década do século XIX, foi decretado o fim do tráfico de escravos nos Estados Unidos. Portanto, é iniciado um fenômeno de comercialização de cativos entre senhores. Tanto em fazendas vizinhas, quanto nas distantes. Inclusive homens livres foram sequestrados nos estados do norte do país – onde não havia mais escravidão – para suprir necessidade de mão-de-obra escrava nas plantations dos estados do sul escravagista. Foi o que aconteceu com Solomon Northup, protagonista.

Homem livre, chefe de família, morador de Nova York, Solomon vive uma vida tranquila até que aceita uma proposta de emprego em uma outra cidade. Só que a tal proposta para trabalhar como violinista era uma cilada, e ele acaba sendo sequestrado, vendido e escravizado por fazendeiros de estados do sul. Ele então passa a viver uma realidade até então desconhecida.

Os desempenhos dos atores Chiwetel Ejiofor (Solomon / Platt) – indicado ao Oscar de melhor ator – e de Lupita Nyong’o – vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante – se destacam. A melancolia que demonstram em cena é convincente, forte e transporta o espectador para a realidade degradante e desumana vivida pelas pessoas nesta circunstância.

Ainda falando de melancolia, em diversas cenas, a influência da música, hoje chamada gospel / soul, mostra suas origens na spiritual – gênero de canções religiosas, cantadas a capella –  pelos trabalhadores nas lavouras. O maior exemplo foi a interpretação da canção “Roll Jordan Roll”, na cena do enterro de um dos cativos mais velhos.

Filme forte, que merece ser assistido, não apenas para se inteirar nas novidades do cinema. Mas também para nos informarmos a respeito da história dos Estados Unidos, neste ponto tão semelhante à nossa. E evitar que esqueçamos e repitamos erros de um passado relativamente recente…

 

Número 2 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/

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