Desfile – Série A – Eu fui!

Foto LValente

Cantor Biafra, esbanjando simpatia e beijinhos pela sua Viradouro

Nos últimos anos, tenho sido o tipo de foliã que assiste a tudo pela televisão, e não lembro qual foi a última vez que participei de algum evento envolvido com carnaval. Mas, o que você faria se surgisse uma oportunidade de assistir ao segundo dia de desfiles das escolas de samba da Série A, do Rio de Janeiro? Eu aproveitei! E muito. Tanto que decidi escrever sobre aquilo que vi ao vivo, que antes só conhecia pela tela da TV, e nem no meio desse povo.

A noite se inicia com a Tradição. Fazendo jus a seu nome, a escola levou para a avenida uma releitura do enredo “Sonhar com Rei dá Leão”, da Beija-Flor de Nilópolis, em 1976. Apesar de leiga no assunto, pude observar que algumas fantasias eram um pouco inacabadas, mas os integrantes e o público estavam bastante animados. Talvez devido ao já consagrado samba e pelo desempenho firme da bateria, segurando o desfile até o fim, sem deixar cair. Como foi a primeira escola, do primeiro desfile que vi na vida, podem imaginar o deslumbre e a quantidade de fotos com as quais fiquei. Abaixo, uma delas.

Image

Segundo carro, “Jardim Repleto de Animais”, representando o empresário Viana Drummond, que inaugurou o Primeiro Jardim Zoológico do Rio de Janeiro e do Brasil.

Dando prosseguimento, a Alegria do Zona Sul. Desculpe, mas tenho que escrever que ela também fez jus a seu nome (rs). Com o enredo “Sacopenapã”, explorou um dos bairros mais famosos da região da escola: Copacabana. Contou algumas origens históricas do local, como seu nome – atribuído a Nossa Senhora de Copacabana -, até o desenvolvimento urbano de hoje em dia. O bom refrão do samba fez o público cantar e emocionou os componentes. Mas foi impossível deixar de observar o andamento irregular, com buracos na avenida. Inclusive, um carro entrou somente depois do encerramento do desfile da escola, com uma parte quebrada.

Image

Uma das passistas da Alegria da Zona Sul

A União do Parque Curicica falou sobre a história da cachaça, com o enredo “Na Garrafa, no Barril, Salve a Cachaça Patrimônio Cultural do Brasil”. A escola surpreendeu com os componentes da bateria vestidos de mangueirenses, uma homenagem a Carlos Cachaça, um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira. Por vezes falando de cana, por outras falando de cachaça, ficou um pouco confuso (rs). Mas foi um belo desfile.

Image

Quarto carro, “Cachaça não é Água não”, mostrando que ninguém resiste ao tema da escola

Foi quando a Caprichosos de Pilares entrou em cena que a Sapucaí começou, realmente, a ficar radiante. Apoiados pela torcida grande e componentes muito animados, a escola apresentou o enredo “Dos malandros e das Madames: Lapa, a Estrela da Noite Carioca”. Nele contou a história da boemia do tradicional bairro da Lapa. Tema muito bem explorado, com uma pesquisa bem feita. Um belo desfile. Único porém: talvez por um problema na caixa de som, não dava para entender tão bem a letra do samba. Pelo menos do setor 6, onde eu estava.

Image

Ala das baianas, fantasiada de “Carlota Joaquina”

O ponto alto da noite, certamente, foi o desfile da Unidos do Viradouro. Arrancando gritos de “É campeão” – e o Estandarte de Ouro – a escola falou sobre sua cidade de origem: Niterói. O enredo era, “Sou a terra de Ismael, ‘Guanabaran’ eu vou cruzar… pra você tiro o chapéu, Rio eu vim te abraçar.”.

Image

Integrante da ala “Índios Temiminós”

Apesar do nome longo, o samba-enredo era de fácil assimilação, acompanhado por uma bateria fantástica e “um charmoso naipe de agogôs e um lindo desenho de tamborins”. O desfile foi encerrado com a presença de uma das estrelas da Marquês, o gari Renato Sorriso. Mesmo a trabalho, Renato mostrou toda a habilidade com o samba nos pés, que o fez ficar tão famoso.

Image

A bateria impecável, com a fantasia “Croupier do Cassino Icaraí”

A escola seguinte foi a Estácio de Sá, com “Um Rio à Beira-Mar: Ventos do Passado em Direção ao Futuro!”. O enredo fala da evolução histórica e cultural do Porto do Rio de Janeiro. A abordagem também parecia um pouco confusa. As fantasias pesadas da maioria dos integrantes também foi algo que chamou a atenção.

Image

Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, com a fantasia “Estácio de Sá e a Criatura Marinha das Águas da Guanabara”

Com o enredo, “Do Toque do Criador à Cidade mais Saudável do Brasil. Jundiaí, uma Referência Nacional”, a Acadêmicos de Santa Cruz tratou da história e do desenvolvimento da cidade paulista de Jundiaí. O samba não empolgou muito na avenida, mas o enredo foi muito bem trabalhado.

Image

Componente da Ala das Crianças, fantasiada de “Yundiá”

Falando sobre os enigmas da Humanidade, a Unidos de Padre Miguel levou o enredo, “Decifra-me ou te Devoro: Enigmas – Chaves da Vida”. Esta foi a última escola a que assisti e penúltima a se apresentar. Mesmo assim, não foi vencida pelo cansaço de ter entrado na avenida após as 4 da manhã. Os componentes estavam animados e cantando o samba do início ao fim. Apesar disto, o enredo – talvez por ser muito abrangente – parecia se perder às vezes. E o desfile foi irregular, com vários carros “correndo” e com buracos na avenida.

Image

Carro abre alas: “Mistérios Cifrados de Civilizações Passadas”

Já quase 6 horas da manhã, meu traslado já estava chegando ao fim. A bateria da máquina fotográfica já havia encerrado atividade. Sendo assim, não pude assistir nem registrar a última escola, Acadêmicos do Cubango. O enredo foi “Continente Negro – Uma Epopeia Africana”,  abordando o tema da cultura negra da África ao Brasil. Não consegui nem ver pela televisão, mas o samba-enredo levou o Estandarte de Ouro. Sendo assim, a escola fechou os desfiles da Série A com chave de ouro.

Anúncios